Crítica | Piranha 2 (2012)

estrelas 0,5

Como parte do vasto catálogo de filmes B, que vão desde ficções científicas dos anos 1950/60, até os hilários e inusitados Sharknado, a franquia Piranha já nasceu com o intuito de meramente divertir o espectador, surfando no hype de Tubarão. Depois de ter completamente esquecido da existência do remakePiranha 3D, redescobri a obra através de um gif específico, no qual uma pobre coitada é cortada ao meio. Curioso para descobrir como raios uma piranha conseguiu fazer aquilo, decidi assistir o filme, que provou ser perfeito para nossa coluna Sábado de Sangue. Tendo me divertido horrores, logo imaginei que Piranha 2 (desperdício do ótimo e completamente sem sentido título original, Piranha 3DD) seguiria pelo mesmo caminho. Infelizmente, a sequência é um poço de oportunidades perdidas, que joga fora todo o “brilho” de seu antecessor.

Alguns anos se passaram desde a chacina no lago Victória e, agora, o foco muda para uma outra cidade, também à beira de um lago, na qual um parque aquático está prestes a ser reaberto. A dúvida inicial do espectador é a de como as piranhas pré-históricas do longa anterior conseguirão chegar até ali, questionamento esse que começa a ser respondido quando um dos peixes adentra uma jovem incauta pelas suas partes baixas. Patrick Melton, Marcus Dunstan e Joel Soisson, porém, perdem a oportunidade de ouro de fazer esse novo cardume eclodir do interior da pobre vítima e nos oferece uma solução para lá de conveniente, que soa como uma desculpa não criativa para a existência desse segundo filme.

Naturalmente que, já presentes nos arredores da cidade, as máquinas de matar conseguem chegar até o parque aquático. Cabe, então, à Maddy (Danielle Panabaker), cujo padrasto, Chet (David Koechner), é o dono do local, descobrir uma forma de impedir que esses terrores pré-históricos devorem todos os presentes no parque aquático.

Piranha 2 dispensa grande parte do gore que dominara a cena em Piranha 3D. Apesar de aparecer ocasionalmente, especialmente em segundo plano, as vísceras e pessoas brutalmente mortas não tomam conta da imagem. Dito isso, as criativas mortes que vimos no longa anterior não aparecem aqui, tirando uma das fontes de humor (negro) que faziam do primeiro filme uma experiência tão divertida. No lugar disso, temos algumas piadinhas sem graça e a utilização de David Hasselhoff, o qual consegue nos divertir em determinados momentos, mas não consegue nos engajar por tanto tempo assim.

Curiosamente, os personagens de Piranha 3D já não eram os mais inteligentes da Terra, mas um novo recorde é estabelecido nessa continuação, na qual todos, sem exceção, parecem ter deixado o cérebro para lavar. Chega ao ponto que até mesmo a protagonista sobrevive por mera sorte, se arriscando sucessivamente da maneira mais estúpida possível. Além disso, é preciso ressaltar como a obra desperdiça inúmeros de seus personagens, como o de Ving Rhames, que surge do nada apenas para uma ponta, que parece ter sido tirada de Planeta Terror. Isso tudo sem falar, claro, nas atuações risíveis, completamente ausentes de emoção, que preenchem a narrativa.

Piranha 2, portanto, mais do que joga fora todas as oportunidades de ouro que poderiam ser utilizadas para compor um memorável filme B. Essa nova chacina no parque aquático não chega aos pés do que vimos no lago Victória do primeiro longa, obra que sabia transformar o gore em uma bela fonte de humor. O que temos aqui é uma história genérica, que não consegue prender o espectador, sendo facilmente esquecida e nem um pouco aproveitada.

Piranha 2 (Piranha 3DD) — EUA, 2012
Direção:
 John Gulager
Roteiro: Patrick Melton, Marcus Dunstan, Joel Soisson
Elenco: Danielle Panabaker, Ving Rhames, David Hasselhoff, Matt Bush, Katrina Bowden, Jean-Luc Bilodeau, David Koechner, Christopher Lloyd
Duração: 83 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.