Crítica | Preacher – 3X10: The Light Above

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aqui, as críticas dos outros episódios.

Com quê então a versão de Preacher para o arco de Masada, exposto em Orgulho Americano, ainda estava por vir! Oh, que alegria, irmãos e irmãs! E eu achando que tudo tinha “se acertado” em Schwanzkopf… Escrito e dirigido por Sam Catlin, este episódio final da 3ª Temporada é um verdadeiro primor de adaptação (e, novamente, só de saideira: adaptação não é sinônimo de transliteração!!!) para um quadrinho cheio de absurdos hereges, muita morte e loucura à toda prova. Dentro de um sistema simples de adaptar elementos notadamente não adaptáveis, a produção do show encontrou mais uma vez o caminho das pedras, do qual tinha se afastado com a estadia maçante em New Orleans na 2ª Temporada. Naquela ocasião, mesmo com um resultado final acima da média, sentimos falta de Preacher no modelo de sua temporada de estreia. Mas isso mudou.

Aqui, depois de um bom início, porém, com uma proposição que ainda não falava muito a que veio (Angelville) foram necessários apenas dois episódios de aquecimento (SonsabitchesGonna Hurt) — ambos bons, mas não no nível de toda a temporada — para que tudo se arranjasse no melhor estilo de caos, comédia, elementos do Cristianismo deturpados e fluídos dos mais diversos. O que diverte em Preacher é, acima de tudo, um tipo peculiar de humor acompanhado pela violência e que nunca se deixa levar por medos éticos ou morais. Hoje, eu morro de rir dos artigos escritos na prévia da estreia da série, publicações do tipo… “15 coisas que você jamais verá em Preacher“. E então vimos todas as 15 coisas e + 15 outras bizarrices atreladas a uma busca que, pelo menos para mim, voltou a ser tratada de maneira orgânica nessa temporada.

Como premissa, sabemos que Jesse está em busca de Deus. E que ele demorará para encontrá-lo, vivendo uma constante de aventuras no meio do caminho. Até hoje me comporto como os pinguins de Madagascar (sorrindo e acenando) para haters que usam a justificativa de “demora para encontrar Deus” como elemento de detratação da série. Isso e o fato de querer que quadro a quadro da HQ seja posto na tela, mas aí já é mesmo um caso de conversar com o Santo dos Assassinos para resolver. O fato é que olhando para o que Garth Ennis e Steve Dillon criaram, os produtores organizaram uma linha de temporadas que se adequam tanto ao nosso século quanto à proposta dos quadrinhos, adicionando, retirando ou realocando cenas para momentos que mais cabem na base do programa, como foi o caso de Masada, visto no final deste estupendo episódio, que além do roteiro, conta com uma das melhores montagens que tivemos na série e uma direção de fotografia para se aplaudir de pé.

Se partimos da 2ª Temporada com um gosto amargo sobre a posição de Deus diante dessa caminhada toda, aqui no 3º ano as coisas se ajeitaram para mostrar o Criador descaradamente expondo o seu “Grande Plano de Fuga” e fazendo acordos com as pessoas certas (leia-se Tulip) a fim de deixar Jesse sabendo que ele não deve continuar procurando O Criador. Essa costura divina no decorrer dos capítulos foi um prêmio e tanto. Confesso que tive receio no início — não pela forma como a coisa toda se apresentou, mas porque não imaginava como isso poderia ser mantido de maneira interessante, cômica e respeitando o cânone da adaptação. Todavia, o time de roteiristas conseguiu fazer esse trabalho muito bem e então chegamos ao final com a presença bem colocada e relacionada não só de Deus, mas de Satã, do Santo, Eugene, Starr, Hoover, Enfants du Sang, Cass e por aí vai.

Todos os núcleos de personagens da temporada tiveram a sua finalização ou ponta ajustada a contento aqui — como mistério ou andamento — para uma retomada na temporada seguinte (se houver). Tivemos o prazer de acompanhar o fechamento de cada arco com tudo aquilo que Preacher prometeu desde o começo. Desta feita, juntam-se neonazistas (um deles com um boné MAGA); Anjo da Morte com os olhos arrancados (lembrem-se: Deus fugiu. E desde a temporada passada os roteiros deixam claro que as regras não são mais as mesmas); Santo dos Assassinos com sentimento paterno por Eugene; Satã “reinfernado”; Hitler tornando-se o novo Príncipe das Trevas (eu dei um grito de alegria quando vi que fizeram isso); morte de TC e Jody; enfrentamento final de Jesse com vovó Marie; fim de Eccarius… Que episódio! Sob competente direção de Sam Catlin, o episódio terminou no tom e momento certos, deixando-nos contritos, de mãos dadas e olhos erguidos para os Céus, pedindo ao Pai que traga mais uma jornada de Preacher em um ano. Bem-aventurados os cínicos de coração, porque eles se divertirão em abundância com esta série.

Preacher 3X10: The Light Above (EUA, 26 de agosto de 2018)
Direção: Sam Catlin
Roteiro: Sam Catlin (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Graham McTavish, Ian Colletti, Pip Torrens, Noah Taylor, Julie Ann Emery, Malcolm Barrett, Colin Cunningham, Betty Buckley, Jeremy Childs, Tyson Ritter, Mark Harelik, Adam Croasdell, Jason Douglas, Will Kindrachuk, Erinn Ruth, Nathaniel Woolsey, Theresa O’Shea
Duração: 53 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.