Crítica | Predador: Selva de Pedra (Concrete Jungle)

Curiosamente, o sensacional O Predador, que colocava Arnold Schwarzenegger contra um dos mais bacanas alienígenas da Sétima Arte, recebeu relativamente pouca atenção da furiosa máquina Hollywood de continuações. Mais um monstro chegou em 1990 para sair no braço com Danny Glover e, depois, foi silêncio profundo até 2004, quando um tenebroso crossover com a franquia Alien chegou aos cinemas, inexplicavelmente ganhando uma continuação ainda pior em 2007. E, fechando as aventuras dos caçadores intergaláticos – pelo momento até agora -, tivemos Predadores em 2010, definitivamente melhor do que os dois que vieram imediatamente antes.

No entanto, nos quadrinhos, a franquia Predador ganhou um rico universo estendido, como uma das primeiras grandes licenças da então ainda bem jovem Dark Horse Comics, que também havia adquirido a licença da franquia Alien e havia inventado o crossover entre as criaturas. Concrete Jungle – ou Selva de Pedra na minha tradução, já que não localizei publicação oficial no Brasil – foi a minissérie em quatro edições publicadas entre o meio de 1989 e o começo de 1990 que trouxe os alienígenas caçadores para a Nona Arte e preencheu a vontade de fãs de conhecer mais deles na longa ausência das telonas.

A história é uma semi-continuação do filme original, focada na dupla de detetives de homicídio Schaefer e Rasche, em Nova York, a partir do ponto de vista narrativo do segundo, pai de família e um homem “comum”, fora de forma, em absoluto contraste a seu parceiro, não coincidentemente irmão de Dutch (o personagem de Schwarzenegger em O Predador), um musculoso brucutu que, como de praxe, atira primeiro e interroga depois. A conexão, porém, vai além do sangue, já que, por alguma razão que jamais é explicada na minissérie, Schaefer “sente” a presença dos alienígenas e os alienígenas também estão especificamente atrás dele. Essa linha narrativa falha miseravelmente por não servir à história em absolutamente nada, ficando no ar e até mesmo atrapalhando sua fluidez ao dar a entender algo mais complexo do que acaba sendo.

As capas das quatro edições originais da minissérie.

Tudo começa com gangues rivais exterminadas misteriosamente, atraindo a dupla policial para algo que envolve seu chefe e, também, um adido militar que conhecera Dutch (cujo paradeiro é ignorado pelo irmão – e por nós – desde que há três anos desapareceu lá na selva do primeiro filme) e que tem segredos embrulhados dentro de segredos a esconder de Schaefer. Não demora muito e o policial grandalhão tem seu primeiro entrevero com um Predador, mas, traindo completamente a premissa original que retratava o alienígena como um expert em sua atividade, dificílimo de matar e repleto de gadgets altamente destrutivos, o embate é curto, simples e acaba com o bicho morto, o que somente abre espaço para um enorme e completamente desnecessário desvio na história, com Schaefer não se contentando com apenas um e voando para onde seu irmão fora visto pela última vez.

A partir daí, a coisa vai escalando em magnitude, mas sem oferecer, em momento algum, qualquer senso de ameaça crível, daquelas que esperamos mesmo quando sabemos que o protagonista sobreviverá com apenas algumas escoriações. Sem qualquer resquício de tensão, o que vem em seguida é bobo, além de extremamente previsível, algo típico de continuações hollywoodianas apressadas, feitas para servir de caça-níquel. A vantagem é que a minissérie não se estende demais e, com apenas quatro número, é fácil de ler mesmo com um roteiro fraco.

A arte é fruto dos lápis de Chris Warner, com Ron Randall dividindo o trabalho a partir da terceira edição. Ambos são competentes desenhando ação desenfreada e conseguem criar Predadores interessantes e respeitosos ao material original. O ambiente urbano é detalhado, com muitos detalhes de segundo e terceiro planos que emprestam robustez ao conjunto e ao drama chinfrim de Schaefer e de seu parceiro Rasche. Os personagens humanos, porém, sofrem com traços pasteurizados que, à exceção de Rasche, transforma praticamente todo mundo em seres enormes e musculosos, quase que como um treinamento para a praga que tomou os quadrinhos nos anos 90.

Selva de Pedra, no final das contas, é mais curiosa por antecipar parte da trama de Predador 2: A Caçada Continua ao trazer os alienígenas para um centro urbano em batalha contra um policial e por ser o início de uma longeva franquia em quadrinhos que continua firme e forte até hoje pela mesma editora, quase três décadas depois. Se o leitor não esperar muito mais do que isso, terá diversão passageira por uma horinha.

Predador: Selva de Pedra (Predator: Concrete Jungle, EUA – 1989)
Contendo: Predator #1 a 4
Roteiro: Mark Verheiden
Arte: Chris Warner, Ron Randall
Arte-final: Sam de la Rosa, Chris Warner, Randy Emberlin
Cores: Chris Chalenor
Letras: Jim Massara, David Jackson
Editoria: Randy Stradley
Editora original: Dark Horse Comics
Data original de publicação: junho de 1989 a março de 1990
Páginas: 106

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.