Crítica | Punk Rock Jesus #2 de 6

Recentemente o Plano Crítico recebeu a ilustre (e possivelmente trolladora) visita e um cidadão de sobrenome Viana, que tem manifestado suas fortes opiniões contrárias às postagens “mundanas” que temos feito recentemente. Com a Lista dos Filmes de Macho dos anos 80 de Ritter Fan e minhas reviews de Deadpool e Punk Rock # 1 devidamente repreendidas, creio que o nosso visitante não vá gostar muito dessa segunda edição de Punk Rock Jesus, e teria sérios problemas de saúde se chegasse a ler essa HQ.

Nesta segunda revista Sean Murphy mostra os bastidores da criação do menino Jesus-clone. A Virgem “Gwen” Maria entra em depressão pós-parto e deseja desesperadamente sair da clausura do prédio da J2, onde acontece o reality show. Dentre as muitas coisas que poderia abordar, Murphy aposta inteligentemente em uma projeção para o futuro do papel dos envolvidos no projeto. Essa edição é repleta de acontecimentos que dão uma outra cor à história, como a visita frustrada à casa dos pais de Gwen, os falsos milagres do bebê Jesus-clone, a estrondosa audiência do programa e a gravidez da Dra. Epstein.

Outro fato curioso é que vemos as sementes de uma estrutura familiar serem lançadas. Em um eficiente flashback, acompanhamos momentos da infância de Thomas e possivelmente o momento em que as palavras “cristão”, “católico” e “luta” foram postas numa mesma frase para o garoto e definiu o que ele seria dali a alguns anos. Por trás da segurança prestada pelo brutamontes, percebemos que há o coração de um religioso convicto, mas de uma fé muito pessoal e fora dos dogmas típicos ou estruturais da maioria dos religiosos. Se está no projeto por acreditar que o clone de Jesus é uma “segunda vinda”, Thomas não age como se fosse apenas um religioso babão que se gaba de estar protegendo a segunda maior personalidade de todos os tempos.

O controle do dono da J2 sobre todos a sua volta é algo realmente chocante. Parece que ele tem as cartas certas e as usa nos momentos mais determinantes da trama. O roteiro de Sean Murphy caminha tranquilamente por entre os desejos de cada personagem desse projeto científico e de entretenimento cujas intenções se tornam cada vez mais duvidosas. Não realizados os desejos, o desespero aparece em cena, e é quando o primeiro pedido por um milagre aparece, justamente quando a edição termina.

A continuação da trama é muito melhor que sua abertura. A arte ganhou proporções maiores e os desenhos quase cubistas dos rostos de algumas personagens demonstram muito mais de sua psicologia do que páginas e páginas de ação. Os detalhes sobre os cenários permanecem e constituem a grande riqueza da arte da revista. Punk Rock Jesus tem tudo para ser uma série inesquecível.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.