Crítica | Prazeres de Amor no Irã

estrelas 4

Curta-metragem produzido como uma pequena prévia do longa Uma Canta, a Outra Não (1977), Prazeres de Amor no Irã (1976) é um filme sobre arquitetura, geografia e desejo sexual. Em plena atividade de militância feminista, Varda dirigiu diversos filmes que abordavam a concepção da mulher em relação ao mundo masculino, e vice versa, e como cada uma das partes constitui de signos a existência da outra. Desta feita, o uso da poesia visual no espaço arquitetônico é algo que está na alma do filme, posto que ela alimenta todas as leituras corporais do casal na arquitetura da cidade.

O curta narra a história de dois apaixonados que estão em Ispahan, no Irã, e que estarrecidos com a cidade e em ponto alto de seu amor, passam a discursar sobre como alguns órgãos de seus corpos podem ser vistos espalhados por todos os lados: os seios dela nas cúpulas das mesquitas, o pênis dele nos faróis da cidade. A mulher é mostrada aqui de forma independente, livre de amarras sexuais ou do pudor típico que lhe é atribuído. É ela quem começa o assunto, e acusa seu namorado de ser muito pudico em relação a esse assunto. Nesse sentido, não só pela abordagem livre e potencial dada à personagem feminina, mas também no modo como a arte é inserida na trama, podemos dizer que este é um dos pequenos exercícios feministas de Varda. Cor e espaço geográfico se unem assim como as curvas dos corpos de um casal. O interessante é que a diretora traz a ligação através da oralidade ou da palavra escrita (em poemas compostos pelos dois), nenhum corpo nu é mostrado.

Prazeres de Amor no Irã é um curta simples, com seis minutos de duração, mas nos traz a visão instigante de um casal que observa uma cidade e a si mesmos como parte essencial dela. A ideia de “atores sociais” ultrapassa a linha da práxis engajada, racional, consciente de sua atitude política. As palavras de ordem são Arte e Prazer. E ambos fazem poemas. Poemas pontuados por imagens eróticas. E a esses versos, representações de pinturas e tapeçarias iranianas são mostradas, sempre abordando o mesmo tema com suas pequenas variações: o homossexualismo masculino e feminino, o sadismo, o amor intenso.

Após a reflexão artística, a diretora deixa o casal e a poesia libidinosa de lado. A arte e as construções como objetos em si passam a ser o interesse, pelo menos por um tempo. Cadencialmente, caminhamos para o final do filme.

Prazeres de amor no Irã é uma obra exótica, um pequeno cartão postal de lua-de-mel, um convite para casais turistas apaixonados, um louvor aos corpos em junção, à mulher, à vida, ao amor. O Irã raramente foi tão bem apresentado.

Prazeres de Amor no Irã (Plaisir d’Amour em Iran, 1976)
Direção: Agnès Varda
Roteiro: Agnès Varda
Elenco: Valèrie Mairesse e Ali Raffi
Duração: 6min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.