Crítica | Premonição 4

estrelas 2

Desastre é a palavra certa para definir esta quarta parte da franquia Premonição. Além do terrível acidente que vai acometer um grupo de jovens logo na sequência de abertura, a forma como o desenrolar desta narrativa vai ser contada também é desastrosa. Há furos excessivos no roteiro, mortes mais ensaiadas que uma performance de dança e personagens mais rasos que um pires. Sabemos, pela prática cinéfila, que pouco nos importamos com personagens sem expressão: catarse zero.

Sob direção de David R. Ellis, o mesmo de Premonição 2, e roteiro de Eric Bress, do primeiro filme, Premonição 4 renovou o local, aquecendo a economia por conta da crise imobiliária e a devastação ocasionada pelo furacão Katrina. Sem engavetamentos na estrada, surtos em parque de diversão ou avião explodindo, desta vez o terror se espalhará em um espetáculo automobilístico. A narrativa se inicia dez anos após os incidentes do primeiro filme e foca num grupo de jovens liderado por Nick (Bobby Campo).

Ao ter a esperada premonição na abertura, o rapaz entra numa espécie de colapso nervoso e leva consigo algumas pessoas: Hunt (Nick Zano), Janet (Haley Webb), Lori (Shantel VanSantem), Samantha (Krista Allen) e os seus filhos, Carter (Justin Welborn) e o casal Andy (Andrew Fiscella) e Nadia (Stephanie Honore). O que todo mundo já sabe acontecerá: a premonição vai se estabelecer como realidade, muitas pessoas morrerão e os que burlaram os planos da morte amargarão a perseguição implacável da ceifadora de vidas.

O que muda nesse contexto, já que estamos no quarto filme da franquia? Nada. Absolutamente nada. A cansativa impressão que temos é a de que estamos assistindo ao mesmo filme desde o ano 2000. Eric Brass, ciente do sucesso do seu primeiro filme, parece ter esquecido como escrever um roteiro interessante, pois os diálogos são sofríveis e a narrativa arrastada que nem um réptil. Nem as mortes, anteriormente excessivas e divertidas, conseguem surpreender. Há semelhanças com o segundo filme e o final muito parecido com o primeiro.

No que diz respeito aos bons aspectos, há dificuldade em elencar tais pontos. Há alguns personagens relativamente carismáticos, plasticamente atraentes e um elemento externo que faz o filme ter o seu “valor”: as filmagens inicialmente seriam em Vancouver, no Canadá, mas por questões estruturais foram levadas para New Orleans,

No que tange aos aspectos do 3D, serve para aumentar a profundidade, aumentar os efeitos da direção de fotografia, não para jogar coisas na cara do público. Concebido de maneira a agradar o público jovem, tamanha as referências pop e o cotidiano dos personagens, Premonição 4 parece ter a pretensão de mostrar que todo jovem é bobo, vazio e sem ideais. A produção só não é melhor que o seu antecessor, iniciado num parque de diversões.

Depois deste fracasso crítico, mas sucesso financeiro, a franquia ganhou uma versão mais interessante no quinto episódio, foco da nossa próxima análise. Enquanto isso, que tal se aventurar no terrível jogo da morte e tirar as suas próprias conclusões?  Á guisa de curiosidade, o filme dentro do filme, na cena do shopping, é Despertar de um Pesadelo, com Geena Davis e Samuel L. Jackson, o que torna o filme ainda pior, pois sequer souberam adentrar no terreno da metalinguagem: o filme é uma das piores bombas narrativas dos anos 1990.

Premonição 4 (Final Destination 4) – EUA, 2009
Direção: David R. Ellis
Roteiro: Eric Bress
Elenco: Bobby Campo, Shantel VanSanten, Haley Webb, Mykelti Williamson, Nick Zano, Krista Allen, Lara Grice, Phil Austin, Juan Kincaid
Duração: 82 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.