Crítica | Powerless – 1X05: Cold Season

spoilers. Confira as críticas para os outros episódios da série aqui.

Após uma estréia conturbada, uma visível melhora e uma semana em hiato, Powerless retorna com seu quinto episódio sob o risco de perder o bom impulso obtido nos episódios anteriores. Em termos de audiência, é bem possível que venha a ser o caso. Em termos da qualidade do episódio, por sua vez, felizmente a série consegue manter o padrão de qualidade e cumpre bem a função de ser uma comédia despretensiosa, ainda que não muito inovadora. A equipe da Wayne Security continua a receber um bom desenvolvimento de seus personagens, que deve muito ao talento do elenco, fato que neste episódio fica bastante evidente, com o foco em Teddy (Danny Pudi) e Ron (Ron Funches) garantindo um episódio envolvente e divertido.

As tramas principais envolvem Teddy sendo levado a entrar em uma competição interna de inovação das Indústrias Wayne, sob a insistência de Emily (Vanessa Hudgens), que desconhece o caráter competitivo do colega e deseja fazer frente a uma dupla de bullies de uma divisão mais prestigiada da empresa. Enquanto isso, Ron se vê às voltas com sua dificuldade em dizer “não” às pessoas, mais especialmente ao seu chefe Van (Alan Tudyk), que se utiliza da boa vontade do subordinado para realizar os pedidos mais estapafúrdios que se pode imaginar – o que leva a momentos divertidos que incluem montar um modelo do jato invisível da Mulher Maravilha.

A invenção de Teddy, um par de luvas aquecedoras, conecta-se apenas superficialmente com o tema da temporada de frio, onde os supervilões cujos poderes envolvem as baixas temperaturas intensificam suas atividades vilanescas. Temos uma nova aparição da Raposa Escarlate (Atlin Mitchell), para a alegria de todos os seus fãs, em uma curta sequência no desfecho da trama. Os efeitos especiais são bem fracos e a fantasia da heroína é de dar pena, mas no fim das contas estamos falando de uma comédia e essa não é a prioridade, aparentemente.

Não se tratando de temáticas necessariamente inovadoras, é certo que os talentos de Danny Pudi e Ron Funches finalmente ganham aqui a chance de brilhar, encorpando um roteiro regular de forma a garantir bons momentos de diversão. A direção de Clark Mathis prioriza cortes rápidos, o que garante um ritmo mais acelerado do que os episódios anteriores. Vários dos momentos de comédia ocorrem de maneira bastante dinâmica e orgânica, o que conta um ponto para a série, que não cai no erro comum de tentar expandir seu humor para além do que o roteiro e os personagens sustentam. Talvez o único ponto fraco do episódio seja o quanto ele se usa apenas superficialmente dos elementos do Universo DC. Enquanto que em Sinking DayEmily Dates a Henchman a integração dos elementos ultrapassava a simples citação de nomes, trazendo em peso elementos da mitologia de Aquaman e Batman. Cold Season passa a impressão de que poderia se passar em qualquer universo super-heróico genérico. Porém, trata-se talvez de um limite do próprio conceito.

É bem possível que a série nunca chegue ao patamar dramático de sua premissa original, que se assemelhava a um humor mais nuançado e mais interessante, ao lidar com as questões éticas de um grupo de vendedores de apólices de seguro bem-intencionados, chefiados por um inescrupuloso Van Wayne. Porém, dentro do que a versão reformulada propõe, o formato é consistente e a série parece se distanciar progressivamente de um início inseguro e apático.

O episódio é benéfico para a série de maneira geral, ao provar que não depende apenas de Jackie (Christina Kirk) e Van (Alan Tudyk) para ser divertida ou mesmo interessante. O foco em outros personagens que não Emily e Van é definitivamente um passo na direção certa, e o episódio acerta em vários pontos, exceto no bom uso do Universo DC em si, o quanto o capítulo tem sucesso dependendo do peso dado para este quesito.

Powerless – 1X05: Cold Season — EUA, 09 de março de 2017
Direção: Clark Mathis
Roteiro: Amy Mass
Elenco: Vanessa Hudgens, Danny Pudi, Christina Kirk, Ron Funches, Alan Tudyk, Jennie Pierson, Deana Russo, Gil Ozeri, Atlin Mitchell
Duração: 22 min.

GIBA HOFFMANN . . Graduado em Ciências Mutantes pelo Instituto Xavier Para Estudos Avançados, realizou trabalho de pesquisa em Historiografia Mutagênica sob orientação do Prof. Charles Xavier. Mestrado interrompido em Transmutação Humana sob orientação do Prof. Doutor Van Hohenheim. Doutorado em Transcendência Dimensional de Cômodos sob orientação do Professor Doutor John Smith. Atualmente realiza curso por correspondência (escrita) sobre Combate a Vampiros com o uso de Stand, pelo Instituto Speedwagon.