Crítica | Penny Dreadful 2X03-04: The Nightcomers/ Evil Spirits in Heavenly Places

estrelas 5,0

Nesta altura, já podemos dizer sem muitos rodeios que a segunda temporada de Penny Dreadful vem se mostrando muito superior em relação à primeira. Não levo em conta aqui a qualidade técnica, uma vez que estes quesitos conservaram a alta qualidade desde o episódio de estreia da série. O que, todavia, vem chamando a nossa atenção são os grandes avanços e acertos narrativos que esta temporada nos traz.

Os dois primeiros episódios desta temporada foram os responsáveis por indicar qual seria o tema a ser abordado. Vanessa, Malcolm e Chandler são postos mais uma vez à prova em outros desafios, na mesma medida que outras tramas paralelas vão ganhando forma. O que os episódios iniciais propõem, entretanto, é desvelar, ainda que brevemente, o universo das bruxas que passam a atormentar Vanessa Ives a mando de Satã. Nisto consiste o tema central desta temporada.

O que The Nightcomers e Evil Spirits in Heavenly Places têm a nos dizer é o tom sobre o qual esta fase da série se alicerçará. Ambos são episódios ousados e acrescentam positivamente uma forte carga dramática à linguagem do terror. Em The Nightcomers temos a grata presença de Patti LuPone que nos leva a imergir em um lado, até entao, oculto do misticismo de Penny Dreadful. Ainda que o fim de Joan Clayton (ou The Cut-Wife, como era conhecida) já estivesse bastante delineado, a maneira com a qual o episódio é conduzido faz com que nos afeiçoemos à personagem, acompanhando-a quase que em câmera lenta até seus últimos momentos. É também neste episódio que nos dá acesso a um breve passado de Evelyn Poole, que, por mais contrastante que seja, é tão interessante quanto do da sua irmã.

Já o episódio mais recente resgata elementos já costumeiros da série e os costura com outras descobertas e cenas mais ágeis. Alguns núcleos distantes até então vão se aproximando, outros seguem numa forte promessa de aproximação. Há ainda o núcleo que segue isoladamente ao longo da temporada e que não apresentam fortes vislumbres de um resgate de interação. É o caso do personagem Dorian Gray. O bon vivant parece ter engatado o romance com Arlequine e, juntos, carregam os momentos românticos da temporada, papel antes desempenhado por Chandler e Brona. A dúvida que paira é quanto à utilidade de Gray na trama. Ainda que difícil de suportar, na primeira temporada, o papel de Carney apresentava um destaque maior e um propósito. O que vemos agora é um personagem raso, deslocado de toda a trama em que a série está inscrita, cuja principal força está envolta no próprio nome que carrega.

Tirando este fato, devemos reconhecer e reverenciar os esforços que John Logan tem feito até agora. Penny Dreadful começa a assumir uma posição de série forte que propõe uma identidade, rompe com antigos modelos e não tem medo de experimentar novos formatos, narrativas e linguagens. A série mostra que o terror não é estático e que ao gênero pode-se acrescer uma série de elementos distantes e diferentes, mas, de maneira alguma, destoantes.

Penny Dreadful 2X03-04: The Nightcomers / Evil Spirits in Heavenly Places (EUA, 2015)
Showrunner: John Logan.
Direção: Brian Kirk, Damon Thomas.
Roteiro: John Logan.
Elenco: Eva Green, Josh Hartnett, Timothy Dalton, Helen McCrory, Reeve Carney, Harry Treadway, Billie Piper e a participação especial de Patti LuPone.
Duração: 50 min/episódio.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.