Crítica | Prometheus

3
Posted 14 de junho de 2012 by in Críticas
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Nota
 
 
 
 
 

2/ 5

Título Original: Prometheus
 
Ano de Produção: 2012
 
País de Produção: EUA
 
Direção: Ridley Scott
 
Roteiro: Jon Spaihts e Damon Lindelof
 
Elenco: Noomi Rapace, Logan Marshall-Green, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elba e Guy Pearce
 
Duração: 124 min.
 
Subcategoria: ,
 

Ridley Scott cria uma ficção-científica visualmente bela, mas, fraca em conteúdo

by José Aragão
Full Article

Ridley, Ridley… Você mudou, cara. Não sei se o motivo foi as campanhas de marketing de seus últimos filmes, que insistem em olhar para o passado e intitulá-lo de “lendário” ou “infalível”, ou você simplesmente se cansou. De seus últimos cinco trabalhos, apenas O Gângster (American Gangster, 2007) consegue alcançar um patamar de alta qualidade. Sim, incluo nesta lista Prometheus (Idem, 2012), sua mais nova produção, que encontra-se em um nível de preguiça semelhante ao terrível Um Bom Ano (A Good Year, 2006).

Escrito por Jon Spaihts e Damon Lindelof, o roteiro conta a história de um time de exploradores que, ao descobrirem evidências de que toda a vida no planeta Terra foi criada a partir de um ser alienígena, partem rumo a um desconhecido planeta que parece ser o lar dos nossos criadores, intitulados de Engenheiros. Seguindo esta premissa, os roteiristas tentam criar um híbrido entre Alien, O Oitavo Passageiro (Alien, 1979) e Aliens – O Resgate (Aliens, 1986), incluindo arcos muito parecidos com o que vimos nos dois filmes: temos a heroína que vira uma guerreira ao longo da projeção, o robô cujas intenções jamais conseguimos enxergar com clareza, o burocrata que não hesita um segundo antes de disparar contra um companheiro a fim de garantir a própria segurança… Temos até o supremo clichê da maioria dos filmes do gênero: o afro-americano que, em um momento de altruísmo, se sacrifica para salvar seus companheiros.

Resultado: mesmo com performances bastante expressivas, o elenco não consegue criar personagens que soem reais para o espectador. David (Michael Fassbender), por exemplo, parece sempre estar à mercê do que o roteiro dita, agindo como um clássico vilão em alguns momentos para, logo após, tornar-se uma criatura bondosa e compreensiva.

Dessa forma, os únicos personagens bem construídos são Elizabeth Shaw, ganhando uma interpretação visceral de Noomi Rapace, e Charlie Holloway que, graças ao ótimo Logan Marshall-Green, consegue ser um dos únicos personagens tridimensionais da narrativa. De resto, temos uma interpretação unidimensional de Charlize Theron, Guy Pearce em modo overacting e Idris Elba no automático. Aliás, qual foi o motivo de criar quase 20 tripulantes para a Prometheus, se apenas estes são importantes? Pelo menos os dois pilotos auxiliares poderiam ser retirados sem causar dano algum à trama.

Contando com elementos da obra de H.P. Lovecraft, Spaihts e Lindelof parecem sempre circular ao redor das perguntas “de onde viemos?” ou “para que fomos criados?” sem jamais conseguir respondê-las de fato. Sim, temos algumas discussões sobre o papel da religião ou da fé nas crenças de cada um, mas tais questões ganham respostas tão insatisfatórias que até uma criança poderia ter respondido melhor.

Além disso, a trama em si contém furos e lacunas gritantes, como as reais motivações dos tais Engenheiros durante toda a projeção, a importância da grande escultura em formato de um rosto humano, e até mesmo o estranho e fatal experimento que o robô David realiza em um dos tripulantes. Pior ainda, o filme parece julgar que o seu público tem poucos neurônios, ao tentar empurrar as tais perguntas para uma possível continuação, preferindo concentrar-se em sua trama de terror no pior estilo “B” com reviravoltas forçadas e diálogos expositivos (“Father!”).

