Crítica | Pateta – O Filme

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Após estrelar o seriado A Turma do Pateta ao lado do seu filho, uma das criações em animação mais famosas de todos os tempos estaria prestes a ganhar o seu primeiro longa-metragem, embora feita diretamente para a televisão, sem contar com o apoio da equipe principal da icônica empresa. As dezenas de curtas-metragens, alguns dos melhores já feitos pela Disney, não foram suficientes para segurar todo o carisma do personagem. Em um momento do seu próprio filme, curiosamente, Pateta (Bill Farmer) revive o escopo daqueles “documentários”, levando o seu filho para pescar, embora o garoto esteja, claramente, contrariado e desinteressado. As situações agora têm mais uma camada de profundidade, além da mera pescaria rotineira e a comédia galhofa. Sua vida é humanizada pelos realizadores e a realidade mundana transposta, em Pateta – O Filme, para o incrível mundo da animação, transformando clássicas ilustrações de nossa infância em personagens muito mais relacionáveis, que compartilham as mesmas problemáticas e felicidades que nós, embora diante de um universo antropomórfico como aquele teor mágico.

Pateta – O Filme é, antes de tudo, uma obra sobre pais e filhos, colocando o icônico personagem, na voz original de Bill Farmer, tentando se relacionar com Max (Jason Marsden), um típico adolescente dos anos 90, um pouco introvertido, mas interessado naquela garota especial. Assim como outros jovens, Max é atrapalhado, mas entusiasmado em ser popular, correndo atrás disso logo de cara, o que revela uma força de vontade interessante. O que Pateta – O Filme tem de genérico, embasando-se em temáticas já discutidas previamente, a obra recompensa com uma abordagem diferenciada para os seus personagens clássicos, sem nunca tirar a essência deles de vista. Por exemplo, João Bafo de Onça (Jim Cummings), agora, também é uma figura com camadas, não necessariamente camadas mais profundas, mas seu aspecto grotesco é dividido com sua inaptidão em cuidar de seu filho, melhor amigo de Max, da mesma maneira doce que Pateta cuida. Ambas as relações entre pai e filho são colocadas para contraste. Enquanto Bafo é consideravelmente mais rico, Pateta tem um coração muito mais enorme. Uma pena que Max demore para reconhecer isso.

Em uma outra instância, o longa-metragem, seguindo a lógica da Disney, também pode ser considerado um musical, sem desapontar uma única vez nesse âmbito. As músicas, parte da narrativa na qual Max, um fã do astro Powerline, inventa para seu interesse amoroso, Roxanne (Kellie Martin), que está indo com o seu pai para um dos concertos do seu ídolo, enquanto, na realidade, está indo para aventuras preparadas pelo próprio Pateta, são utilizadas pontualmente, acertando em impulsionar o envolvimento do espectador. Porém, muito dificilmente elas serão relembradas pelos espectadores após a projeção, uma característica compartilhada pela própria animação. Contudo, é realmente difícil não se empolgar com as canções, com os grandes números musicais, cômicos e vibrantes, ainda mais em decorrência de uma animação bastante ágil e envolvente. Dizer que Pateta – O Filme é uma das obras mais inesquecíveis da Disney é exagerar bastante. Longe disso, o filme trata de uma roadtrip divertida, engraçadíssima, que tem como pano de fundo uma história mais madura. A relação entre o protagonista e seu filho é tocante, as participações especiais cômicas e, mais do que tudo, a efemeridade da aventura compensa com um pouco mais de uma hora de entretenimento de alta qualidade.

Pateta – O Filme (A Goofy Movie) – EUA, 1995
Direção: Kevin Lima
Roteiro: Jymn Magon, Chris Matheson, Brian Pimental
Elenco: Bill Farmer, Jason Marsden, Jim Cummings, Kellie Martin, Rob Paulsen, Tevin Campbell, Wallace Shawn, Frank Welker, Kevin Lima, Pat Buttram, Florence Stanley, Tevin Campbell, Pauly Shore
Duração: 78 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.