Crítica | Prison Break – 2ª Temporada

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estrelas 3

Obs: Leiam, aqui, a crítica da temporada anterior.

Graças ao complicadíssimo e completamente absurdo plano de Michael, ele e seu irmão mais velho Lincoln e outros seis detentos fugiram da penitenciária de Fox River. E com os agentes carcerários logo atrás em seu encalço. Começa, então, a segunda parte das maquinações de Michael com uma fuga desesperada pelos EUA.

Se há um elemento realmente positivo em todas as temporadas de Prison Break é que Paul Scheuring, mesmo tendo que seguir os ditames draconianos das séries de 20 e tantos episódios, que exigem roteiros que naturalmente enrolam a trama, consegue manter cada temporada razoavelmente auto-contida. Sim, elas contam uma história só, mas cada 22 episódios formam um arco com começo, meio e fim bem definidos, o que renova a série a cada novo começo.

Com isso, o que antes era espaço confinado, agora é espaço aberto. O que antes era um jogo de xadrez com peças cuidadosamente colocadas, agora é uma fileira de dominós que vão sendo derrubados em um correria infernal cheia de reviravoltas e ainda mais exigência de uma suspensão da descrença extraordinária do espectador, algo que faz parte da própria essência da série. Além disso, o que antes ficava reduzido ao capitão Brad Bellick, que compensava sua pouca inteligência com doses cavalares de maldade, agora ganha a ajuda do misterioso agente do FBI Alexander Mahoney (William Fichtner), apresentado nesta temporada. O resultado é um alargamento de horizontes que continua bem tratado, na medida do possível, pelos roteiros da temporada que continuam na linha do “plano de Michael é apresentado, dá errado e, depois, por vias transversas, dá certo”.

Se a 1ª temporada foi uma amálgama de todos os filmes do sub-gênero “fuga de prisão”, a 2ª temporada pega emprestado da inesgotável fonte de obras envolvendo fugitivos pós-encarceramento, a começar, claro, da própria e clássica série sessentista O Fugitivo, adaptada como obra cinematográfica homônima com Harrison Ford, em 1993. Mas, aquilo que era novidade antes, perde seu fôlego aqui, já que o espectador sabe, de certa forma, o que esperar. Isso torna a estrutura de 22 episódios ainda mais pesada, mesmo que a história paralela sobre a investigação do suposto crime cometido por Lincoln continue e ganhe camadas e mais camadas de complicações e mesmo considerando o interessante personagem construído por William Fichtner na perseguição dos Oito de Fox River.

Apesar dos pesares, a 2ª temporada tem seus momentos de tensão e continua prendendo a atenção do espectador diante do que faz melhor: o absurdo. É de rolar de olhos em descrença que o trabalho de Paul Scheuring vive e ele consegue sempre ser eficiente nesse sentido, cada vez menos levando a sério seus personagens e jogando o espectador em uma ciranda interminável de situações recheadas de salvamentos no último minuto, planos que dão errado e outros que inadvertidamente dão certo. Além disso, existe um equilíbrio maior no uso dos personagens aqui. A multitude dos detentos em Fox River tirava um pouco o foco dos principais e, agora que só há oito para prestarmos atenção, a química entre eles passa a funcionar melhor, com o simpático Sucre (Amaury Nolasco) ganhando seu espaço junto ao círculo íntimo de Michael e Lincoln.

A 2ª temporada de Prison Break tem seus momentos e ainda diverte. Como toda série desse tamanho, a mesma história poderia ter sido contada mais eficientemente na metade dos episódios, mas não há muito o que se fazer sobre isso. Com o arco da fuga fechado, a temporada, então, acaba com o maior rolador de olhos possível: o encarceramento de Michael em Sona, a prisão mais violenta do mundo, localizada no Panamá, como parte da trama maior da “Companhia”. E é aí que as coisas realmente absurdas começam a acontecer…

Prison Break – 2ª Temporada (EUA – 21 de agosto de 2006 a 02 de abril de 2007)
Criador e showrunner: Paul Scheuring
Direção: vários
Roteiro: vários
Elenco: Dominic Purcell, Wentworth Miller, Robin Tunney, Peter Stormare, Amaury Nolasco, Marshall Allman, Wade Williams, Sarah Wayne Callies, Paul Adelstein, Robert Knepper, Rockmond Dunbar, William Fichtner
Duração: 960 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.