Crítica | Powerless – 1X03: Sinking Day

estrelas 3,5

spoilers. Confira as críticas para os outros episódios da série aqui.

A terceira semana de Powerless chega com a obviamente difícil missão de suceder um começo de série no mínimo cambaleante. Se por um lado o segundo episódio (Wayne Dream Team) entregou uma comédia competente, é de se imaginar que a série ainda sofra da primeira impressão negativa causada pela fraquíssima estréia (Wayne or Lose). Como já vem se tornado regra, Alan Tudyk continua a carregar por si grande parte desse fardo, nos propiciando novamente um Van Wayne divertido e, na medida do possível, envolvente. Sua centralidade na trama do episódio e a forma como ela o leva a trabalhar de perto com Emily (a ainda chatinha Vanessa Hudgens), ressaltando uma divertida dinâmica de opostos, acaba por beneficiar a ambos, protagonista e episódio, de forma bastante visível. Infelizmente, se o roteiro propicia bons momentos para Van e Emily, o mesmo não se pode dizer em relação a Teddy (Danny Pudi), que acaba jogado para escanteio. Jackie (Christina Kirk) e Ron (Ron Funches) protagonizam uma sub-trama própria, onde investigam a possibilidade de um colega de escritório, Alex (Matthew Atkinson) ser, na verdade, o Olimpiano, personagem classe Z, apresentado originalmente em DC Comics Presents #46, de 1982, por Nelson Bridwell e Alex Saviuk. Trata-se talvez da parte mais fraca do episódio, o que significa muito, já que é consideravelmente mais divertida do que o Piloto inteiro.

A trama principal, que por hora (felizmente) nada tem a ver com o patético Olimpiano, envolve inicialmente uma disputa entre Van e Emily a respeito da atribuição de crédito ao aumento expressivo nas vendas que a Wayne Security teve desde a chegada da moça. Obviamente, Van tenta puxar a sardinha para o seu lado e se usar dos feitos de Emily para conseguir moral com o pai, Van Senior (Corbin Bersen). Trata-se do clássico plot de problemas paternos em sitcoms, mas que é salvo do marasmo por Alan Tudyk, que entrega algumas das melhores linhas do roteiro em uma interpretação nonsense, cretina e amável, ao melhor estilo de Michael Scott, da versão americana de The Office, figura certamente presente na constituição dessa versão de Van Wayne.

Após uma pisada na bola colossal de Van, a Wayne Security perde um de seus contratos mais valiosos, ninguém menos a Ace Chemicals. Trata-se da empresa proprietária da usina onde ocorreu o acidente que criou o Coringa em diversas versões do personagem, além de cenários de criação de outras vilanias do multiverso DC (como por exemplo o Rastejante, na série animada do Bruce Timm) – fato que é aludido na invenção que a divisão de Emily prepara, que consiste em uma grade protetora para evitar possíveis mergulhos indesejados em misturas químicas. Após um fiasco de comunicação, pelo qual Van assume a responsabilidade, cabe agora a ele, motivado por Emily, correr atrás de um novo cliente, para ganhar de volta o orgulho perdido e quiçá algum respeito do pai.

É onde entra na história a cidade submersa de Atlantis, que recentemente sofreu um ataque bem às vésperas do Sinking Day, data comemorativa que homenageia a submersão da cidade de proporções continentais. Fechar negócio com os atlanteanos mais do que compensaria o fracasso com a Ace Chemicals, e Emily e Van se colocam na missão de negociar com os atlanteanos. Trata-se de um bom episódio para ambos personagens, que possuem vários momentos interessantes neste que é o primeiro episódio em que trabalham juntos por um motivo em comum.

O desenrolar da trama não é exatamente surpreendente, mas rende cenas genuinamente divertidas, o que é um ganho, tendo em vista que na estreia mesmo este nível mais básico de comédia encontrava-se ausente. O desenvolvimento dos personagens é orgânico e competente, mas fica sempre a vontade de ver mais de Jackie, Ron e mesmo Wendy (Jenny Pierson), e menos da cansativa Emily. Talvez seja antipatia pela atriz, talvez seja falta de boa atuação da parte dela, mas infelizmente ela continua a ser um ponto fraco para a série. Por outro lado, o episódio agrada ao utilizar-se bem do fato de se situar no universo DC, certamente de forma melhor do que nos dois episódios anteriores (o que não significa muita coisa, mas um ganho é um ganho) – várias das piadas envolvendo o setting único são bem desenvolvidas e entregues de maneira orgânica, como por exemplo o fato de Ron ser um imigrante atlanteano (que inclusive poderia ter sido mais explorado), o aceno à relação entre as famílias Wayne e Kane e todo o lidar com os costumes e cultura atlanteana. Além disso, a própria chatice de Emily é alvo de piadas por parte de Van, que não aguenta mais ouvir falar da loja de flores do pai da moça – mesmo que ele nunca deixe que ela conte sua história até o fim. Ou seja, pelo menos há alguma autoconsciência do tipo de reação que a personagem provoca, e isso é bom, na medida em que podem levá-la para lugares mais interessantes no futuro. Ou então pode ser simplesmente que eu seja tão chato e amargo quanto Van Wayne, vai saber…

A série continua a penar um pouco para encontrar seu tom, mas parece ter dado dois passos consecutivos em uma boa direção. O potencial da premissa é enorme (“Better Off Ted encontra The Office no universo DC? Quero para agora! ” – foi o que pensei na época, ignorando de forma otimista as notícias a respeito dos problemas de produção), mas claramente trata-se de uma série que tem tido dificuldades em estabelecer sua identidade. Este episódio, no entanto, ao contrário dos dois anteriores, me deixou com vontade de assistir ao próximo. Já é alguma coisa. Torçamos para que a coisa dê certo e esta série sobre a Wayne Security consiga nadar, ou, caso seja demais, pelo menos boiar.

Powerless – 1X03: Sinking Day — EUA, 16 de fevereiro de 2017
Direção: Jay Chandrasekhar
Roteiro: Paul Mather
Elenco: Vanessa Hudgens, Danny Pudi, Christina Kirk, Ron Funches, Alan Tudyk, Corbin Bernsen, Jennie Pierson, Matthew Atkinson, Bill A. Jones, Sandra Purpuro, Eric Nenninger, Laird Macintosh, Paul Hertel
Duração: 22 min.

GIBA HOFFMANN . . Graduado em Ciências Mutantes pelo Instituto Xavier Para Estudos Avançados, realizou trabalho de pesquisa em Historiografia Mutagênica sob orientação do Prof. Charles Xavier. Mestrado interrompido em Transmutação Humana sob orientação do Prof. Doutor Van Hohenheim. Doutorado em Transcendência Dimensional de Cômodos sob orientação do Professor Doutor John Smith. Atualmente realiza curso por correspondência (escrita) sobre Combate a Vampiros com o uso de Stand, pelo Instituto Speedwagon.