Crítica | Piranha (1978)

estrelas 3

Depois do tingimento avermelhado nas águas dos mares representados nas telas dos cinemas de todo o mundo com o sucesso estrondoso de Tubarão, em 1978, o cineasta Joe Dante resolveu assumir a direção de Piranha, versão em água doce do filme de Spielberg. Troque o tubarão-branco por piranhas geneticamente modificadas, bem como o mar pela água doce: o resultado será esta divertida aventura com altas doses de horror e humor.

Com a trilha sonora assinada pelo italiano Pino Donaggio, compositor que tentou seguir o ritmo de John Williams, Piranha começa da seguinte forma: dois mochileiros decidem se aventurar numa estação de pesquisa. Ao nadar em um tanque, que na verdade é um criadouro de peixes carnívoros, são atacados e desaparecem. Adiante, a detetive Maggie McNawara inicia uma busca pela região, com ajuda de um morador local, Paul Grogan.

Eles chegam a conclusão de que será necessário esvaziar o tanque para verificar se os corpos estão no local, mas não sabem que estão para liberar um imenso cardume de piranhas geneticamente modificadas para o rio local. Para piorar, elas também podem seguir em direção ao mar, afinal, a modificação em sua estrutura genética lhes permitiu adequar-se a outros ambientes.

O problema é que eles tentam avisar as autoridades, mas as pessoas não acreditam de imediato, ou quando estão cientes, tal como um empresário dono de um parque aquático recém-inaugurado, não dão a mínima, haja a vista os problemas de ordem econômica oriundos da retirada das pessoas do diletantismo nas águas do rio local. A dupla de roteiristas, ciente da fórmula textual de Tubarão, resolveu seguir à risca a estrutura. No final das contas, deu muito certo.

Para dar um ar de prestígio ao filme, os veteranos Kevin McCarthy e Barbara Steele fazem uma participação, mas nada que eleve o filme ao status de grande produção. No fim das contas, Piranha é interessante porque desde o início assume-se como uma paródia, sem se deixar levar muito á sério, o que para nós soa como respeito, não como afronta.

No que diz respeito aos meandros da indústria cinematográfica, rendeu muito bem, ganhou uma continuação comandada pelo ainda incipiente James Cameron e refilmagens nos anos 1990 e 2000. Revelou Rob Bottin, profissional do campo dos efeitos especiais que mais adiante trabalhou em O Enigma do Outro Mundo e Robocop. Diante destas informações, talvez Steven Spielberg esteja certo ao afirmar que Piranha é um dos melhores exploradores do sucesso de Tubarão.

Seguindo a cartilha dos filmes B, o filme tem todos as características necessárias para tal classificação: efeitos toscos, desempenhos dramáticos questionáveis, oportunismo temático, sangue em profusão e muitas cenas grotescas que beiram ao risível. Com orçamento de U$ 800 mil e produção realizada num total de 21 dias, Piranha tinha tudo para ser um fracasso, mas ao contrário, “vingou” na indústria e no imaginário cult.

Piranha (Piranha) – EUA, 1978
Direção: Joe Dante
Roteiro: Richard Robinson, John Sayles
Elenco: Bradford Dillman, Heather Menzies-Urich, Kevin McCarthy, Belinda Balask, Barbara Steele, Bruce Gordon, Barry Brown, Paul Bartel
Duração: 94 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.