Crítica | Punho de Ferro (Minissérie – 1998)

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estrelas 2,5

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A partir de 1997, depois da tentativa frustrada da Marvel Comics de estabelecer o Punho de Ferro novamente em um título próprio a partir da terrível minissérie de James Felder e Robert Brown, o herói passou a liderar o grupo Heróis de Aluguel, composto, dentre outros, por Luke Cage, Cavaleiro Negro, Hulk e Tigresa Branca, empreitada essa que durou apenas 19 edições, até 1999. Mas, durante esse período, Danny Rand figurou em mais uma minissérie solo que, assim como a anterior, volta ao seu passado remoto para ressuscitar pessoas que em tese estariam mortas.

Misericordiosamente, porém, o resultado do trabalho de Dan Jurgens no roteiro e Jackson Guice na arte, com finalização de Scott Koblish é muito superior ao que vimos com Felder e Brown, o que, diga-se de passagem, não é necessariamente um elogio, já que a primeira minissérie noventista do herói é intragável do começo ao fim. Portanto, na comparação – e apenas nela – a segunda história solo de Punho de Ferro nos anos 90 é bastante razoável. Mas somente isso, infelizmente.

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O objetivo foi trazer de volta à vida Miranda Rand-Kai e seu amante Conal D’Hu-Tsien, ambos de K’un Lun e que foram vistos pela primeira e última vez dentro de casulos de estase dos H’Ylthri, seres vegetais inimigos dos habitantes da Cidade Proibida, em Punho de Ferro #2, de 1975. Para isso, Jurgens cria todo um mistério com dois personagens uniformizados tentando forçar Danny Rand, que está de férias em São Francisco, a roubar a poderosa Chave Zodíaco de uma instalação da S.H.I.E.L.D. Para isso, eles revelam ao herói que Miranda, sua irmã, estaria viva e que fora sequestrada. Claro que Danny aceita a missão e a cumpre usando suas habilidades marciais e o grande segredo da história é finalmente revelado ao final como algo bombástico, mas que qualquer leitor com um mínimo de bom senso conseguiria acertar a partir das primeiras páginas do primeiro número. Todo o malabarismo de Jurgens em seu texto e todos os estranhos personagens que usa – um ser mascarado que aparece do nada chamado Sharyd, o Cimitarra visto pela última vez na longínqua Punho de Ferro #5, Joy Meachum, filha do assassino de seu pai, outra cuja presença não tem lógica e Malik, que convenientemente salva sua vida no aeroporto de São Francisco – não se encaixam de verdade e só complicam uma história básica, que poderia ter sido contada em apenas um número.

A arte de Jackson Guice é um grande alívio depois de ler a mixórdia desenhada por Robert Brown na minissérie anterior. Guice tem traços mais limpos e esguios, que funcionam bem para os malabarismos e golpes de Punho de Ferro, ainda que não passem de medianos em linhas gerais, por jamais tentar sair do lugar-comum e ao falhar em trabalhar os detalhes das imagens em segundo plano. Há também um pouco do vício da década de 90 em pecar pelo exagero, mas aqui o problema fica limitado aos uniformes dos casal visto apenas no início e ao final da história, nada que realmente cause espanto. A grande vantagem é que a pretensa e falha complexidade do texto de Jurgens não é acompanhada pela arte, o que torna mais equilibrado o resultado final.

Engraçado como um super-herói que começou tão bem quanto Punho de Ferro tenha sido relegado a fraquíssimas obras solos a partir dos anos 90. A grande verdade é que os fãs do personagem só veriam algo realmente relevante novamente com ele em 2006, sob a batuta de Ed Brubaker, Matt Fracion e David Aja. Mas, antes de chegar lá, outras duas minisséries seriam publicadas já nos anos 2000. Mas pelo menos Danny Rand e sua mitologia não foram esquecidos, como aconteceu, por exemplo, com Shang-Chi, o Mestre do Kung-Fu que, depois do encerramento de seu título solo, apareceu novamente somente em 1990 e em 2002, sendo relegado a basicamente um personagem acessório em outras histórias e publicações.

Punho de Ferro (Iron Fist: Into the Fold, EUA – 1998)
Contendo: Punho de Ferro (1998) #1 a #3
Roteiro: Dan Jurgens
Arte: Jackson Guice
Arte-final: Scott Koblish
Cores: Tom Ziuko
Letras: Bill Oakley
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: julho a setembro de 1998

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.