Crítica | Planeta dos Macacos: O Confronto – Prelúdio do Filme

estrelas 2,5

Apesar de a BOOM! Studios ter adquirido a licença para adaptar a franquia Planeta dos Macacos em quadrinhos em 2011, ano de lançamento de Planeta dos Macacos: A Origem, segundo reboot da série cinematográfica, a editora focou seus trabalhos nos filmes clássicos, com a mensal Planeta dos Macacos e, depois, com minisséries. A primeira vez que a linha temporal da nova versão dos filmes dos símios ganhou o tratamento em quadrinhos foi no ano de lançamento de Planeta dos Macacos: O Confronto, na forma de uma minissérie em seis edições que faz a ponte entre ele e A Origem, assim como mais indiretamente acontece com os curtas produzidos pela Fox e Vice.

Por ser uma ponte entre filmes, a HQ automaticamente já parte de uma premissa restritiva e, nesse contexto, o roteiro de Michael Moreci nos apresenta a duas linhas narrativas que jamais se cruzam: a primeira envolve uma tentativa de golpe de estado pelo gorila Pope, que arregimenta símios não evoluídos para lutar contra Caesar e, a outra, nos apresenta a Malcolm e seu filho Alex, dois dos mais importantes personagens humanos de O Confronto, tentando sobreviver depois que Malcolm descobre que Rita, sua esposa, contraiu a doença . Toda a ação se passa dois anos depois do início da Febre Símia e oito anos antes dos eventos do segundo filme, garantindo a distância necessária entre as fitas para evitar qualquer tipo de “contaminação”.

No lado símio, Pope é um personagem novo, o que automaticamente já canta a pedra sobre seu destinho. E sua narrativa é extremamente confusa, primeiro com ele saindo em missão para Caesar e, depois, rebelando-se, com Koba, em seguida, tendo que lidar com a questão pessoalmente. Com isso, o líder dos símios torna-se coadjuvante na história e o conflito que se estabelece é entre os dois brutamontes com marcas corporais de tortura: Koba tem uma cicatriz no rosto e não tem um olho e Pope tem marcas de queimadura no lado esquerdo do corpo, ambos em razão de experimentações e maus-tratos pelo humanos. O problema, nesse lado da HQ, é que falta fluidez à narrativa e pouco conseguimos simpatizar com o conflito estabelecido. Não ajuda em nada a escolha de Moreci de intercalar a história símia com a humana, mudando de uma para outra a cada duas ou três páginas.

Do lado humano, Malcolm, que logo na primeira página demonstra sua preocupação em gerar energia elétrica – elemento catalisador dos eventos de O Confronto -, tem que lidar com traficantes de humanos, sendo ajudado por um grupo de benfeitores liderado por Shavers. O paralelismo das duas narrativas é óbvio e bem vindo: o pior inimigo do homem é o homem e o do símio é o símio. Em outras palavras, as duas espécies não são tão diferentes assim. No entanto, há pouco material para que a história humana realmente decole, o que acaba tornando Malcolm um personagem repetitivo em sua busca de uma cura para sua esposa.

A escolha de jamais fazer as histórias convergirem faz sentido em relação ao filme que a minissérie preludia, mas o artifício acaba tornado-se falho para fins de uma história ritmada e fechada. Ainda que Malcolm não pudesse realmente encontrar-se com Caesar, nada impediria que ele cruzasse o caminho de Pope e seu grupo, já que eles não existem no filme. Isso teria trazido mais unicidade narrativa, indo além do mero paralelismo das duas histórias.

A arte ficou ao encargo de Dan McDaid, que tem um estilo muito próprio ao desenhar personagens de certa forma “inacabados”, sem muitos detalhes faciais e corporais. Isso funciona bem no lado humano e também no que se refere aos dois símios principais, Koba e Pope, mas, no lado símio, há ainda outros primatas e todos se parecem demais uns com os outros como resultado da arte, o que acrescenta à confusão causada pelo roteiro de Moreci.

No final das contas, o prelúdio de O Confronto não consegue ser mais do que apenas mediano, não acrescentando nada de efetivamente útil ao filme. Não é uma história ruim, mas, especialmente se lembrarmos dos ótimos trabalhos da editora no universo símio, notaremos que ela é bastante descartável. Mas, é aquilo: nem sempre dá para acertar no alvo.

Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes, EUA – 2014/15)
Contendo:
Dawn of the Planet of the Apes #1 a 6
Roteiro: Michael Moreci
Arte: Dan McDaid
Arte-final: Adam Gorham
Cores: Jason Wordie
Letras: Ed Dukeshire
Capas: Jay Shaw
Editora original: BOOM! Studios
Data original de publicação: novembro de 2014 a abril de 2015
Editora no Brasil: não publicado na data de publicação da presente crítica
Páginas: 162 (encadernado com galeria de capas alternativas)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.