Crítica | Premonição 5

estrelas 3

O medo da morte é uma das questões mais comuns da humanidade. Misteriosa, por mais que haja fé em algo ou estudos científicos que aponte as suas peculiaridades, as dúvidas gravitam em torno da questão. Há a tanatologia, medo da morte que priva determinadas pessoas de sair de casa, relacionar-se socialmente e trafegarem pelas vidas da “depressão” cotidianamente. Não chega a ser o caso dos personagens de Premonição, mas está próximo.

A franquia, por mais desgastada que esteja na atualidade, flerta com esta temática interessante. Por que temos tanto medo de morrer? Dor? Desapego aos elementos materiais? Dúvidas sobre o nosso destino após o desfecho deste nosso ciclo? As questões são muitas e como o assunto é rentável, os produtores da franquia decidiram investir em mais um filme. Cabe ressaltar, entretanto, que estas questões filosóficas sobre a morte não estão presentes diretamente no filme, mas são pontos suscitados numa reflexão de caráter interpretativo. O interesse da produção, diante de tantos desgastes, é mesmo chocar e ganhar dinheiro. Isso já basta.

Quem precisa de novidade quando a sequência de abertura consegue surpreender depois de cinco filmes? Não chega a ser interessante como Premonição 2, a melhor abertura da franquia, mas é extremamente cuidadosa. Desta vez, jovens de uma empresa estão seguindo rumo a uma atividade quando um dos empregados tem a esperada premonição e surta. Todos precisam sair do seu lugar de conforto num ônibus que atravessa uma ponte. Em seu momento de desespero, carrega consigo algumas pessoas e as salva, temporariamente, da morte.

A pergunta que não quer calar: o que acontecerá depois? Já sabemos. A morte retornará para perseguir, de maneira implacável, os jovens ousados que burlaram os seus planos. A outra pergunta que não quer calar: como fazer tudo isso ainda ser interessante? Eis a receita: produzir a tal sequência de abertura com grau extremo de competência, chocar a todos, doses cavalares de grafismo nas mortes e desfecho criativo, coisa que os anteriores não conseguiram alcançar.

As mortes, como em todos os outros momentos da saga, são coreografadas dentro da estética do excesso. Não são novidades, pois parece um pastiche de tudo que já foi feito antes. Com o uso do 3D, a narrativa abusa dos objetos jogados na tela, mas não chega a ser tão exagerado quanto no quarto episódio. Os efeitos especiais são o carro forte do filme, pois com a evolução tecnológica a narrativa alcançou um patamar bastante elevado de “realismo” em determinados trechos.

Como já sabemos, os jovens inicialmente dispersos começarão a se comunicar e andar em grupos depois de perceber que a morte possui um plano para eles. Um a um, começam a morrer impiedosamente. Desta vez, os personagens são razoavelmente melhores que os antecessores (partes 3 e 4). A montagem e a direção de fotografia também são eficientes, fornecem o tom necessário ao filme, sem depender de ferrões musicais para impactar. E, por falar em som, estranho observar que a franquia não faz as suas apostas numa boa trilha sonora, pois a questão musical não é expressiva em nenhum dos cinco filmes.

O sopro de criatividade próximo ao desfecho não foi bem encarado por todos na época, mas considero a melhor opção dos envolvidos na produção. Uma das pessoas a encabeçar a lista da morte surta e decide antecipar algumas mortes, tendo em vista burlar os planos da ceifadora de vidas. Não chega a ser Pânico encontrando Premonição, mas é Premonição oxigenado, numa tentativa sagaz de sair do lugar comum dos dois antecessores, os momentos mais inoportunos da saga. O final, da mesma forma, é igualmente interessante, pois brinca com o caráter cíclico da vida e relaciona os filmes de maneira inteligente.

Premonição 5 (Final Destination 5) – EUA, 2011
Direção: Steven Quale
Roteiro: Eric Heisserer, Jeffrey Reddick, Gary Dauberman
Elenco: Nicholas D’Agosto, Emma Bell, Jacqueline Maclnnes Wood, Miles Fisher, Tony Todd, Ellen Wroe, P.J. Byrne, Bren Stait, Barclay Hope.
Duração: 92 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.