Crítica | Phineas e Ferb: Star Wars

Se o universo oficial de Star Wars é de uma riqueza impressionante, o material que flutua em volta dele tem quase vida própria em um exemplo clássico da arte gerando mais arte. Falo desde material vindo de fãs dedicados, como os clássicos Hardware Wars e TROOPS, só para citar talvez os mais famosos, passando por infinitas citações no cenário pop, até documentários fascinantes como Elstree 1976, chegando a uma galáxia própria de crossovers paródicos com outras queridas propriedades como Vila SésamoMuppet BabiesOs SimpsonsUma Família da Pesada e That 70’s Show.

Em 2014, foi a vez da excelente animação infanto-juvenil da Disney, Phineas e Ferb, já em sua quarta e última temporada, dedicar um episódio especial inteiro a recontar a história de Uma Nova Esperança no estilo de Rosencrantz & Guildenstern Estão Mortose que já havia sido usado nos quadrinhos por Kevin Rubio em Tag & Bink. Em resumo, o episódio inverte a lógica padrão e coloca a história principal do filme original de 1977 em segundo plano, trazendo Phineas (Vincent Martella), Ferb (Thomas Brodie-Sangster), Perry (Dee Bradley Baker), Candace (Ashley Tisdale), Isabella (Alyson Stoner) e, claro, o vilão Dr. Doofenshmirtz (Dan Povenmire), aqui rebatizado de Darthenshmirtz, para o primeiro plano e mola-mestra narrativa.

Assim, todos os personagens clássicos e a sequência de acontecimentos permanecem intactos, mas sempre de maneira secundária. Phineas e Ferb, que, diferente de Luke, adoram Tatooine e não querem jamais sair de seu planeta Natal, acabam se envolvendo no conflito entre as forças do Império depois que Perry, na sequência inicial, rouba os planos da Estrela da Morte em algo como dois minutos (hilário pensar que foram necessárias mais de duas horas para a mesma coisa em Rogue One) e eles caem nas mãos da dupla. A partir daí, tanto os personagens quanto os acontecimentos espelham o que vai acontecendo no filme, com convergências mínimas e muito divertidas, como quando Phineas e Ferb oferecem ajuda a Luke para turbinar seu landspeeder com peças que eles obtiveram na estação Toshi.

Claro que a tropa de roteiristas responsável pelo episódio estendido da série não se limita a parodiar Uma Nova Esperança. Afinal, eles tinham à disposição todos os seis primeiros filmes da franquia e eles são muito felizes em inserir uma avalanche de citações a cada um deles, muito na linha do que a produção da Lego, As Crônicas de Yoda, consegue fazer. Há que se conhecer bem os filmes para poder realmente apreciar cada detalhes, desde citações a nomes, planetas, criatura e eventos das outras obras, até o aparecimento relâmpago de personagens de capítulos seguintes (ou anteriores, dependendo de como você encarar a ordem).

Assim, cada personagem da animação Phineas e Ferb vive ele mesmo, mas inseridos nesse mundo como se fossem döppelgangers dos personagens de Uma Nova Esperança. De certa forma, Phineas é Luke, Ferb é Obi-Wan Kenobi (e, depois, mais para o final, outro personagem…), Isabella é Han Solo, Candace é a Stormtrooper TK-90210 (a participação dela é essencial e na mesma linha do que vemos no desenho do Disney Channel, ou XD) e, finalmente,  Doofenshmirtz é Darth Vader. Cada evento no primeiro plano, por sua vez, emula os do segundo plano ou nós vemos os eventos do segundo plano sob outro ângulo, como no genial momento em que a sequência do compactador de lixo é vista por baixo, no fundo da água onde vive o monstruoso Dianoga.

Se há um momento menos inspirado nesta divertida paródia, este fica com a resolução do plano diabólico de Darthenshmirtz que, claro, envolve um Sithinator, um raio que converte qualquer um em sim, você acertou, Sith. Ao fugir do script, por assim dizer, a história ganha um desvio desnecessário que até diverte, mas é longo demais e, diria, deslocado da proposta. Não é de forma alguma algo que tire o mérito da brincadeira, mas esses minutos a mais poderiam ser limados, o que teria melhorado a cadência no final.

Outro elemento razoavelmente problemático está no uso do CGI. A animação simples, mas clássica de Phineas e Ferb continua presente por todo o episódio e não há nada o que reclamar nesse ponto. O problema vem quando a computação gráfica intrusiva vem para inserir os elementos de Star Wars dentro da história, como as naves, a Estrela da Morte, o Sandcrawler e assim por diante. São sequências que tiram momentaneamente a imersão do espectador, permitindo que ele aponte o “erro”, distraindo-o no processo.

Mesmo com probleminhas aqui e ali, Phineas e Ferb: Star Wars é uma diversão só, por quase uma hora, para quem aprecia Star Wars e uma boa paródia. Um belo crossover que não fica a dever aos vários outros episódios de séries famosas dedicados à franquia que se passa há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante….

Phineas e Ferb: Star Wars (Phineas and Ferb: Star Wars, EUA – 2014)
Direção: Robert Hughes, Sue Perrotto
Roteiro: Kyle Menke, Mike Bell, Michael Diederich, Mike Singleton, Edward Rivera, Patrick O’Connor, Joe Orrantia, Eddie Pittman
Elenco: Vincent Martella, Thomas Brodie-Sangster, Ashley Tisdale, Caroline Rhea, Richard O’Brien, Dan Povenmire, Ella Kennedy, Jeff ‘Swampy’ Marsh, Dee Bradley Baker, John Viener, Maulik Pancholy, Bobby Gaylor, Alyson Stoner
Duração: 51 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.