Anti-Crítica | Patrulha do Destino #1 (Estreia do novo selo da DC Comics: Young Animal, 2016)

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AVALIAÇÃO: ???

SPOILERS???

ATENÇÃO: O Ministério da Saúde adverte: o texto abaixo (e a revista que ele critica) podem causar a possessão completa de seus leitores pelo Encosto da Poker Face. Favor desconsiderar a vontade de ir para a janela e gritar “WTF???!!!“, ou achar que você não sabe mais ler e nem interpretar. Diz uma antiga lenda Tupi-Ninja-Samurai-da-África que isso estava previsto nos anais da DC.

A DC Comics está lançando um novo selo chamado Young Animal. Em sua estreia, com Patrulha do Destino, escrita por Gerard Way (da banda My Chemical Romance), o selo mostra que aquela historinha de “quadrinhos para pessoas perigosas” era uma mentira enorme. Na verdade, trata-se de “quadrinhos com um campo de força diabólico capaz de colocar os leitores babando verde, em posição fetal, em baixo da cama, por 48 horas“.

O objetivo dessa crítica é alertar a todos que… bem,  na verdade, não sabemos. Não sabemos nem por quê estamos escrevendo essa crítica (e nem é “estamos”; é “estou”, porque nesse momento, minhas outras personalidades estão dormindo, então aqui está o Luli Santo Iago… sozinho). Por isso, vou seguir com uma deliciosa receita de gyros — pra quem não sabe, isso se pronuncia “guíros”, e sim, é de comer.

Por falar em gyros, tem um nessa história, sabiam? Tem uma ambulância e uma super dupla dinâmica também, um paramédico e uma motorista. Parece que ela é muito estranha e tal. Daí o cara come um gyros e começa a perguntar, indiretamente, algo super normal que a gente pergunta todos os dias: SERÁ QUE TEM GENTE MORANDO DENTRO DA MINHA COMIDA???

Neste momento, o leitor deve estar pensando: “mas esse crítico Santo Iago está dando spoilers?“. Ao que eu respondo: sinceramente não sei. Parece que não, já que ninguém entende nada do que acontece aqui. E antes que os Grandes Entendedores das Galáxias venham dizer:

 😳 Mimimi — o Chefe aparece! — Mimimi

 😎 Mimimi — são cenas soltas do passado, presente e futuro! — Mimimi

 🙄 Mimimi — tem que esperar os eventos se seguirem pelos próximos 6 milhões de anos! — Mimimi

Quero dizer que: abacaxi cabana Lolita açúcar lápis de cera conjuntura sopa mar Everest retículo endoplasmático nosso relatividade novela açafrão. Entenderam? Pois é! Era exatamente isso que eu estava falando o tempo todo!!!

É impressionante como o roteiro nos leva pelo caminho da baleia do deserto copo rato cachoeira matagal. Não é ótimo quando nos deparamos com isso nos quadrinhos? Depois da pergunta filosófica, aparece o Homem Robô, que sim, é um personagem clássico da Patrulha, mexendo sua latinha e seu cérebro implantado desde os tempos de Arnold Drake e Bob Haney, nas páginas da My Greatest Adventure. Aí o leitor pensa:

__ Certo. Ok. No início parece que é o futuro. Ou um flashback? Mas de qual ponto de vista? Tá. Mas depois é o presente. Daí o gyros explode, porque realmente tem gente morando dentro dele. Bem… não gente. Coisas. Daí tem uma reunião de… SERES (?) falando sobre carne (?) e sobre o Danny Burgers (suspeito que os Entendedores das Galáxias farão as ligações mais gloriosas entre Grant Morrison e o Enigma do Príncipe das Carnes, Odin Quincannon neste momento para dar sentido a essa incrível tartaruga página diamante viola álcool retina letra gelo escuro dente).

Invariavelmente, o leitor seguirá a leitura (sim, “o Capitão Óbvio passou por aqui, sinta ele aí, sinta ele aí“) se achando bastante inteligente. Afinal, anos e anos lendo quadrinhos, não é possível que a pessoa vá se contentar com o patético “mimimi — são apenas cenas soltas — mimimi“, não é mesmo? E como maior indicação disso, temos, nas páginas finais, um suspiro de clareza com as informações sobre suco de abacaxi guitarra tá tranquilo peixe microfone súbito palhaço revolta grasnado pingo segura o tchan.

Aí aparece o Chefe mexendo em sintetizadores. Uh! Oh! O que isso quer dizer? Bem, nesse momento, o leitor certamente irá fazer relações com a epistemologia da teologia e hermenêutica da obra de Kant enquanto prepara um concerto de Sibelius para ouvir no seu toca-discos, no pretérito-mais-que-fora-de-jeito da nona arte. Mas tudo bem. Afinal, nós somos os seres inteligentes e dominantes do planeta, não é possível que a gente não entenda umas páginas com uns desenhos. Não é possível! É possível?

Por último, tem uma cena no céu (ou é só nas nuvens?), tem leão, sangue, tijolo com uma mensagem escrita, anjos-estátuas; mas antes tinha uma sapateadora, daí tem também um gato preto. Mas um cara explode. Contudo não tem sangue. Ou aquilo era sangue? Era doce? Porque era um falso-aniversário, certo? Como podem ver, há uma invariável força narrativa na genialidade impalpável do grande Gerard Way em elencar fortes dramas filo-antropo-socio-bio-ideológicos para os leitores. É uma pena que a geração da Sociedade Líquida Pós-Ultra-Supra-Pop-Moderna não tenha capacidade de abstração analítica schopenhaueriana para entender o conteúdo hegeliano à la Slavoj Žižek no melhor foco dos pré-socráticos.

Após a leitura, o leitor certamente entenderá o que é este selo Young Animal, que pode facilmente ser resumido em um poema simples e objetivo de Lewis Carroll, traduzido pelo grande Augusto de Campos, que nos diz exatamente sobre o quê é este selo e suas histórias (lembrando que a arte da revista é ótima!!!):

Jaguadarte

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!”

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta, e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Êle se ria jubileu.

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

Patrulha do Destino (Doom Patrol: Brick by Brick, Part One: Happy Birthday, Casey Brinke) — Estados Unidos, 14 de Setembro de 2016
Roteiro: Gerard Way
Arte: Nick Derington
Cores: Tamra Bonvillain
Letras: Todd Klein
Capas: Nick Derington, James Harvey
Editora: DC Comics
30 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.