Crítica | Penny Dreadful 2X05-06: Above The Vaulted Sky e Glorious Horrors

estrelas 3,5

Já não mais é novidade que a segunda temporada de Penny Dreadful conseguiu, em sua primeira metade, ser menos prolixa e mais eficiente que a primeira, em seus oito episódios. O segundo ano da série britânica vem explorando muito melhor seus personagens, expandindo o universo de microtramas secundárias e aproximando núcleos então distantes. Os dois últimos episódios, cada qual à sua maneira, seguiram juntos no empenho dessas importantes tarefas.

 Above The Vaulted Sky, ainda que denotasse certa inconstância narrativa, foi de grande utilidade para certificar os caminhos por onde caminharão os planos de Evelyn Poole. A dimensão do poder da bruxa se mostra cada vez mais forte. Mais adiante, observamos as novas estratégias de defesa aplicadas por Malcolm, Ethan, Vanessa e Sembene resultante da última invasão à mansão Murray, na mesma medida que Dorian Gray e Arlequine sofrem as dores da descriminação social por assumirem um relacionamento público. A relação entre Lily e John não parece se sustentar e acredito que a felicidade ainda está longe de chegar para o pobre homem, que ainda deverá passar maus bocados ao longo da série.

O grande problema deste quinto episódio de Penny Dreadful mora na fraca abordagem de conteúdo, em mornas estratégias de terror e em uma narrativa fragmentada. É como se estivéssemos diante de um pintor que dá várias pinceladas, mas não apresenta a obra de arte ao fim do trabalho. Talvez o mais emblemático e bem resolvido momento de elo às partes separadas ao longo do episódio todo esteja nos momentos finais. A forte presença da misticidade, mesmo que destoante do restante das cenas, deu o tom que o episódio buscava.

Já em Glorious Horrors, as dinâmicas se mostram um tanto mais amarradas e melhor encaixadas na trama geral. Em sua costumeira busca de confrontar as convenções sociais e mostrar seu poderio diante daqueles que insultaram sua companheira, Dorian Gray resolve oferecer um baile em homenagem a Arlequine. É em torno deste baile que grande parte do episódio estará pautada.

Dentre as tramas paralelas, destaca-se o drama de Ethan Chandler em ter que lidar com sua fera interior. O americano vem sido procurado pela polícia e o único sobrevivente ao atentado das docas oferece grande ameaça à identidade do forasteiro. Ao mesmo tempo, a relação entre John Clare e seus empregadores vai se estreitando e culminando em um desfecho sobre o qual não sou muito otimista.

Com exceção destes momentos pontuais, o restante do episódio segue situado no baile ou nos preparativos para ele. Não há forte traço de elementos de horror neste episódio, tampouco de deixas de mistério. O que Penny Dreadful vem apresentando é uma trama mista em que se alicerça no drama para, então, explorar outros gêneros estilísticos. A grande referência ao gore aparece ao fim do episódio, que nos presenteia com uma bizarra, mas bela estética.

Juntos, os dois episódios não apresentaram ganhos imensos à trama, mas foram bem sucedidos em ampliar o desenvolvimento de alguns personagens e preparar o terreno para maiores conflitos que virão a seguir.

Penny Dreadful 2×05-06: Above The Vaulted Sky e Glorious Horrors (EUA, 2015)
Showrunner: John Logan.
Direção: Damon Thomas, James Hawes.
Roteiro: John Logan.
Elenco: Eva Green, Josh Hartnett, Timothy Dalton, Helen McCrory, Reeve Carney, Harry Treadway, Billie Piper.
Duração: 50 min/episódio.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.