Crítica | Penny Dreadful – 1X04: Demimonde

estrelas 4

Eis que Penny Dreadful chega ao meio da sua primeira temporada. Conforme havia comentado no texto que escrevi sobre o episódio anterior, Resurrection, a história começa a ter mais clareza. Após os eventos decorridos em Demimonde, é possível, inclusive, propor teorias e previsões acerca do direcionamento que será dado à trama.

O último episódio soube abordar satisfatoriamente todos os núcleos da trama. Sir Malcon revela o remorso que carrega por ter sido um pai negligente e isso reflete na maneira paternal com que se relaciona a Frankenstein. O roteiro aproxima com habilidade Sir Malcon, um homem que se vê o contato com os filhos como uma possibilidade cada vez mais distante, ao universo de Victor Frankenstein, um jovem pesquisador, cujas habilidades e anseios reverberam a marcas da ausência familiar.

Caliban reencontra seu criador e reitera a ameaça já feita. A companheira igualmente imortal exigida pelo sujeito tem que ser bonita. O corte da cena nos faz desconfiar que uma grande candidata ao bisturi de Victor Frankenstein é Brona Croft. A situação atual não parece reservar grandes coisas à vida da moça. As dificuldades financeiras e sociais, atreladas à tuberculose que se agrava a cada instante, corroboram ainda mais para a possibilidade de Brona ser a escolhida.

O episódio cria diálogos entre o horror, o drama e a comédia de maneira não natural que a coexistência dos gêneros passa a ser um dos mais fortes elementos ao retrato da Inglaterra Vitoriana. Neste sentido, uma das personagens mais privilegiadas neste episódio é Brona Croft. É belo, mas triste ver a maneira de como os julgamentos sociais e o peso do mundo incidem sobre a subjetividade da moça, privando-a de ser livre ao seu modo. Croft, sempre acostumada a servir, não sabe como lidar diante da gentileza e cuidado de Chandler.

Muitas considerações também podem ser feitas sobre o americano. Desde a cena em Resurrection, quando controla uma matilha de cães e os impede de atacá-los no zoológico, Ethan indica que guarda mais segredos do que revela. Na cena final, é possível perceber que dentro da blindagem rústica do sulista americano há um desejo de fuga e de desconstrução do seu cotidiano.

Dorian Gray se mostra, como bem escrevera Wilde na história original, mais persuasivo e mais forte. Não somente Vanessa Ives sucumbe-se ao seu poder de sedução, mas também Ethan Chandler. Demimonde funciona como plano de fundo para sondar o íntimo dos personagens e Dorian ganha destaque principal. Uma consideração, entretanto, deve ser feita. Reeve Carney encarna um Dorian Gray muito piegas e é desapontador ver um dos personagens mais complexos da série ser abordado de maneira tão pouco original.

A história também ganha mais corpo sobre o dilema entre a captura de Mina, e a busca das criaturas sobrenaturais a Vanessa Ives. Acredito que a relação entre Mina e Vanessa sera o cerne do próximo episódio, que promete ser um dos mais reveladores da temporada.

Penny Dreadful 1X04: Demimonde (EUA, 2014)
Showrunner:
John Logan.
Direção: Dearbhla Walsh.
Roteiro: John Logan.
Elenco: Eva Green, Josh Hartnett, Timothy Dalton, Harry Treadway, Billie Piper, Reeve Cartney.
Duração: 60 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.