Crítica | Preacher – 3X04: The Tombs

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Desde as críticas da 1ª Temporada eu sempre deixei claro o meu maravilhamento com o fato de Preacher ser uma série que adapta com louvor (sempre importante lembrar que ADAPTAÇÃO NÃO É SINÔNIMO DE TRANSLITERAÇÃO) o Universo dos quadrinhos de Garth Ennis e Steve Dillon. As mudanças conjunturais e estruturais, a troca de personagens, lugares, nomes, pontos dramáticos, tudo o que os showrunners fizeram na 1ª Temporada foi um excelente exemplo de como adaptar um quadrinho difícil como Preacher, e mesmo nesta troca de mídias, manter a essência do original, criando uma versão maluca e corajosa em imagem-movimento. Ao longo da 2ª Temporada, vimos uma paralisação da boa dinâmica da série, embora ela ainda tenha conseguido se manter acima da média. O peso, portanto, caía sobre a 3ª Temporada, que deveria ligar as pontas do ano anterior e fazer a saga andar, agora com Jesse em Angelville, algo que me animou desde o primeiro momento.

Depois do bom começo e de dois capítulos construtores de base narrativa (SonsabitchesGonna Hurt) conseguimos colher o primeiro grande fruto da temporada em The Tombs, um episódio extremamente interessante pelo fato de unir cenas do presente e do passado, núcleos dramáticos diferentes e, ainda assim, manter a narrativa fluída, coerente e instigante, jamais fugindo do tema do episódio que é, como o título diz, nos apresentar as Catacumbas.

Escrito por Mark Stegemann (que aqui se redime do “apenas ok” Holes, na temporada passada), The Tombs traz novamente aquele tipo de abertura de tirar o fôlego que tanto caracterizou a série, uma especie de curta-metragem introdutório cuja intenção é preparar o espectador para algo que, normalmente no miolo ou no final do capítulo, irá expandir o leque de ação do serial. E vejam só… temos o retorno do Santo dos Assassinos, convocado pelo próprio Satanás para uma pequena conversa, no escritório diabólico. Quando o ascensorista selecionou o -9 (número dimensional e ritualístico preciso, cuja representação do círculo do Inferno, aqui, é anti-dantesca) e quando a porta do elevador se abriu e tivemos uma visão do que estava lá fora, todas as minhas expectativas secretas da 2ª Temporada foram atendidas (e mais um pouco).

O importante nesse tipo de presentação é saber o quê e por quanto tempo mostrar na tela, e o diretor Wayne Yip fez isso muito bem (mantendo, inclusive, um daqueles planos que ele adora fazer, que é o de personagens sentados atrás de uma mesa, como vimos em sua direção nos ótimos episódios Pig e The End of the Road). Mas notem que a escolha visual — efeitos especiais, direção de arte e direção de fotografia aqui estão tinindo! — ultrapassa o espaço exterior do lugar de tormento. A estilização do Portal, os detalhes do chão, o fato de terem escolhido que víssemos mais esse pedacinho do Inferno a partir da presença do Santo… tudo isso carrega um enorme significado para o episódio, sendo uma das escolhas mais bem pensadas e dirigidas não só deste episódio, mas da série. Isso sem contar a cínica, irônica e hilária sequência no escritório do Diabo, com todos os bons clichês trabalhados no melhor estilo Preacher e com um virtuosismo de direção que eu não via no show desde On the RoadDirty Little Secret.

Sem medo de chutar convenções e tratando de maneira simples, mas bem escrita e guiada, todos os blocos então abertos na série, The Tombs acrescenta um outro núcleo, que provavelmente recolocará Hitler e Eugene na série, e aqui, um sinal de atenção e esperança se ergue. Como se trata de uma caçada — agora sem armas! — do Santo dos Assassinos, as coisas com certeza devem funcionar melhor aqui para o pedaço do enredo com o nazista-mor e o Cara-de-Cu. Se essa mescla de camadas de roteiro funcionar tão bom como neste quarto episódio, será mais uma possibilidade de diversão envolvendo simbolismos cristãos, personalidades problemáticas, misticismos e podres poderes. Isso sim é Preacher!

Preacher 3X04: The Tombs (EUA, 15 de julho de 2018)
Direção: Wayne Yip
Roteiro: Mark Stegemann (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Graham McTavish, Jeremy Childs, Jason Douglas, Will Kindrachuk, Prema Cruz, Anthony Marble, Khiry Armstead, Mike Harkins, Charley Vance
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.