Crítica | Powerless – 1X02: Wayne Dream Team

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estrelas 3

spoilers. Confira as críticas para os outros episódios da série aqui.

Após um começo ruim em Wayne or Lose, Powerless parece ter encontrado um ponto mais confortável para se fixar e fazer graça com o Universo DC. Wayne Dream Team é um episódio engraçado de maneiras nada comuns e à exceção da protagonista (Vanessa Hudgens é bem ruim mesmo), traz uma boa interpretação e interação do elenco, com destaque para Alan Tudyk (Van Wayne) e Christina Kirk (Jackie), com seu jeito de quem não se importa com nada e, por isso mesmo, gerando situações engraçadas através de seu rosto impassível, voz baixa, humor negro e grande cinismo.

Wayne Dream Team segue mostrando Emily em seus primeiros dias de trabalho, tentando se conectar com a equipe da divisão que gerencia e assumindo a rápida ordem de criar de um guarda-chuva para impedir que as pessoas se machuquem com destroços ou qualquer outra coisa jogada pelos vilões na cabeça dos cidadãos. Na sequência de abertura, temos uma pequena mostra de como Charm City é um lugar perigoso para se andar ou vender coisas na rua, o que acaba justificando a criação de um objeto como esse.

A linha empresarial ganha destaque aqui, ao menos na organização hierárquica do escritório. Van Wayne contando sua última viagem de negócios, usando photoshop para colocar sua face em uma foto de equipe da qual foi cortado (e vidando meme por isso) ou assumindo “sozinho” a responsabilidade pelo funcionamento de algumas coisas na empresa — algo inédito para ele, claro — são alguns dos melhores momentos do episódio, e de alguma forma se ligam às ações de Emily para conquistar os colegas de trabalho. Percebam que o roteiro trabalha com opostos de comportamento e intenções, mas de alguma forma usa essas divergências para chegar a algo em comum entre as partes.

Ainda é difícil digerir a escalação da canastrona Vanessa Hudgens para o papel-guia da série. Uma atriz de maior qualidade dramática conseguiria convencer melhor e engajar de verdade o espectador. Levando em conta que a premissa dos episódios tem a personagem da atriz guiando a resolução de problemas, ou gerando problemas, ou tentando impedir problemas, é oportuno dizer que a “voz-guia” da série não faz bem o seu trabalho, mas acaba conseguindo passar simpatia. Aqui, isso acontece através das piadas politicamente incorretas, pelas situações seriamente engraçadas, como o vídeo anti-bullying e por ótimas cenas de humor físico que se passam ao seu redor.

O diretor Marc Buckland conseguiu trabalhar de forma mais competente o cenário do escritório neste episódio, talvez por já terem estabelecidos alguns papéis dentro da empresa e pelo roteiro apresentar organicamente mais um cargo na Wayne Security, o RH, chefiado por Samuel, hilário personagem semi-malvado de Michael D. Cohen.

O formado cômico e o tamanho reduzido dos episódios (que por uma parte é um problema, mas por outra, pode ser uma bênção) faz com que maiores contextos de personagem e situações parecidas com “arco de temporada” demorem para aparecer. Isso tem um custo, e a única forma de Powerless não pagar inteiramente por ele é fortalecer ao máximo a comédia até o final da temporada, à medida que acrescenta coisas ao seu Universo. Sem algo mais sólido para se segurar, o espectador deve ter ao menos um texto bem escrito para se divertir. Em parte, isso foi conseguido no presente episódio. Talvez haja uma luz no fim do túnel para a série!

Powerless – 1X02: Wayne Dream Team (EUA, 9 de fevereiro de 2017)
Direção: Marc Buckland
Roteiro: Dean Lorey
Elenco: Vanessa Hudgens, Danny Pudi, Christina Kirk, Ron Funches, Alan Tudyk, Jennie Pierson, Michael D. Cohen, Jason Sims-Prewitt, Claire Titelman, Kimani Ray Smith, Zedrick Restauro, David St. James
Duração: 22 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.