Crítica | Powerless – 1X01: Wayne or Lose

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estrelas 2

A coisa de maior destaque na qual Ben Queen, o criador de Powerless, já esteve envolvido foi Carros 2 (2011), formando o time de roteiristas. Afeito a enredos cômicos, o produtor e escritor resolveu dar a sua contribuição para o filão hoje bem gordo de produções televisivas que abordam o mundo dos super heróis.

Powerless é a primeira série de comédia dentro do Universo DC e basicamente acompanha as aventuras e desventuras de Emily Locke (Vanessa Hudgens, alegre demais, bobinha demais, motivadora demais, canastrona demais), que neste episódio chega a Charm City para assumir o cargo de Diretora de Pesquisa & Desenvolvimento da Wayne Security (uma subsidiária da Wayne Enterprises), empresa destinada a criar produtos, ou “fabricar pequenos poderes” para pessoas se defenderem de vilões. Coisas como o antídoto para o gás do riso do Coringa ou o detector de cheiro para o vilão Jack-O-Lantern (criado em 1977, na Super Friends #8) aparecem no episódio e nos dão uma noção dos gadgets ridículos que ainda podem aparecer ao longo da temporada.

Para dizer a verdade, o começo do Piloto é estranhamente bonzinho. A chegada de Emily a Charm City tem sua graça, pois não diferencia o “mundo normal” do “mundo heroico e vilanesco”, é tudo uma coisa só. Na verdade, os habitantes dessa chamada Terra-P (Charm City não existe dos quadrinhos da DC, é uma nova adição a este Universo) estão cansados de vilões destruindo a cidade, quebrando trilhos, derrubando coisas. Tão cansados, que não se importam mais com o que está acontecendo. De uma estranha maneira (e que os deuses da 9ª Arte me perdoem por esta heresia), me lembrou Astro City.

O oposto de toda a alegria de vida expressada por Emily está no personagem de Alan Tudyk, Van Wayne, o primo sem-noção de Bruce Wayne, criado por Bill Finger e Sheldon Moldof na Batman #148 (junho de 1962). O personagem tem o sonho de trabalhar na empresa principal do primo rico e acha que apenas uma grande ideia da Wayne Security pode chamar a atenção para ele. Ocorre que Van Wayne é incompetente e não dá a mínima para o seu trabalho, o que torna essa ascensão profissional mais difícil. Ele é ao mesmo tempo simpático e desprezível.

Assim como em outras séries de super-heróis do Universo DC (The Flash, Supergirl, Legends Of Tomorrow Arrow), a linha de efeito “time unido”, a exposição de um elemento nerd — possivelmente cômico — e uma clara diferença narrativa na abordagem entre mocinhos e vilões (por isso deixei Gotham de lado, dada a linha tênue ou praticamente inexistente nesse aspecto) logo são percebidas. Daí em diante, a óbvia fórmula começa a incomodar. Sustentando cada uma dessas colunas recorrentes, temos Teddy (Danny Pudi), Jackie (Christina Kirk) e Ron (Ron Funches), com suas distintas personalidades, cargos diferentes e iniciais impasses para Emily, que quer fazer um bom trabalho na empresa, mas encontra resistência interna, até que… bem, vocês já viram esse “filme” antes e certamente sabem o que acontece a seguir…

Com cenas risíveis de CGI e com um roteiro de apresentação bastante desanimador, Powerless precisa de muita coisa para se sustentar e ser renovada. Mesmo as séries ruins da CW tiveram um começo forte pelo tipo de heróis e vilões que representavam. No presente caso, temos vilões de quinta categoria e pessoas sem poderes em um mundo de heróis e vilões, em uma série cômica que é quase nada engraçada. Confesso que toda a bizarrice sugerida pode gerar, com muito esforço, algo assistível no futuro, mas já é possível levantar a bandeira de “temos uma bomba”.

NOTA: A abertura da série é sensacional!

Powerless – 1X01: Wayne or Lose (EUA, 2017)
Criador: Ben Queen
Direção: Marc Buckland
Roteiro: Justin Halpern, Patrick Schumacker
Elenco: Vanessa Hudgens, Alan Tudyk, Danny Pudi, Christina Kirk, Ron Funches, Jennie Pierson, Marc McClure, Bill A. Jones, Josh Breeding, Kimani Ray Smith, Atlin Mitchell, Graeme Duffy
Duração: 24 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.