Crítica | “Peace is the Mission” – Major Lazer

estrelas 5,0

Quando não está se metendo em polêmicas falando mal de outros artistas – no estilo Noel Gallagher de ser – ou tirando foto do pênis e postando no Twitter, Diplo é um dos grandes produtores musicais dos EUA, principalmente de EDM (Electronic Dance Music). Já trabalhou com artistas como Beyoncé, Shakira, Snoop Dogg, Usher, Britney e muitos outros, além de ter produzido diversas músicas do álbum mais recente de Madonna, Rebel Heart. Além disso, mantém um projeto com o amigo DJ Skrillex, Jack Ü, e outro com Jillionaire e Walshy Fire, o Major Lazer.

O Major Lazer é um projeto musical voltado, obviamente, para a EDM, mas com o tempero do reggae, do dancehall – estilo de música jamaicano popularizado por artistas como Sean Paul – e do moombahton, que mistura house e reggaeton. Pouco após o lançamento de Peace is the Mission, o mais recente lançamento do trio, Diplo postou em seu Instagram uma foto do álbum e comentou que, para realizá-lo, foram necessários dois anos de muita dedicação, inspiração e suor. Por fim, o loiro disse: “Você não precisa gostar [do álbum], eu só gostaria que você o ouvisse uma vez”. Gosto de acreditar que o DJ, ao fazer esse pedido, sabia que o que Peace is the Mission realmente precisa é de apenas uma audição para que o ouvinte simplesmente se renda.

Quando, logo nos primeiros segundos, a voz hipnótica de Natalie Bergman – vocalista da banda indie Wild Belle – penetra nos ouvidos como uma força sexy segura de si, já dá para perceber que Peace será um álbum de sensações. Esbanjando sensualidade do início ao fim da canção, o tom de Natalie, alternativo até não poder mais, casa perfeitamente com a mensagem e os arranjos de Be Together, atraindo a atenção do ouvinte logo de cara e funcionando perfeitamente como porta de entrada para a experiência Peace is the Mission. Logo depois, o Major Lazer começa a mostrar o som enérgico que gosta de fazer e que corre intrínseco em suas veias, com Too Original e Blaze up the Fire, que possuem drops insanos, hooks nervosos e vocais de artistas como o jamaicano Chronixx, que canta em um inglês cheio de sotaque e muito cativante.

É então que outra voz marcante chega aos nossos ouvidos, confiante e forte como é: a dinamarquesa entoa o melhor momento do álbum, Lean On, de batida poderosa e estilo indiano. Lean On foge do senso comum do pop e parece pensada para ser um grande e diferente hino popular, unindo o que cada um dos artistas envolvidos na faixa consegue fazer de melhor: a identidade do Major Lazer (e sua qualidade técnica) e a personalidade de MØ. Não é a toa que a canção virou um sucesso no mundo inteiro e marca presença nas pistas mundo afora. É Major Lazer estampado do primeiro ao último segundo.

Retomando a sensualidade impressa na primeira faixa, Ellie Goulding empresta sua voz característica para as estrofes de Powerful, que não poderia ter um título mais apropriado. Assim como Be Together, Powerful é uma poderosa e hipnótica canção de vibe sexual, que prova que o Major Lazer sabe ser muito competente nesse campo. Goulding divide os vocais com Tarrus Riley, que, com seu sotaque jamaicano, fortalece a canção e a ajuda a alcançar perfeitamente seu objetivo: descrever a energia que corre quando somos tocados e abraçados por alguém que gostamos. As vozes dos dois cantores são bem distintas e colocá-las uma sobreposta à outra é, justamente, o que torna a faixa tão memorável e cheia de personalidade.

Depois desse estado de transe cheio de prazer sensorial, Major Lazer traz a festa de volta com um dos momentos mais dançantes e enérgicos de Peace is the Mission: Nyla parece a escolha perfeita para os vocais de Light It Up e sua energia ininterrupta; o drop ensandecido de Roll the Bass também leva à loucura, mostrando que os DJs não estão para brincadeira: quando é para colocar fogo na pista, eles são mestres no assunto. Night Riders é uma faixa dedicada ao hip-hop, com quatro artistas do gênero dividindo os vocais, Travi$ Scott, 2 Chainz, Pusha T e Mad Cobra. A canção une muito bem o estilo com a música eletrônica e nem os mais ferrenhos fãs de rap poderão colocar defeito. Para fechar a experiência Peace is the Mission, Diplo e companhia dão os microfones nas mãos de Ariana Grande e Machel Montono em All My Love, criando outro caso de casamento perfeito entre vozes opostas, cada um entrando no momento certo (Ariana, let’s go!) para que a música acabe sendo extremamente gostosa, calorosa e dinâmica.

Com apenas nove faixas, diretas, firmes, sem rodeios, Major Lazer criou uma experiência musical de uma energia incomparável. Peace is the Mission fisga no momento do play e só nos dá descanso quando as batidas desaparecem ao final da última faixa. A missão do Major Lazer não é só de paz, é também uma missão musical; e eu posso afirmar com toda certeza, até com sotaque jamaicano se for preciso: “Medjor Lêza”, missão cumprida.

Aumenta! All My Love
Diminui! 
Canção favorita: Lean On

Peace is the Mission
Artista:
Major Lazer
País: EUA
Lançamento: 1 de junho de 2015
Gravadora:
Mad Decent
Estilo:
EDM, Electro, Reggae, Reggaeton, Dancehall, Trap

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira