Crítica | Perigo no Mar (2003)

Perigo no Mar é para o cinema o que um bolo de caixa é para a gastronomia. Trocando em miúdos: enquanto Tubarão, de Spielberg, é um banquete cuidadoso para recepcionar os amigos, Perigo no Mar é um bolo de caixa feito rapidamente, servido com uma cobertura qualquer para inibição do seu sabor industrial. Isso não significa que não seja comestível, afinal, a dieta cinematográfica nem sempre nos traz suntuosos banquetes, mas aos que conhecem bem o subgênero “filmes de tubarões”, saberá exatamente que tipo de produto está consumindo com a produção em questão.

Dirigido por Danny Lerner, também responsável pelo roteiro, escrito em parceria com Sam Parish, o filme segue a trajetória de Jimmy (Dean Cochran), o herói da narrativa. Ele é chefe de segurança de um local repleto de turistas, intitulado Horseneck Beach. Certo dia, ele e seu pai Andrew Wagner (Alan Austin), mergulham juntamente com alguns visitantes que desejam usufruir do ecoturismo como opção de viagem. Um ataque inesperado os toma de assalto e o seu pai morre.

É a partir deste ponto que o roteiro lança a questão: como voltar para mergulhar nas mesmas águas que lhe trazem lembranças tão amargas? Num tom semelhante aos demais filmes com tubarões realizados nas últimas décadas, o protagonistas precisa vencer as memórias trágicas para salvar as pessoas da região, principalmente depois que um russo aventureiro chamado Volkoff (Velizar Binev) chega para estragar as regras de segurança.

Há uma lenda que corre pela região. Segundo a história, uma embarcação espanhola teria naufragado por perto e as pessoas acreditam que há uma carga de diamantes intacta à espera do sortudo que decidir encontra-la. Será que alguém decidirá colocar a vida em risco para achar tais pedras tão preciosas? Tubarão em Veneza, produzido alguns anos depois, vai apostar numa história semelhante. A mesma linha narrativa que une ambas as produções também as aproxima no quesito mediocridade. A vantagem de Perigo no Mar está nos aspectos visuais.

Não é de se esperar muita coisa de filmes com tubarões que apostam na picaretagem. Lançado em 2003, a condução musical de Serge Colbert não traz nada que o edifique, tampouco a edição de Cari Coughlin, repleta de cenas de arquivo com os tubarões. Tudo isso coloca em cheque a direção de fotografia de Emil Topuzov, pois não temos certeza em relação às imagens panorâmicas da região e as cenas subaquáticas, todas muito bem feitas e acima dos padrões para uma produção tão medíocre em termos dramáticos. Se as cenas truncadas são apenas as dos tubarões, o filme merece ao menos um elogio. Caso contrário, com exceção da beleza monumental do protagonista, a produção é lixo tóxico digno de desprezo

Perigo no Mar — (Shark Zone) Estados Unidos, 2003.
Direção: Danny Lerner
Roteiro: Sam Parish, Danny Lerner
Elenco: Dean Cochran, Alan Austin, Luke Leavitt, Velizar Binev, Boiko Boyanov, Brendi Sherwood, Plamen Zahov
Duração: 91 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.