Crítica | Quarteto Fantástico # 1 – Marvel NOW!

Apesar de eu ser fã dos heróis Marvel, nunca consegui verdadeiramente gostar da mais famosa família da editora, o Quarteto Fantástico. Não sei exatamente identificar a razão, mas nunca vi nada de muito especial com o Sr. Fantásticos, a Mulher Invisível, o Tocha Humana e o Coisa. Ok, o Coisa é interessante e com potencial dramático, mas que, pelo menos para mim, nunca foi explorado de verdade.

De toda forma, quando lia quadrinhos com constância, o Quarteto Fantástico entrava na “bolo” e, por muitos e muitos anos, acompanhei as desventuras cósmicas dele. Agora, como parte do projeto Marvel NOW!, Matt Fraction sai de Homem de Ferro e passa a encabeçar duas revistas relacionadas com o Quarteto: a que é objeto da presente crítica e FF # 1, que sairá mês que vem e que apresenta um novo Quarteto para cuidar do planeta Terra, durante a ausência do Quarteto original. E que ausência é essa?

Bom, há 2,6 milhões de anos, Reed Richards e sua turma estão dentro da boca de um dinossauro, tentando sair. Reed é mordido e, para sua surpresa, ele efetivamente se fere. Susan o protege com um escudo invisível e eles conseguem voltar para o presente, caindo na super-populosa mesa do café-da-manha do Edifcío Baxter. Antes disso, porém, vemos Franklin Richards ter um sonho premonitório, passado um ano no futuro, que o leva a pedir para sua mãe não ir mais ao espaço. É óbvio que Richards não demora muito para descobrir que o mal que lhe aflige pode ser incurável (sim, fingirei que acredito nisso) e que a cura pode estar em “universos desconhecidos”. Assim, ele resolve iniciar o conserto da nave Pestilência que consegue saltar no tempo e no espaço, e planeja uma viagem exploratória de um ano com toda a família.

Não há como não torcer o nariz para narrativa tão cheia de problemas como essa. Fraction queria mais uma saga cósmica para o Quarteto Fantástico e conseguiu arrumar uma desculpa extremamente esfarrapada para que isso acontecesse. Como podemos acreditar que Reed quer levar suas crianças por todo o universo sob a desculpa de que é uma expedição segura e com fins educativos? Como podemos acreditar que Susan cai nessa conversinha mole do marido sem nem perguntar sobre seu braço ferido e suas verdadeiras intenções? Por que Reed precisa viajar com a família toda se ele explica claramente que eles podem passar um ano fora e, devido às propriedades da nave, voltarem no mesmo segundo que partiram? Seus filhos não sentiriam sua falta, não é verdade?

Ainda que as aventuras do Quarteto sejam tradicionalmente espaciais, multi-dimensionais e multi-temporais, tenho certeza que essa volta à fórmula padrão poderia ter sido melhor explicada. A própria narrativa se trai e trata de uma questão em tese simples de maneira complicada. Reed Richards, por ser um gênio, deve achar que todo mundo ao seu redor deve ser burro, especialmente seus leitores. Ou seria Matt Fraction trabalhando com conceitos tão simplórios que não consegue realmente criar nada minimamente interessante? Não que seja contra a exploração espacial pela família Richards, pois isso pode abrir um manancial de situações novas para eles enfrentarem. Aliás, essa é a única esperança que resta, pois se Fraction começar a requentar ameaças já há muito estabelecidas na mitologia do Quarteto, será complicado seguir acompanhando essa revista.

Como Fraction também escreve FF (Future Foundation), as duas HQs, pelo menos no início, revezarão em continuidade. Como desculpa, Fraction faz Reed nos explicar que, apesar de a ausência do Quarteto não poder ser sentida na Terra, devido à nave Pestilência, ele precisa deixar alguém para guardar o planeta e o que veremos será a formação de um novo e inusitado Quarteto, composto pelo Homem Formiga, Medusa, Mulher Hulk e uma “Mulher Coisa” (que nunca ouvi falar). É esperar para ver no que vai dar.

No quesito arte, Mark Bagley mostra que sua volta para a Marvel em 2011 só lhe fez bem e ele desenha o Quarteto de forma magnífica. Afinal de contas, ele, junto com Brian Michael Bendis, foi responsável por anos do Homem Aranha do Universo Ultimate. Os conceitos elevados da tecnologia absurda de Richards e certamente do que ele verá pela frente será um desafio para Bagley, mas, a julgar pelo primeiro número, estamos em boas mãos. Se Fraction nos fizer esquecer do porquê da viagem no espaço-tempo do Quarteto, com situações inusitadas e originais, pode ser – mas escrevo sem convicção – que tenhamos uma boa revista pela frente.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.