Crítica | Preacher – 2X02: Mumbai Sky Tower

plano critico fiore preacher
estrelas 4
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De todas as coisas muito boas da 1ª Temporada de Preacher, a amizade entre DeBlanc e Fiore ficou marcada como uma das criações mais curiosas e abertas a interpretações, tendo um final trágico e emocionante, quando o desalentado Fiore se viu sozinho, após o Santo dos Assassinos matar seu melhor amigo. Neste segundo episódio da 2ª Temporada, exibido um dia depois da estreia deste ano do show, temos não só a continuação da busca por Deus, exatamente onde paramos, mas também a conclusão do arco DeBlanc-Fiore, que traz Tom Brooke em uma excelente interpretação, tanto nas cenas de puro desalento como na incrível sequência em que ele é ajudado por Cassidy, que está jogando duas coisas ao mesmo tempo: ajudando um amigo e tentando arrancar dele alguma coisa.

Mesmo não sendo tão incrível quanto On the Road, Mumbai Sky Tower é uma continuação em alto estilo, colocando Jesse, Cass e Tulipa no caminho do Criador e, na composição dos planos em internas, lembrando bastante o episódio Sundowner da temporada passada. Ainda mais do que a estreia, este capítulo investe fortemente em humor, e dos melhores tipos que existem, que é a tomada de coisas inesperadas como ponto de partida para uma piada ou a maneira peculiar de nos arrancar um riso nervoso, diante da maneira genial e doentia com que determinada situação é exposta, vide o homem com o braço arrancado tentando tirar uma cerveja da máquina e pedindo moedas ou o próprio Fiore em sua saga diária de morrer e voltar à vida.

O ponto principal aqui é como Sam Catlin usa do sofrimento do anjo para arrancar risos do espectador e imediatamente fornecer explicações válidas sobre a relação dele com DeBlanc (a naturalidade e fluidez do texto, mais a interpretação aplaudível de Brook e Joseph Gilgun são tais que a ternura ali envolvida quase passa despercebida), expandindo o personagem momentos antes de matá-lo em definitivo, o que é ao mesmo tempo uma corajosa escolha e um ataque emocional no espectador, que se afeiçoa ainda mais ao anjo, diante de seu sofrimento. E isso chega a um ponto em que não conseguimos ter raiva do personagem quando ele trai Jesse, no final, dizendo para o Santo que o grupo iria para New Orleans.

O espectador entende muito rapidamente o por quê de Mumbai Sky Tower ter sido exibido um dia depois de On the Road. O episódio é, em tudo, uma continuação temática, situacional e locacional de seu antecessor, inclusive com o mesmo ritmo e abordagem no enredo. É como se tivéssemos um filme de 1h30 dividido em duas partes. Nesse caso, embora a primeira consiga ser mais bem organizada, esta segunda parte não faz feio em mostrar as implicações da jornada de Jesse e seus amigos. A montagem aqui tem um papel importantíssimo ao definir o ritmo do Santo dos Assassinos — sempre a pé — e sua relação diante de coisas mundanas, mostrando para o público a resposta para eventuais perguntas: “e se ele for baleado por muitas pessoas?“, “e se ele for atropelado?“. A aura de mistério, que é apenas parcialmente dissipada, serve como combustível para a ação, que ocorre do modo mais impossível e improvisado que se possa imaginar. Enquanto assistia, não pude deixar que pensar que apenas mentes tão insanas quanto as de Garth Ennis e Steve Dillon poderiam produzir algo tão absurdo, tão divertido e tão bem colocado em tela como o que temos aqui.

O ponto negativo do enredo é que, por ser uma sequência sem elipses do episódio anterior, acaba lhe faltando assunto. Por mais ocupado que o trio esteja fugindo do Santo ou que um “amigo” de Tulipa tenha aparecido para lhe cobrar o contato com “um certo alguém” (seria a explicação do passado dela, como visto em Até o Fim do Mundo?), falta assuntos maiores para preencher o núcleo do episódio, que ganha bobagens ótimas (mas ainda assim, bobagens), como o pedido de casamento de Jesse para Tulipa e toda a sequência da cerimônia que não se completa. À parte isso, somos colocados no caminho de Deus em pompa e circunstância, assim como o grande assassino dos infernos tentando cumprir um contrato. New Orleans, Deus e o Jazz que nos aguardem.

Preacher 2X02: Mumbai Sky Tower (EUA, 26 de Junho de 2017)
Direção: Evan Goldberg, Seth Rogen
Roteiro: Sam Catlin (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Tom Brooke, Michael Beasley, Vik Sahay, John Jabaley, Cooper Dodson, Shawn Mousavi, Shawn Halliday, Annie Jacob, James Cusimano, Graham McTavish, Mitch Craft
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.