Crítica | Poltergeist III: O Capítulo Final

estrelas 1,5

O aspecto mais aterrador da segunda continuação do clássico oitentista Poltergeist – O Fenômeno, é, sem dúvida alguma, que o nome Carol Anne é chamado (ou melhor, berrado) nada menos do que 121 vezes ao longo de 98 minutos de projeção. Pensem nisso: mais de uma vez por minuto…

Carol Anne, claro, é o nome da famosa menina loira, protagonista dos três filmes da trilogia, vivida por Heather O’Rourke, que faleceu intempestivamente meses antes da estreia de O Capítulo Final, adicionando mais lenha na fogueira da folclórica e “assombrada” produção original de 1982. E o berreiro por “Carol Anne, Carol Anne, Carol Anne” com certeza levará o espectador pelo menos um passo mais próximo da insanidade, nem que seja momentânea.

E essa repetição é apenas o mais saliente problema de Poltergeist III, que transfere a ação do subúrbio dos dois primeiros filmes para Chicago, em uma conveniente estrutura única que alberga o apartamento da tia de Carol Anne, Patricia (Nancy Allen, a parceira de Alex Murphy nos três Robocop), casada há pouco tempo com Bruce (Tom Skerrit) que, por sua vez, tem uma filha adolescente do casamento anterior, Donna (a bela Lara Flynn Boyle) e também o trabalho dos dois adultos, um shopping center e tudo mais que a produção precisava para confinar a narrativa a um só lugar. Em outras palavras, o roteiro de Gary Sherman (também diretor) e Brian Taggert muda o cenário do subúrbio para um centro urbano somente para tratar o centro urbano como um subúrbio. Realmente inexplicável.

Mas mais inexplicável ainda é o artifício usado no roteiro para que o passado fantasmagórico de Carol Anne (sim, repetirei esse nome 121 vezes até o final…) simplesmente seja ignorado. Eles tratam a menina como uma geninha (apesar de nada indicar isso que não seja o texto expositivo) que precisa estudar em uma escola para jovens com altíssimo Q.I. e, lá, ela recebe tratamento psiquiátrico de um médico que insiste que nada aconteceu com a jovem, já que, o que ela tem, é a habilidade – completamente tirada do chapéu, vale dizer – de fazer hipnose em massa. É isso mesmo, caros leitores, Sherman e Taggert chamam seus espectadores de completos tapados ao pedirem que acreditemos em uma invencionice dessas que não se sustenta nem com uma dose cavalar de  suspensão de descrença.

A grande vantagem da fita, porém, é que ela não se perde em enrolações e parte direto para a ação, com a volta do Reverendo Kane (Nathan Davis) para atazanar a vida de Carol Anne. Logo, todo o prédio é engolfado em situações sinistras que exigem a presença da médium Tangina (Zelda Rubinstein) novamente. O que era novidade no primeiro filme e mera repetição no segundo descamba para o pastiche no terceiro, com Rubinstein fazendo uma caricatura de si mesma em um roteiro que não consegue achar função nem para ela e nem mesmo para O’Rourke.

Nem mesmo os efeitos especiais funcionam em Poltergeist III. O orçamento foi reduzido para a continuação e isso é visível no resultado final, ainda que Sherman e sua equipe mereçam até aplausos por terem trabalhado quase que exclusivamente com efeitos práticos feitos em câmera, ou seja, sem inserções posteriores por intermédio do chroma key rudimentar da época. Mas muito do que vemos é composto quase que unicamente de luzes e fumaça e, ainda que em determinados momentos seja possível ver lampejos do que poderia ter sido, em geral a falta de dinheiro é sentida a cada instante.

Se fosse um filme para TV, Poltergeist III poderia ser perdoado ao menos em parte. Contudo, não foi esse o caso e a terceira aventura da amaldiçoada Carol Anne no mundo dos fantasmas maus empalidece diante de seus antecessores.

Quantas vezes eu escrevi Carol Anne? Contando com essa, foram onze. Faltaram 110. Mas pelo menos eu tentei…

Poltergeist III: O Capítulo Final (Poltergeist III, EUA – 1988)
Direção: Gary Sherman
Roteiro: Brian Taggert, Gary Sherman
Elenco: Tom Skerritt, Nancy Allen, Heather O’Rourke, Zelda Rubinstein, Lara Flynn Boyle, Kipley Wentz, Richard Fire, Nathan Davis
Duração: 98 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.