Crítica | Preacher 1X05: South Will Rise Again

estrelas 4

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Assistir Preacher é como ver os sonhos infames de alguém muito sádico se tornando realidade.

Fixada em um Universo onde a mitologia cristã se mistura ao absurdo do cotidiano notadamente violento, impiedoso e egoísta, a série tem sido um verdadeiro teste de paciência para os espectadores, um filtro que já afastou alguns e provavelmente tem colocado outros na retranca em relação ao show. Mesmo assim, o programa já foi renovado para uma segunda temporada e teve a adição de mais três episódios em sua grade. No caso de South Will Rise Again, chegamos ao meio do primeiro ano com alguns “finalmentes” sendo executados e uma série de dúvidas colocadas para os espectadores, principalmente em se tratado da cena final do episódio.

Um dos motivos pelos quais eu tenho me encantado com Preacher é a forma não óbvia que a série tem de narrar coisas. A essa altura, já ficou clara a declaração de que a primeira temporada seria uma preparação de terreno para os espectadores e que sinais do primeiro arco dos quadrinhos, A Caminho do Texas, só apareceriam no final desse ano. Posto o modelo, caberia a nós curtir o desenvolvimento da série a partir de seu ritmo à la romance vanguardista do início do século XX, com blocos aparentemente isolados ganham destaque cada vez maior com o passar o tempo e todos eles tendem a convergir para um único ponto, o pastor Jesse Custer.

No início, temos um prólogo-western (que fotografia e trilha sonora incríveis as desse faroeste intimista!) que explora algo como a origem do Santo dos Assassinos. O chamado “cowboy”, com sua infindável sede de matar, tem um destaque que é a continuação de See, e seu espaço é definitivamente apresentado como um problema familiar, a perda completa da única referência sentimental que ele tinha na vida. A busca pela vingança, logo se vê, não será uma única opção para o personagem. A vida, nem a dele, nem a ninguém, não importa mais. Imaginem só o tipo de indivíduo que teremos a partir desse momento.

As muitas referências a um Estados Unidos da América em época de colonização surgem como uma oposição interessante a um Estados Unidos contemporâneo e dividido em tribos, com referências à Guerra Civil Americana, que se põe no título do episódio e na cena em que Jesse aparece pela primeira vez aqui, homenageando uma das famosas tomadas de …E o Vento Levou (outro glorioso momento da fotografia). Esse tipo de dualidade não se fixa apenas na parte visual, mas também ganha espaço no roteiro, diante das muitas faces que cada personagem pode ter nessa série, principalmente se optam por fingir ou fazer algo apenas para conseguir outra coisa muito mais interessante.

Perceba, por exemplo, como o próprio Jesse tem sua composição aprofundada e como as nuances entre o bem e o mal são confrontadas no bloco dele, com seus conselhos e definições para o que as pessoas devem ou não devem fazer — não existe livre arbítrio, mas o conflito é evitado. Fica a pergunta moral: qual dos dois é o melhor? A mesma coisa presenciamos no bloco dos excelentes Fiore e DeBlanc, assim como a relação entre Tulipa e Cassidy, que certamente tem uma veia de negócios (para ela) e interesses libidinosos ou opiáceos para o vampiro. O resultado do encontro e a decepção de Tulipa ao perceber o quão diferente Jesse realmente está acabam sendo a gota d’água para que procure alternativas em qualquer lugar e a qualquer custo. O final disso só pode ser algo ruim.

O roteiro desse episódio segue muito mais a lina de The Possibilities do que a linha de Monster Swamp. Há muito uso e apresentações de novidades e possibilidades para os personagens, mais do que abertura de novas linhas de problemas e investigações, aplacando dúvidas e algumas confusões tidas até o momento. Este é o ponto onde espectadores mais apressados se arrependem de ter minimizado ou abandonado a série, porque é visível o apontamento para caminhos mais confortáveis no futuro e até uma aproximação maior com a HQ neste episódio. Fazendo valer o meio da temporada, o diretor Michael Slovis criou grandes blocos com ação concentrada em um primeiro grande evento e, depois, trazendo a conclusão dessas ações, o que nos deixa com a sequência de Odin Quincannon ao final e uma série de perguntas — e um pouco de satisfação mórbida — para o que de fato aconteceu ali.

South Will Rise Again expõe problemas do dia a dia em uma comunidade cujo pastor tem o dom da palavra de Deus. Mas não demorará muito para ele (e nós!) descobrir que as coisas são bem mais complicadas do que parece. Do lado de cá, esses impasses tendem a ganhar mais corpo; a linha do tempo da série começa a ficar mais clara, o formato cada vez mais atrativo e as interpretações e personas mais interessantes, do Cara-de-Cu até Donnie, um homem completamente diferente daquilo que imaginávamos. Preacher está seguindo o caminho que deve seguir (das surpresas e impossibilidades) e o drama insano entre o místico e o real ganha ainda mais corpo e força. Daqui para frente, essas linhas tendem a fica cada vez mais claras e profundas. Tudo só tende a piorar para esse Universo. E isso, como todos nós sabemos, é ótimo.

Preacher 1X05: South Will Rise Again (EUA, 26 de junho de 2016)
Direção: Michael Slovis
Roteiro: Craig Rosenberg
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Lucy Griffiths, W. Earl Brown, Derek Wilson, Ian Colletti, Tom Brooke, Anatol Yusef, Graham McTavish, Jackie Earle Haley, Ricky Mabe, Jamie Anne Allman
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.