Crítica | Powerless – 1X09: Emergency Punch-Up

spoilers. Confira as críticas para os outros episódios da série aqui.

Após uma sequência de bons episódios mostrando possíveis caminhos promissores para o desenvolvimento de Powerless, Emergency Punch-Up consegue a façanha inesperada de ser, através de um setting intimista e uma trama simplificada, o episódio mais bem sucedido da série até então.

A história inicia-se com uma premissa clássica para comédias situadas em ambiente de trabalho: o clássico retiro corporativo, sendo aqui organizado por Emily (Vanessa Hudgens), com direito a camisetas com frases de efeito em fonte Impact e promessas de karaokê, meio a um clima de relativa apreensão após o histórico de desastres que a atividade possui na empresa. Clima esse que não afeta Van (Alan Tudyk), que conta aqui com mais uma aparição fantástica, em terno de linho branco e estranhamente acertando diversas piadas e tiradas com precisão – o que rapidamente revela sua estratégia de ter contratado uma dupla de roteiristas para escreverem e passarem para ele falas divertidas via ponto eletrônico, o que garante diversos momentos hilários, A coisa toda parece encaminhar-se para mais um episódio ao menos regular. Porém, um ataque com gás, de autoria do supervilão Dr. Psycho (vilão da Mulher-Maravilha datando da Era de Ouro, tendo estreado em Wonder Woman v1 #005, de 1943) muda completamente o rumo das coisas. Ainda no prédio da Wayne Security enquanto aguardavam Dorothy (Dorothy Schock) – a simpática velhinha que, no início do episódio, dá um spoiler gratuito a Ron (Ron Funches), que assistia a um documentário sobre o próprio Psycho – nosso elenco principal se vê isolado em um lockdown de segurança do prédio quando o perigoso gás toma conta das ruas. Enquanto que a própria Dorothy aparentemente já estava a caminho do retiro. nem mesmo o helicóptero particular de Van Wayne é capaz de resgatar nossos heróis após o ataque do supervilão.

Com o elenco reduzido estritamente aos seus elementos principais temos então Van, Emily, Ron, Teddy (Danny Pudi), Wendy (Jennie Pierson) e Jackie (Christina Kirk) obrigados a se virar com o fato de terem perdido a viagem em troca do perrengue do isolamento no prédio e, em última instância, em uma situação de vida ou morte que envolve um “gás da verdade”. Trata-se de um ótimo uso do setting no universo DC, que garante a possibilidade de que haja uma situação de isolamento de tamanha seriedade e com a capacidade de se desdobrar em situação de real perigo, ao mesmo tempo em que é capaz de ser apresentada de forma leve e com a relativa despreocupação dos personagens soando crível, já que não deve ser a primeira vez em que passam por situação semelhante. Uma situação que só poderia acontecer nesse universo quadrinhesco – é disso que a série precisa e é isso o que o público provavelmente espera dela.

O isolamento é bastante proveitoso para nossos personagens principais. A dinâmica interna da equipe continua a se provar amadurecida, e é bem desenvolvida aqui em praticamente todas as interações entre os personagens, cujas vozes soam cada vez mais bem alinhadas para uma boa comédia. Ron e Danny discutindo o bromance, Wendy imaginando como seria levar Van para uma ilha deserta e Jackie assertiva a respeito de seu desejo de morrer sozinha são alguns dos momentos que fluem organicamente e divertem o espectador. Distanciando-se de suas caracterizações unidimensionais e desajeitadas dos primeiros episódios, os personagens parecem mais nuançados e humanizados aqui. Mesmo Emily e Wendy, atrasadas no processo de amadurecimento tanto pelos roteiros quanto pela caracterização, acabam apresentando-se aqui com bons momentos e com a esperada leveza.

Não bastassem os bons momentos de comédia, o episódio nos traz também nuances de aventura como nenhum outro episódio da série mostrara até então. A forma como a bebedeira leva ao vazamento do gás (há de se questionar a qualidade da blindagem do vidro do escritório da Wayne Security, ainda mais em se tratando da empresa que fabrica esse tipo de produto – embora este possa ser justamente o ponto), encaminhando para um isolamento dentro do isolamento, quando Wendy conduz a todos erroneamente para o laboratório, para enfim então a situação em que o time se vê forçado a se aventurar em meio ao gás para recuperar as máscaras, tudo se arma de forma convincente, ao contrário do que acontecia nas “cenas de ação super-heróicas” que tivemos anteriormente, que na maioria das vezes pareciam forçadas e fora de lugar.  A direção de Linda Mendoza também não deixa a desejar e se mostra especialmente competente em comparação ao que a série vem apresentado.

Com isso, vemos a premissa da série sendo usada de forma efetiva, com nossa equipe de pessoas ordinárias tendo que se virar na situação extraordinária em que se encontram. De forma simples e direta, o “gás da verdade” não apenas coloca efetivamente a vida de nossos personagens em perigo pela primeira vez, como também proporciona algumas das melhores cenas de Emily, mostrando um pouco de seu lado menos conhecido, o que garante uma boa cena de humor e também adiciona para a personagem, que sai do episódio mais humanizada. Seu minuto de fúria convence e empolga ao nos mostrar um lado inusitado de sua personalidade sempre tão exageradamente positiva até o limiar da irritabilidade.

Emergency Punch-Up diverte com sucesso em 20 minutos que passam sem que o espectador perceba. O elenco parece ter pegado o passo e a dinâmica dos personagens soa mais forte do que nunca, com o roteiro do episódio servindo perfeitamente para lançar os holofotes sobre as estrelas da série, que são seu verdadeiro ponto forte.

Powerless – 1X09: Emergency Punch-Up — EUA, 20 de abril de 2017
Direção: Linda Mendoza
Roteiro: Lillian Yu
Elenco: Vanessa Hudgens, Danny Pudi, Christina Kirk, Ron Funches, Alan Tudyk, Jennie Pierson, Sandra Purpuro, Ryan Alvarez, Brandon Plush, Dorothy Schock
Duração: 22 min.

GIBA HOFFMANN . . Graduado em Ciências Mutantes pelo Instituto Xavier Para Estudos Avançados, realizou trabalho de pesquisa em Historiografia Mutagênica sob orientação do Prof. Charles Xavier. Mestrado interrompido em Transmutação Humana sob orientação do Prof. Doutor Van Hohenheim. Doutorado em Transcendência Dimensional de Cômodos sob orientação do Professor Doutor John Smith. Atualmente realiza curso por correspondência (escrita) sobre Combate a Vampiros com o uso de Stand, pelo Instituto Speedwagon.