Crítica | Penny Dreadful 1X01: Night Work

estrelas 4

Desde o instante em que a Showtime anunciou sua nova grande produção após o fim de Dexter, Penny Dreadful foi pauta de uma série de notícias em canais de entretenimento. Todo o rebuliço se deu por se tratar de uma série de terror idealizada por John Logan e produzida por Sam Mendes, roteirista e diretor, respectivamente, do mais recente filme da franquia 007, Skyfall. O currículo dos dois é invejável. Em 2000, Mendes recebeu o Oscar de Melhor Diretor por Beleza Americana. Logan, ainda que não tenha levado para casa nenhuma estatueta dourada, é responsável pelo roteiro de filmes memoráveis, como Gladiador, O Aviador, O Último Samurai, A Invenção de Hugo Cabret e o musical de terror Sweeney Todd.

A expectativa em torno da série aumentou ainda mais após a confirmação de nomes de peso em seu elenco principal, composto por Timothy Dalton (007 Marcado Para a Morte e 007 – Licença Para Matar), Josh Hartnett (Pearl Harbor) e Eva Green (Cassino Royale). A série ainda conta com Billie Piper, eternizada como Rose Tyler em Doctor Who e a talentosa Helen McCrory (Harry Potter e o Enigma do Príncipe, Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 1 e parte 2).

As cenas iniciais já dão indício do que a série nos reserva. Uma mãe dorme ao lado de sua filha, quando acorda para ir ao banheiro. Aí você, ratinho de filmes de terror, pode até imaginar o que acontece, já que é mais que comprovado que histórias de terror somadas a banheiros indicam um susto iminente. Logo em seguida os créditos iniciais, muito bons diga-se de passagem, começam.

Como geralmente são os primeiros episódios, Night Work serve para situar o espectador no contexto da série, que não poderia ser melhor. O cenário escolhido é a Inglaterra do ano de 1891, em plena Era Vitoriana. A série consegue aliar perfeitamente à beleza da época o clima sombrio e sinistro que vagava pelas ruas londrinas.

O título da série também é um índice de como a série se desenvolverá. Penny Dreadful é o nome dado a pequenos folhetins de contos de terror que circulavam na Inglaterra do século XIX. Por serem publicações voltadas à classe operária, em constante crescimento após a Revolução Industrial, cada exemplar custava apenas um penny, que equivale a um centavo. A circulação desses folhetins popularizou algumas das mais célebres histórias de terror.

É com base nisso, que Penny Dreadful é construída. A série mistura novos nomes aos de personagens já conhecidos, como Jack, o Estripador, Dorian Gray e Dr. Frankenstein, contando suas histórias e relacionando-as a eventos que acontecerão ao longo da trama.

A primeira metade da série nos apresenta um pouco à realidade da cada personagem que compõe o trio principal. Ethan Chandler (Josh Hartnett) é um americano que vai a Londres junto à caravana de um circo. O rapaz ganha a vida fazendo performances em que exibe uma mira acurada e a habilidade em manipular um revólver. Chandler faz as vezes do forasteiro galanteador que já no primeiro episódio ganha o coração de uma moça da plateia e até umas coisinhas a mais.

Sir Malcon Murray (Timothy Dalton) é um fidalgo que junto a Vanessa Ives (Eva Green) empreende seus esforços na busca de Mina, sua filha sequestrada por seres sobrenaturais. É aí que ficamos com uma pulga atrás da orelha. Seria a filha de Sir Murray a famosa Mina dos contos de Drácula?

Todos os holofotes do episódio no entanto estão focados na mais misteriosa personagem da série. Na pele de Vanessa Ives, Eva Green nos presenteia com sua ótima interpretação. Muito pouco foi mostrado do íntimo de Vanessa, mas já sabemos que a mulher possui algum talento sobrenatural e tem afinidade com a mágica presente em cartas de tarô. Vanessa é o elo entre Sir Malcon e Ethan Chandler. A moça contrata Chandler para oferecer uma boa quantia de dinheiro em troca dos serviços do americano como atirador. É aí que a aventura começa. Chandler, Murray e Ives partem em busca de Mina e mergulham no submundo de Londres.

Além do trio principal, o episódio traz referências aos crimes cometidos por Jack, o Estripador e nos apresenta a um jovem médico e pesquisador, que no final se revelaria ser Dr. Victor Frankenstein.

A qualidade da série é inquestionável. A Londres construída em Penny Dreadful é suja, sombria e terrivelmente envolvente. Tanto a boa maquiagem, quanto os efeitos especiais na medida certa são bons indicadores de que a série é uma produção milimetricamente calculada e deve ser levada a sério. A fotografia é excelente e a composição de algumas cenas é melhor ainda (destaque para os momentos em que Vanessa reza), mas quem leva os louros mesmo é a trilha sonora de Abel Korzeniowski.

O primeiro episódio dá várias pistas, mas poucas conclusões sobre o que vai acontecer ao longo da curta temporada. O que pode ser dito, todavia, é que Penny Dreadful não é somente uma série de terror com abordagem rasa pautada unicamente em um susto aqui e outro ali. Temos uma amostra de um roteiro muito maduro e detalhista somado a uma produção que enche os olhos. John Logan consegue fazer um episódio piloto de bastante qualidade, instigante e que promete um bom desenvolvimento ao longo de toda a primeira temporada.

Penny Dreadful 1X01: Night Work (EUA, 2014)
Showruner: John Logan
Direção: J. A. Bayona
Roteiro: John Logan
Elenco: Eva Green, Josh Hartnett, Timothy Dalton, Harry Treadway, Billie Piper, Reeve Cartney
Duração: 53 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.