Crítica | Porto (1948)

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estrelas 3

Em seu quinto longa-metragem, Ingmar Bergman aproveitou-se de um bom roteiro, entregue a ele no final das filmagens de Música na Noite e realizou uma obra bem diferente das que havia feito até então. Essa quebra formal se dá principalmente na predominância das filmagens fora do estúdio — embora não fosse novidade para o diretor, que já em Um Barco para a Índia tinha experimentado um bom número de tomadas externas — e na aproximação declarada com o neorrealismo italiano, especialmente na inspiração psicológico-social de Roberto Rossellini, se bem que, em termos de referências cinematográficas, Porto está mais para os filmes de Vittorio De Sica. Bergman mostrava que não tinha medo de experimentar ou testar novas formas de expor a sua arte.

A história de Porto, apesar de o roteiro de ser assinado por Olle Länsberg, é muito parecida com as histórias familiares que Bergman escreveria e dirigiria alguns anos mais tarde. Aqui, bem diferente do romance social explorado em Chove Sobre Nosso Amor, temos uma realidade menos apaixonada e mais impessoal no que se refere ao caráter e relação entre as personagens. O amor depende de alguns fatores sociais e só é concretizado quando o casal Gösta e Berit resolve enfrentar os obstáculos impostos pelo sistema.

A trama de desenvolve de forma limpa e bem dirigida, mas Porto não é um grande filme. Não por ser o “elefante branco” na filmografia de Bergman ou por ter alguns momentos de atuações canastronas e música exageradamente dramática (uma composição quase wagneriana de Erland Von Koch, em sua quinta – e penúltima – parceria com Bergman), mas porque em sua fase final, a película perde força e dá lugar a um encerramento muito rápido dos acontecimentos. Além disso, não existe um trabalho satisfatório sobre questões sociais. Bergman optou por focar o indivíduo em detrimento do grupo de atores da fábrica ou do cais, uma opção existencial que seria perfeita se a obra não evocasse a escola que pregava um “cinema social”.

A fotografia de Gunnar Fischer é, curiosamente, de tendência expressionista na maior parte do tempo, priorizando o contraste dos ambientes. Por outras vezes, o fotógrafo assume uma levada naturalista, seguindo a cartilha do neorrealismo. Interessante também é a montagem de Oscar Rosander, que nos apresenta de maneira muito dinâmica a ligação entre os planos e dá um bom ritmo à história, fazendo impasses individuais e de conjunto se cruzarem de maneira simples, mas com significados notáveis.

Porto não é uma obra-prima do cinema de Ingmar Bergman, mas é uma interessante passagem do diretor pelo neorrealismo em um tempo em que ele ainda não tinha muita certeza sobre qual o caminho mais confortável para se tornar ele mesmo. Demoraria mais um ou dois filmes para que ele chegasse a um consenso em relação às abordagens. Daí para frente, o cinema sueco se transformaria para sempre, tendo o diretor como um de seus grandes transformadores. 

Porto (Hamnstad, Suécia, 1948)
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman e Olle Länsberg
Elenco: Nine-Christine Jönsson, Bengt Eklund, Mimi Nelson, Berta Hall, Birgitta Valberg, Sif Ruud, Britta Billsten, Harry Ahlin, Nils Hallberg, Sven-Eric Gamble
Duração: 100 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.