Crítica | Parks and Recreation – 6ª Temporada

estrelas 4,5

Um dos maiores méritos de uma série de TV é ter a capacidade de mudar e reinventar-se sem descaracterizar suas personagens e perder o seu espírito original. De Parks and Recreation eu já vinha falando isso desde a 3ª Temporada, quando as primeiras e firmes mudanças no programa começaram a aparecer. Depois de muitos ajustes, saída e entrada de personagens, Parks encontrou um caminho seguro para trilhar, mesmo tendo em pauta mudanças contantes, que é, sem sombra de dúvidas, o foco central desta 6ª e inesquecível temporada.

Num plano geral, podemos dividir esse ano do show em três grandes e notáveis aspectos. O primeiro deles, político. A saída de Leslie do cargo de vereadora e o retorno para o trabalho na administração do setor de Parques e Recreação; a readequação de Ben na prefeitura, ocupando o cargo que fora de Chris e o amadurecimento de toda a equipe de trabalho, algo que também tem a ver com o nosso próximo tópico. O segundo deles, pessoal. Não só Leslie, mas todos os protagonistas passaram por grandes mudanças nessa temporada, inclusive Tom e Ron, dois extremos de personalidade que ganharam um novo aspecto no decorrer dos episódios. E por último, o patamar de readequações dramáticas, que desenvolverei no parágrafo a seguir.

A saída de Chris e Ann de Pawnee foi a primeira grande mudança e readequação da temporada. Primeiro, porque eram personagens queridos e de grande importância. Depois, porque a substituição de dois personagens de peso não acontece de uma hora para outra, o que fez com que os textos e todas as situações no restante da temporada fossem guiadas para não excluir por completo a presença ainda “fresca” do casal. O melhor dessa parte é que Leslie e Ben formam o par mais interessante, improvável, estranho e querido de uma série de comédia, e, justamente pela mudança de Chris e Ann, tiveram seu casamento bastante explorado nos enredos, sempre com uma ponte para os eventos correntes da cidade.

Assim como acontecera na temporada passada, um grande evento se aproxima e algumas surpresas aparecem para tornar tudo ainda mais interessante. As filmagens ganham mais o ambiente externo às repartições e os episódios se tornam mais dinâmicos, com sutil revisão no modo que a montagem trabalhava até o ano anterior.

Nesta 6ª Temporada, tivemos uma maior agilidade e relações mais criativas na tela, acelerando a relação entre as piadas em cena e tornando mais interessante os aspectos visuais do show. Da mesma forma o desenho de produção e a direção de arte trabalharam arduamente para fazer de cada um dos diversos espaços internos verdadeiros mundos à parte, com destaque para as redecorações dos escritórios e repartições, dos salões de festa e do restaurante de Tom.

A muitíssimo bem vinda gravidez de Leslie, uma excelente linha de mudanças orgânicas e benéficas para a continuação do show e roteiros que têm melhorado a cada temporada, Parks tem escalado com louvor a montanha da qualidade para as comédias, trazendo-nos, ano a ano, não apenas um programa engraçado e com ótimo elenco, mas também enredos inteligentes, linha narrativa realista e crítica, além de situações que garantem o seu lugar na lista de favoritos do espectador. E se ainda havia alguma dúvida de que a série tinha o potencial de mudar e manter ou aumentar a sua qualidade, os eventos desta 6ª Temporada serviram para nos trazer a prova definitiva.

Parks and Recreation – 6ª Temporada (EUA, 2014)
Direção: Dean Holland, Nicole Holofcener, Jay Karas, Jorma Taccone, Morgan Sackett, Wendey Stanzler, Michael Trim, Julie Anne Robinson, Alan Yang, Adam Scott, Ken Whittingham, Beth McCarthy-Miller, Nick Offerman, Michael Schur
Roteiro: Greg Daniels, Michael Schur e equipe
Elenco principal: Amy Poehler, Aziz Ansari, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Jim O’Heir, Retta, Adam Scott, Rashida Jones, Rob Lowe
Duração: 21 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.