Crítica | Psicose (Trilha Sonora Original)

estrelas 5,0

Qualquer um que acompanhe o mínimo de histórias do Cinema, sabe muito bem que Psicose foi uma das mais conturbadas produções de sua época, muito principalmente por pesada interferência do estúdio que resultou em muita dor de cabeça para o diretor Alfred Hitchcock e até mesmo um filme com Anthony Hopkins sobre esses mesmos problemas. Envolto na ilha de edição daquele que seria seu primeiro terror, o Mestre do Suspense teria ouvido pela primeira vez a música do veterano Bernard Herrmann para seu filme… E daí teria saído um dos primeiros raios de esperança para aquele que viria a se tornar um clássico imortal do Cinema.

Sendo Psicose uma produção de orçamento reduzido, isso inclui um salário menor para todos os envolvidos, o que inclui o compositor Bernard Herrmann. Relutante para aceitar um trabalho com cachê menor, Herrmann aceitou a tarefa, mas na condição de descartar a ideia original de Hitchcock de utilizar uma orquestra sinfônica de jazz completa, limitando-se a uma trilha mais sutil onde instrumentos de corda prevalecem. Na visão do compositor, uma abordagem do gênero refletia bem a estética preto e branco do filme, e definitivamente ajudou a criar mais tensão do que a dupla imaginava.

De cara, Herrmann já chuta a porta com o arrepiante tema principal, Prelude, nos créditos iniciais, como se preparasse o espectador para o que viria a seguir. Essa faixa é uma das melhores representações sonoras da psicopatia no cinema, com a violenta percussão de cordas e violinos que é muito capaz de mandar arrepios à pele. Depois, Herrmann diminui o ritmo para as composições centradas no arco de Marion Crane, agora mantendo algo mais calmo e sereno (especialmente em Marion and Sam), que vai lentamente se modificando em algo mais suspeito (a linda Temptation usa de um sagaz violoncelo para simbolizar suas dúvidas) que segue a iminente corrupção de sua personagem. Tudo isso para o marcante tema principal retornar em Patrol Car, e o espectador já é capaz de temer pela segurança de Marion.

Mas quando pensamos em Psicose, não tem outra… Todos pensamos na imortal cena do  chuveiro, onde nossa protagonista é brutalmente esfaqueada pela Sra. Bates. Não me darei ao trabalho de analisar a brilhante composição da cena e tudo o que esta significa para o estudo da Montagem, mas  posso contestar sem a menor sombra de dúvida que The Murder é um das músicas mais icônicas já criadas na História. Não só pontua com perfeição a arrepiante cena do chuveiro, sua percussão aguda garante uma espécie de “grito” à faca, sendo uma peça realmente difícil de ser superada. Um arranjo similar é utilizado em The Stairs e Discovery, marcando as outras duas aparições de Norma Bates. Confesso que a música de Herrmann ainda é capaz de me fazer pular na cadeira.

A trilha sonora de Bernard Herrmann para Psicose é uma das melhores e mais icônicas de todos os tempos. Sua orquestra limitada garante uma tensão ininterrupta para a narrativa, enquanto suas explosões de violência resultam em alguns dos acordes mais memoráveis da História do Cinema.

Pyscho: The Complete Original Motion Picture Score
Composta por Bernard Herrmann
País:
EUA
Lançamento: 1960
Gravadora: Varese Sarabande
Gênero: Trilha Sonora

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.