E aí entra o segundo pior aspecto de Prometheus: a direção de Ridley Scott. Cineasta cujo estilo visual é sempre forte, Scott parece ter esquecido tudo que aprendeu com sua primeira ficção-científica, cometendo os mesmos erros que fizeram de Hannibal (Idem, 2001) uma experiência visualmente frustrante. Capaz de criar belas sequências, como o prólogo que mostra a criação da vida na Terra ou os minutos em que acompanhamos o dia-a-dia de David, Scott parece ter esquecido como criar suspense, negando-se a deixar qualquer criatura ou situação para a nossa imaginação.

Para piorar a situação, o diretor abusa dos fracos efeitos visuais, concebendo monstros visivelmente ridículos e desinteressantes (atrevo qualquer um a dizer o mesmo do xenomorfo da série Alien). Triste, uma vez que a direção de arte da produção está de parabéns, criando áreas que evocam grandeza, como o interior branco e tecnológico da Prometheus, que se choca ao ser comparado com o interior estéril e seco da Pirâmide Alienígena.

Porém, o golpe de misericórdia é apenas dado ao final da projeção, quando o diretor e os roteiristas tentam criar uma realidade alternativa para este prequel (sim, é realmente uma pré-sequência de Alien), ao alterar o local da morte do principal antagonista que (spoiler) em Alien – O Oitavo Passageiro, falecia com seu peito estourado dentro da nave em forma de semicírculo.

Dessa forma, nascem duas proles indesejadas: um novo tipo de monstro, e uma produção que empalidece ao ser comparada com qualquer exemplar da série original.



Comentários

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About the Author

José Aragão

José Aragão, 23 anos, maceioense, futuro escravo branco (estudante de jornalismo) e cinéfilo com forte fetiche por filmes de terror. Está tentando fugir do concurso público por enquanto, mas sabe que logo logo, terá de correr atrás de um. Espera um dia conseguir um pagamento maior do que um salário mínimo escrevendo ou criando arte. Ah! E fez o curso de Crítica Cinematográfica de Pablo Villaça, onde apenas conseguiu tirar uma foto tremida com o ídolo.

3 Comments


  1.  
    Abel de Carvalho Filho

    Não sabemos se vale a pena criticar uma obra (e os seus responsáveis) que desplantemente promete a revelação de quem é Deus numa próxima seção de pipocas shoppinescas.




  2.  
    Lucca

    Gostei da critica, curti o filme mas tive que concordar com tudo dito acima, filme me deixou insatisfeito pois realmente nao mostra a solucao de nenhuma das perguntas feitas, e somente cria mais na minha cabeca, apos a ideia de sermos criados por engenheiros, tudo virou muita ficcao p o meu gosto, esperava um filme de revelacoes, que mudaria o meu modo de pensar, porem o prometheus 2 foi confirmado, se responder bem a todas as perguntas, tem tudo para ser um otimo filme!!




  3.  
    Fereydoun

    Assino em baixo da crítica 100.000.000%. É exatamente tudo o que eu pensava enquanto assistia. Como entusiasta (principalmente do primeiro e do dirigido por Cameron), eu imaginava milhares de possibilidades interessantes para o que se poderia fazer com uma prequell dessa série. Será que Ridley Scott está senil? O que aconteceu com o Ridley que eu tanto admirava?! Ao ver todos aqueles trailers e entrevistas dele no YouTube (que não mostravam as fraquezas que são apontadas acima) eu fui acumulando expectativas cada vez maiores. Que desperdício de uma oportunidade maravilhosa para fazer um filme de ficção merecedor de tudo que é prêmio! Tem cineastas entrando agora na industria que estão fazendo trabalhos bem mais maduros que essa bobagem. Prometheus “prometeu” demais.





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