Crítica | Pokemon Stadium e Pokemon Stadium 2

estrelas 4

Pokemon pode ser resumido em três verbos: colecionar, trocar e batalhar. Se os rpgs clássicos de game boy trouxeram os três amarrados na tradicional jornada pokemon em um continente desconhecido, Stadium, nos seus dois jogos, focou exclusivamente nos duelos. Ainda que em turnos com cada pokemon tendo quatro golpes, como sempre aconteceu nos consoles portáteis, trata-se de um game de luta e estratégia que possibilita o máximo, à época de seu lançamento, de estudo possível sobre escolhas e técnicas. E até hoje, certamente, a diversão é garantida.

Faltando alguns meses para o lançamento de Pokken Tournament, o game que promete misturar Street Fighter com Pokemon, pouco se lembra que a batalha pokemon roots, foi realizada ainda em cartuchos, com controles coloridos e contra líderes de ginásio “reais”. Pokemon Stadium, e quando falo dele incluo sua continuação, possibilitava um modo single player desafiador e viciante, seja entrando nos diversos torneios divididos por nível, seja passando por cada líder de ginásio de Kanto – ou Johto – no Gym Leader Castle. A questão é que o jogo não se resume no aluguel dos pokemons com golpes pré-determinados no game.

Se você possuir um transfer pak, será possível conectar qualquer uma das três primeiras versões com o game, o que permite transferir os seus próprios pokemons para as batalhas no 64, além de ajudar a completar os 150 pokemons do rpg ou jogar a própria versão colorida na telona, algo que explodiu a cabeça deste que vos fala há 16 anos. Com essa tecnologia que hoje é risível, Stadium, tanto o primeiro quanto o segundo, tornaram-se expansões muitíssimo bem-vindas dos principais games da série, com mais desafios single-player e divertidas batalhar multiplayer sem a necessidade de cabos gamelink.

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Menus práticos e fáceis de navegar dão aos dois jogos Stadium uma fluidez muito mais agradável do que o rpg possuía. Fazer sua jornada em uma velocidade mais rápida, sem depender de pilhas e em uma telona que não sofre com o reflexo do sol, é como reviver sua infância, muito mais plenamente do que nas ótimas versões Firered e Leafgreen, remakes dos primeiros games.

Do jogo em si, sem história, sem reviravoltas e sem novidades técnicas marcantes para a época, o que se pode ressaltar são os gráficos, tipicamente excelentes para o Nintendo 64. É engraçado ver como X e Y trouxeram visuais tão aclamados, mas na hora das batalhas, assemelham-se muito aos games aqui criticados. O framerate de Stadium é muito bom, as animações dos pokemons, para a época, são de impressionar, assim como os golpes e a sonoplastia deles. Já o som típico de cada pokemons é esquecível, assim como a ambientação trazida por pobres arenas sem vida, o que faz o jogo passar uma sensação de vazio que, combinada com pokemons sem a devida customização, conseguirá cansar o mais fanático dos fãs.

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Uma das áreas mais memoráveis, principalmente para aqueles que nem familiarizados eram com a franquia, é a de mini-games ao estilo Mario Party. São nove no primeiro e dez no segundo, responsáveis por disputas tão ou mais acirradas do que as batalhas em si. Metapods e Kakunas nunca foram tão divertidos, Licktungs nunca foram tão ágeis e Sandshrews nunca cavaram tão rápido. Mr. Mimes foram descobertos como ótimos goleiros, assim como Chanseys. E o que dizer daquela arena de beyblade com Hitmontops, mais divertida do que as próprias beyblades jamais foram? Colocar uma seção juvenil como essa foi um acerto em cheio da Nintendo.

Ambos os jogos são robustos, no sentido de oferecerem poucas e precisas coisas, ainda que com novidades tecnológicas que impressionavam na época e até hoje conseguem empolgar os mais saudosistas. Stadium 1 e 2 serão deleites para os fãs, principalmente se haver alguém para jogar em conjunto como havia, certamente, há quase vinte anos, em meio a pokefebre. Hoje, os mini-games dão conta da diversão simples para quem quer matar saudade. Com paciência, os torneios ou a jornada contra os líderes de ginásio tomam uma constante gravidade na dificuldade e também podem valer a visita. Stadium não é um game perfeito, mas é muito bom para seu tempo e consegue se manter no topo da estante de games que todo fã deve ter, além de ser acessível para quem nunca sequer ouviu falar dos monstros de bolso.

E a fita de Stadium 2 é uma obra-prima por si só.

Pokemon Stadium e Pokemon Stadium 2
Desenvolvedor:
HAL Laboratory
Lançamento: 6 de março de 2000 e 26 de março de 2001
Gênero: Luta
Disponível para: Nintendo 64

ANTHONIO DELBON . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.