Crítica | Pistoleiros do Entardecer

PISTOLEIROS DO ENTARDECER PLANO CRITICO

estrelas 4

Filmado em 26 dias, com apenas 4 de atraso no cronograma devido a complicações climáticas, este segundo filme de Sam Peckinpah é em tudo diferente de sua estranha estreia em Parceiros da Morte (1961). Tendo liberdade para reescrever algumas cenas e mesmo mudar o destino de alguns personagens, como de fato o fez aqui em relação aos protagonistas, o diretor se viu em uma seara confortável para mostrar o quão impiedoso, violento e às vezes redentor pode ser o trajeto pelas altas montanhas do Oeste, principalmente se houver ouro envolvido.

Pistoleiros do Entardecer foi o segundo de dois filmes que o roteirista N.B. Stone Jr. escreveu para o cinema. Toda a sua experiência foi erguida na televisão e seguiria assim até sua morte. Em um primeiro momento, essa herança televisiva poderia ser algo negativo para um roteiro cinematográfico, talvez muito “contaminado” pela linha episódica de eventos ou mesmo pela profusão de histórias, mas nada disso acontece aqui. O texto avança bem durante quase todo o filme e tem um número correto de coadjuvantes e eventos dramáticos para cada parada do grupo formado pelos gigantes Randolph Scott (que depois de ver o final do filme resolveu se aposentar, pois via ali uma saída perfeita para ele) e Joel McCrea (que também tomou a decisão de se aposentar após este filme, mas ainda faria 4 participações especiais antes de sair de vez das telas), acompanhados do jovem Ron Starr.

Do momento inicial, na apresentação dos personagens, até a saída do trio para ir buscar ouro para um banco, o roteiro ainda não mostra a que veio. Nem a direção de Sam Peckinpah, que não parece confortável com os espaços mais fechados e pouca disponibilidade de ação. Ainda assim falamos de um bom começo e, sem demorar muito para apresentar as intenções dos personagens e parte de seu caráter, passamos a acompanhar a longa cavalgada a que o título original do filme se refere, caindo em uma trilha comum para os westerns de dinâmica pendular, ou seja, saída de personagens de uma cidade para fazer algo fora dela e então, voltar para o mesmo ponto de partida.

Após as primeiras cenas nas montanhas notamos o quanto Peckinpah gostava de espaços abertos e sabia inovar e compor seus “estranhos planos” em tiroteios e fugas. Na narrativa, permanecem as reflexões sobre o caráter humano, o exercício e sofrimento da violência — já esperada no Velho Oeste, mas com o impiedoso estilo de Peckinpah — e as incômodas tentativas de estupro que notamos em quase todos os filmes do diretor. Há também um elemento nostálgico aqui, perpetrado pela história de dois amigos que se reúnem após muitos anos separados e a mudança de valores pelas quais os dois passam (ou não) ao longo deste período, sem nunca perderem de vista a amizade, ao menos no sentido emergencial e final da palavra. Como uma “lealdade do desespero”.

Os coadjuvantes do segundo ato funcionam de maneira redonda no roteiro, servindo até para manter a reta final do filme interessante e com surpresas, o que não é algo fácil de se fazer, especialmente em um western, após os seus elementos basilares serem apresentados. O casamento de Elsa (Mariette Hartley) e a posterior contenda com os irmãos da família Hammond recebem a devida atenção do diretor e isso se estendem até o clímax do filme, que acontece com esplendor de toda a equipe técnica.

Em Pistoleiros do Entardecer já se podem ver os ingredientes da obsessão pelo massacre que o diretor plasmaria de maneira perfeita em Meu Ódio Será Sua Herança (1969) e Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (1974). Mas não estamos falando de um precursor do tipo “ensaio descuidado”. Sam Peckinpah não estava no cinema para falar de coisas bonitas. Desde que estabeleceu o seu controle final sobre o roteiro, logo após o seu primeiro filme, isso ficou bastante claro. Pistoleiros do Entardecer é o primeiro grande exemplo disso.

Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country) — EUA, 1962
Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: N.B. Stone Jr.
Elenco: Randolph Scott, Joel McCrea, Mariette Hartley, Ron Starr, Edgar Buchanan, R.G. Armstrong, Jenie Jackson, James Drury, L.Q. Jones, John Anderson, John Davis Chandler, Warren Oates
Duração: 94 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.