Crítica | Premonição 3

estrelas 1

Depois do engavetamento do filme anterior, imagina-se que seja quase impossível elaborar uma sequência de abertura chocante para a franquia Premonição. Graças aos efeitos especiais, tal feito só consegue alcançar novo êxito na quinta parte do filme. Sendo assim, antes disso, fomos obrigados a ver os tons insossos das cenas iniciais de Premonição 3 e 4. Sob a direção de James Wong, profissional já acostumado com o estilo, esta terceira parte decepciona em todos os aspectos possíveis.

Desta vez temos novo protagonismo feminino. A  protagonista é a doce Wendy (Mary Elizabeth Winsted), uma estudante que durante um passeio numa suntuosa montanha-russa, tem a premonição que determina a morte de todos durante um acidente terrivelmente violento. Assustada, a garota desiste do passeio, levando consigo alguns dos amigos. Durante a conversa para acalmar os ânimos, o inesperado ocorre. O acidente se estabelece e mais uma vez um personagem vai, inicialmente, precisar comprovar que não está louca.

Este, entretanto, não é o único problema. Ciente de que enganou os planos da Morte, Wendy precisa tentar salvar a sua pele e a dos seus amigos, mas como se sabe, o exercício geralmente é inútil. No máximo o personagem conseguirá sobreviver para ser exterminada pela ceifadora de vidas na próxima continuação. Um a um, os sobreviventes morrem em circunstâncias aterrorizantes e violentas, numa comprovação de que a morte não está para brincadeira.

Vamos, inicialmente, tentar excursionar pelos bons momentos. Bom, é possível alegar que, vejamos, não há nada de bom para falar sobre este filme. O exercício de garimpagem foi extenso, mas não é impossível encontrar nada minimamente agradável. O roteiro ficou por conta de Glenn Morgan, em nova parceria com James Wong, então diretor do filme. Mesmo com a experiência de terem dirigido e roteirizado o primeiro, não significa que conseguiram trazer a proposta para o filme em questão. Premonição 3 investe mal nos clichês, trazendo à tona sustos fáceis, reciclagem da mesma história, patricinhas bobas, o gostosão descerebrado, o gótico (desta vez, ocupa a vaga comum aos nerds) e o psicossexual.

Como apontado na análise de Premonição 2, por não ter mais o que fazer que saia do lugar comum, Premonição 3 tenta investir nas mortes ainda mais gráficas e chocantes. Os profissionais do setor de efeitos especiais fazem o possível para dar conta desta demanda, mas os personagens são ruins, opacos, desenvolvidos de qualquer jeito, por isso, a agressiva cena do bronzeamento artificial, mesmo que seja claustrofóbica, não tem efeito catártico, pois não conseguimos estabelecer uma relação digna com estas vítimas.

As ligações com os anteriores, desta vez, são mais distantes. Alguém lê sobre o acidente em um jornal, outro busca informações sobre o voo 180 na internet, mas nada substancial. Se este fosse o único problema, o filme estaria a salvo. A produção atrasou por dois anos, arrecadou bem, mas foi um fracasso de crítica merecido, afinal, não apresenta nenhum elemento atrativo a não ser a cena de acidente na abertura, desta vez, bem fraca se comparado ao avião explodindo ou ao engavetamento na estrada.

Premonição 3 (Final Destination 3) – EUA, 2006
Direção: James Wong
Roteiro: Glen Morgan, James Wong, Jeffrey Reddick
Elenco: Mary Elizabeth Winstead, Ryan Merriman, Kris Lemche, Alexz Johnson, Amanda Crew, Texas Battle, Gina Holden, Jesse Moss, Sam Easton.
Duração: 98 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.