Crítica | Penadinho – Vida

estrelas 4,5

Penadinho – Vida (2015) faz parte da segunda fase de publicações da Graphic MSP, que já contou com os seguintes lançamentos até agora (em ordem cronológica):

Com a chegada da “turma do terror” ao projeto, temos também uma concepção romântica que não víamos desde Piteco – Ingá, e cujo tratamento aqui é mais doce, inocente e místico. O roteiro do casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko nos mostra o desespero de Penadinho ao ouvir da Dona Cegonha que Alminha iria encarnar. Sem nunca ter dito para ela o amor que sentia, sem nunca tê-la levado ao cinema ou ao topo da colina para ver o Sol nascer, o simpático fantasma está diante de um conflito interno que mistura culpa, arrependimento, paixão e desespero.

Quando olhamos para esses “personagens medonhos” de Mauricio de Souza criados a partir de 1963 (Penadinho), nas tirinhas da Folha de São Paulo, vemos que Paulo Crumbim e Cristina Eiko não só foram felizes em fazer cada criatura da turma do cemitério ser reconhecível pelo leitor, como também dar a eles características atuais sem forçar situações e sem atribuir a eles características muito maduras. A inocência da Turma do Penadinho permanece intacta. Assim, temos as brincadeiras sobre as limitações de Cranicola; o medo e a preocupação de Muminho com suas bandagens; as constantes brincadeiras e disposição de Zé Vampir – exceto quando se trata de algo relacionado ao Sol; o sempre companheiro Frank, disposto a fazer amizade com qualquer coisa, e a forma inteligentíssima como os autores apresentam o Lobi à turma.

Esse tipo de trabalho é observado em todos os álbuns da Graphic MSP até agora, mas dependendo dos personagens da vez e o tipo de história em andamento, o exercício pode se tornar ainda mais difícil e com um resultado bem mais instigante, como é o presente caso.

Outro ponto a ser levado em consideração é a simplicidade e coesão da história. Ao invés de abrir dezenas de portas e janelas na trama, os autores seguiram muito de perto o evento central do volume, que era a reencarnação da Alminha, e apenas com uma quebra dramática – o sequestro da pobre alma pelos capangas do Sr. Crowley, boa referência ao ocultista Aleister Crowley – ergueram uma jornada sombria entre o mundo real e o espiritual. De alguma forma, a história me lembrou cenas específicas de Coraline e o Mundo Secreto (2009), principalmente porque estamos diante de uma busca que ganha diversos contornos com o passar das páginas e que faz os personagens amadurecerem ao fim do caminho.

E recheando tudo isto, temos a arte lunar de Crumbim e Eiko, um dos melhores trabalhos artísticos da série. A escrupulosa exploração da perspectiva, as variações sombreadas de uma paleta com azul, verdade, marrom e cinza que predominam na história e a incursão de quadros ou páginas de cores quentes apenas quando estritamente necessário (a Casa da Mamãe, as falas zombeteiras de Zé Vampir, a falsa história contada por Pazuzu a Alminha e as cenas na lanchonete Carmina) são parte de uma coerência estética e dramática que nos faz gostar ainda mais do que vemos.

penadinhovidacapaPenadinho – Vida é uma história emocionante e cheia de fofura. Há apenas um ponto negativo, que são os quadros do desfecho, após a despedida de Dona Morte e Dona Cegonha da turma – as coisas andam rápido demais e a conclusão é… digamos… condescendente demais –, mas se olharmos pelo contexto emotivo, vemos que o final feliz e a condescendência fazem algum sentido, de modo que isso não estraga o enredo, apenas lhe tira alguns pontos de estrutura narrativa original.

Após um pequeno tropeço em Singularidade, a série Graphic MSP volta em alto estilo com Penadinho – Vida, mais um quadrinho sob medida para amolecer corações e fazer qualquer leitor exclamar alguns “ooowwwnnn” durante a leitura.

Penadinho – Vida (Brasil) — Maio de 2015
Roteiro: Paulo Crumbim, Cristina Eiko
Arte: Paulo Crumbim, Cristina Eiko
Editora: Graphic MSP, Panini
82 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.