Crítica | Perigo em Alto Mar

Perigo em Alto-Mar é um filme muito tenso, parte do segmento criado por Mar Aberto e outras narrativas sobre pessoas colocadas em situações que testam ao máximo os seus limites. Imagine que você está em viagem e seu barco naufragou. Você está numa boia, na esperança da chegada de um resgate que não foi chamado, pois os equipamentos tecnológicos estão destruídos e a sua silhueta na superfície são chamariz para um apetitoso ataque de tubarão-branco, espécie que sabemos, ataca de baixo para cinema, em direção à superfície. Arrepiante, concorda? Esse é o mote do filme em questão. A pergunta é: será que funciona?

Dirigido por Andrew Traucki, também responsável pelo roteiro, juntamente com James M. Vernon, a aventura com pitadas de suspense tem como ponto de partida a aparentemente divertida jornada de Luke (Damian Walsje-Howling), um jovem que recebe seu amigo Matt (Gyton Grantley) para velejar. O encontro promove a interação com Suzie (Adrienne Pickering), namorada de Matt, além de Kate (Zoe Naylor) e Warren (Kieran Darcy-Smith), amigos adicionais que adentram na embarcação que garante pura diversão.

Os problemas não demoram a aparecer, afinal, o filme trata de pessoas “em perigo”: o barco acidentalmente vai de encontro a um conjunto de rochas e emborca, com uma enorme rachadura que o impede de retornar sem os devidos reparos. Eles estão a 15 quilômetros da costa. O que fazer? É a partir daí que o desespero se instala, pois ao longo dos 94 minutos, os personagens passam mal, discutem entre si, entram em pânico por não saber exatamente o que pode estar por baixo da superfície, mescla de situações que se torna ainda mais aterrorizante depois que um símbolo marco da história do cinema nas últimas quatro décadas surge para arrepiar a espinha de todos: uma barbatana de tubarão-branco enorme, indicativa de um predador que pode ceifá-los à qualquer instante.

Diante da situação exposta, os personagens se encontram com duas opções: nadar em direção ao norte, tendo como meta alcançar a Ilha da Tartaruga, em Queensland, ou então, manter-se fixo à espera de ajuda, com o contratempo da correnteza que arrasta o barco para uma direção oposta, sem rota de aviões ou possibilidade de encontro com alguém que oferte ajuda. Em choque e assustados, eles precisam pensar rápido, principalmente por conta do enorme tubarão branco que os circunda, animal comum nas águas australianas.

Poucos filmes sobre personagens numa situação-limite são bem sucedidos. Alguns acabam sendo pretensiosos, outros chatos demais. As produções que adicionam tubarões a este segmento narrativo são, no geral, curiosas. Águas Rasas e Medo Profundo comprovaram isso, com a possibilidade de apenas um cenário e poucos diálogos, mas Terror Profundo, ao contrário, provou que nem todo mundo sabe trabalhar com este tipo de material.

Perigo em Alto-Mar segue um estilo quase documental, com boa condução musical de Rafael May, direção de fotografia de Daniel Ardilley, responsável pelas ótimas imagens aquáticas e edição de Peter Crombie, membro da equipe técnica que soube a hora certa de “cortar” o que não era essencial. Pontos também para a direção segura de Traucki, já experiente em ataques animais no aterrorizante crocodilo da aventura Medo Profundo, lançada em 2007, com menor visibilidade que o seu suspense com tubarões. E, respondendo ao questionamento do primeiro parágrafo, o argumento funcionou sim, muito bem por sinal.

Perigo em Alto Mar — (The Reef) Austrália, 2010.
Direção: Andrew Traucki
Roteiro: Andrew Traucki, James M. Vernon
Elenco: Damian Walsje-Howling, Gyton Grantley, Adrienne Pickering, Zoe Naylor, Kieran Darcy-Smith
Duração: 95 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.