Crítica | Plastic Galaxy: The Story of Star Wars Toys

estrelas 3

Se você, leitor, é do sexo masculino, existe uma boa probabilidade de já ter comprado “bonequinhos”, digo… “”figuras de ação” de Star Wars ou de já ter brincado com eles ou, no mínimo, cobiçado-os. Não que as leitoras também não possam ser apreciadoras e colecionadoras desses brinquedos, aham, peças de colecionador, mas, estatisticamente, é menos provável.

De toda forma, Star Wars tornou-se a febre mundial que até hoje é, com seus altos e baixos, não só em função dos filmes, mas também em razão de um brilhante estalo de George Lucas, ao negociar com a Fox a exclusão dos direitos de merchandising do contrato que originou o filme que depois ganharia os subtítulos Episódio IV: Uma Nova Esperança. É que, na década de 70, era incomum a exploração maciça de obras cinematográficas com produtos derivados, como brinquedos, jogos, quadrinhos e livros. Eles existiam, claro – e a franquia Planeta dos Macacos, também, da Fox, foi uma das precursoras -, mas não na escala assombrosa que Star Wars provaria possível.

Acontece que nem mesmo George Lucas fazia ideia do alcance de seu filme e dos produtos derivados. Era, apenas, uma aposta em uma fonte de renda extra que acabou tomando de assalto a então independente produtora e tornou-se, da noite para o dia, possivelmente mais rentável que os próprios filmes, iniciando um frenesi de compras e de colecionismo que perdura até hoje em dia.

Plastic Galaxy: The Story of Star Wars Toys (em tradução livre: Galáxia de Plástico: A História dos Brinquedos de Star Wars) é um pequeno documentário independente que aborda justamente esse começo, contando um pouco da cativante história que gerou essa febre aparentemente incurável por brinquedos da franquia. Por meio de depoimentos de colecionadores fanáticos (não entendam o uso deste adjetivo como pejorativo, pois é apenas uma forma de classificar os colecionadores comuns – como este crítico – que se contentam com uma fração modesta do que é lançado no mercado e os colecionadores que vão muito além do disponível por aí, que correm atrás dos protótipos descartados pela fabricante original) e de ex-funcionários da Kenner, primeira licenciada de brinquedos da LucasFilm.

Enquanto é fascinante ver até que ponto vai o colecionismo de alguns depoentes, sem dúvida os melhores momentos do breve documentário é ouvir dos antigos funcionários da Kenner como os tais “bonequinhos” vieram à luz. Afinal, se nem Lucas tinha ideia do poderio de sua franquia, como a empresa licenciada poderia ter alguma chance de captar com antecedência a explosão consumista que Star Wars geraria? Assim, no início, a ideia era lançar “alguns” brinquedos no ano seguinte do lançamento do filme, uma estratégia comumente adotada pela Kenner em situações semelhantes.

Quando, porém, a estreia aconteceu e o potencial foi verificado, instalou-se uma literal correria para se fazer o máximo possível no menor tempo disponível. Não é à toa que os brinquedos originais sofreram em qualidade, pois entraram em produção à toque de caixa, para atender uma demanda impossível de ser suprida.

Com o Natal de 1977 se aproximando, porém, a Kenner e a LucasFilm precisavam fazer alguma coisa. Era o momento do “ou vai ou  racha” e um brilhante funcionário da primeira empresa teve então uma ideia digna de ser execrada em circunstâncias normais, mas que foi abraçada de coração por todos os envolvidos: os míticos “vale-brinquedos”. Sim, a Kenner começou a oferecer nas lojas meros papelões com o desenho dos seis primeiros bonecos da linha Star Wars, com a promessa de que os enviaria algum tempo depois. Naquele ano, o Papai Noel deixou muitos papelões (dioramas é o nome “bonito” disso) coloridos como “vale-compra” nas meias das crianças dos Estados Unidos. E a estratégia mais do que funcionou, ao ponto de meramente esses pedaços de papel serem cobiçados por colecionadores décadas depois.

Mas a história da Kenner, contada pelos ex-funcionários vai além e aborda também as dificuldades da empresa em suprir a demanda também em relação ao filme posterior, o Episódio V, normalizando-a, apenas, com o Episódio VI, seis anos após o “vale-brinquedo”. São entrevistas realmente fascinantes.

No entanto, o documentário é simplório e não vai muito além disso, não explora em detalhes a questão contratual entre a LucasFilm e a Fox e não traz números para ilustrar o tamanho das vendas, com projeções de faturamento. Brian Stillman, diretor e roteirista, contentou-se em contar uma história pouco conhecida apenas como anedotas reunidas em um documentário que diverte e, claro, foca na nostalgia e no colecionador de tudo da franquia. Ao não ousar, ao não consubstanciar seu trabalho com mais dados e entrevistas talvez com psicólogos, publicitários e players da indústria do entretenimento da época, Stillman reduz o escopo do que poderia ser um filme mais poderoso do que é.

Do jeito que ficou, trata-se de uma história apenas simpática para os não-colecionadores, que, porém, não vai além do básico. A Força estava com Stillman, mas não permaneceu por lá o tempo todo…

Plastic Galaxy: The Story of Star Wars Toys (EUA, 2014)
Direção: Brian Stillman
Roteiro: Brian Stillman
Com: Tom Beaumont, Tom Berges, John Booth, John Cook, Chris Fawcett, Steve Fink, David Gaule, Chris Georgoulias, Aaron Kleinman, Jacob Kleinman, Steve Sansweet
Duração: 68 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.