Crítica | Penny Dreadful 2X01: Fresh Hell

Penny Dreadful Fresh Hell

estrelas 4,5

Terminou enfim a espera pelo retorno de Penny Dreadful em sua segunda temporada. A quem vem acompanhando nossas críticas desde o primeiro episódio do ano de estreia da série, devo meus agradecimentos e certeza de que essa troca de ideias é sempre um prazer. A você que acabou de chegar, faço sinceros votos de boas-vindas e recomendo que leia o material produzido sobre a primeira temporada.

O desfecho revelado por Grand Guignol atrelado ao impecável material promocional da nova temporada já apontaram direções para onde a trama poderia seguir. Em seus minutos iniciais, Fresh Hell enfoca uma solitária e Vanessa Ives (Eva Green) caminhando em um dia invernal até que o quadro se desloca e revela a outra personagem então oculta em cena. A aparição de Madame Kali (Helen McCrory), que sabemos tratar do codinome de Evelyn Poole, e os acontecimento que a partir dali se desenvolvem nos indicam sobre o possível conflito principal a ser abordado neste novo momento.

A cara participação de McCrory no ano passado rendeu-lhe não só um lugar entre o elenco principal, mas sobretudo um espaço privilegiado para se provar em cenas complexas. As cenas seguintes nos certificam de que Eva Green não está mais sozinha e disputará os holofotes com uma atriz à altura que, até o momento, nos apresentou uma personagem extremamente forte e cativante.

Este novo núcleo que é construído em torno de Evelyn, apresentam novas personagens. Conhecemos as “filhas” de Poole, cuja aparente semelhança a série sugere ir pouco a pouco desconstruindo. É provável que as novas personagens ganhem um gradativo aprofundamento no decorrer dos episódios, bem aos moldes utilizados pela série em sua primeira temporada.

Este primeiro episódio não traz grandes novidades sobre Sir Malcoln e Ethan Chandler. O primeiro revela certa busca por segurança e busca reatar a boa convivência com a esposa. Quando ao segundo, basta dizer que, dominado pelo medo e a constante insegurança de ser quem é, pensa em deixar Londres  e afastar-se do convívio social.

O outro grande núcleo a que o episódio se dedica é o de Dr. Frankenstein, que, após estreitar as relações com seu “filho” segue nos experimentos com o cadáver de Brona Croft. Fico curioso para saber qual o direcionamento que a série dará para a personagem de Billie Piper. Caliban, que agora atende pelo nome de John Clare, percorre a capital inglesa à procura de emprego e acaba vendo uma oportunidade numa casa de esculturas humanas um tanto bizarra com proprietários que provavelmente não serão tão amistosos quanto aparentaram ser.

A nível de curiosidade: nadica de nada de Dorian Gray (Reeve Carney) por enquanto. Acredito, no entetanto, que o personagem deva reaparecer no desenrolar da trama, infelizmente.

Quando aos aspectos narrativos e técnicos, Penny Dreadful se apresenta ainda mais madura. A qualidade visual e sonora da série segue impecável e apresenta ótimos ganhos estéticos. A composição da cena em que Evelyn se banha em sangue é de encher os olhos. A narrativa se mostra mais eficiente que a utilizada na temporada passada, as cenas de ação são bem construídas por não romperem com o suspense, tampouco caírem na monotonia. John Logan nos presenteia com um primeiro episódio equilibrado que dá pistas de que muita coisa boa ainda está por vir.

Penny Dreadful 2×01: Fresh Hell (EUA, 2015)
Showrunner: John Logan.
Direção:
James Hawes.
Roteiro:
John Logan.
Elenco:
Eva Green, Josh Hartnett, Timothy Dalton, Helen McCrory, Reeve Carney, Harry Treadway, Billie Piper.
Duração: 55 minutos/episódio.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.