Crítica | Quarteto Fantástico #13 a 24 (1963-1964)

Leia sobre a origem criativa do Quarteto Fantástico e sobre cada uma das primeiras 12 edições do grupo, entre 1961 e 1963, bem aqui:

Quarteto Fantástico #1 a 12 (1961-1963)

Aproveite e leia todas as nossas postagens sobre o grupo, aqui:

Especial Quarteto Fantástico

E, agora, acompanhe-nos em mais uma jornada ao passado, com as críticas dos números 13 a 24 da mais importante publicação da Marvel Comics de todos os tempos.

estrelas 3,5

Quarteto Fantástico #13
(abril de 1963)

quarteto fantastico 13 capaVoltando ao tema que deu origem ao grupo, Stan Lee aborda a viagem espacial – dessa vez a alunissagem – como elemento fundamental da Guerra Fria. Com isso, vemos o Sr. Fantástico com sua mais recente invenção um combstível capaz de levar foguetes ao espaço que, ato contínuo, leva o grupo à lua.

A oposição vem simbolizada pelo vilão Fantasma Vermelho e seus Super-Macacos. Propositalmente banhados em raios cósmicos, para emular os poderes do Quarteto Fantástico, o vilão ganha o poder de se tornar intangível e seus animais os mais variados poderes. Correndo para o lado azul da lua, os dois grupos descobrem traços de uma civilização anterior e se digladiam quando se encontram, somente parando por interferência do Vigia, estranhíssimo ser que lá habita e tudo observa, sem poder interferir nos acontecimentos, mas sempre interferindo. Aliás, é curioso notar como o Vigia chega a não só interferir discretamente como a ativamente colocar o Quarteto contra o Fantasma Vermelho, quase que como o Beyonder faria em Guerras Secretas.

A história em si, que conta a origem do vilão e mostra o vigia pela primeira vez tem ritmo, mas não empolga tanto, talvez por uma falta de foco ou mesmo pela pouca credibilidade que o Fantasma Vermelho e seus macacos passam em termos de ameaça. Os traços de Jack Kirby continuam firmes e sua criação do Vigia é tão icônica que os artistas que sucederam o mestre pouco modificaram sua forma de apresentação ao longo das décadas.

Curiosidades do número:

– Origem e primeira aparição do Fantasma Vermelho e de seus Super-Macacos
– Primeira aparição do Vigia
– Primeira vez, depois da viagem que deu origem ao Quarteto Fantástico, que o grupo sai da Terra por conta própria

estrelas 2,5

Quarteto Fantástico #14
(maio de 1963)

quarteto fantastico 14 capaApesar de Quarteto Fantástico #14 começar exatamente no ponto onde o número anterior acabou, as duas histórias não podem ser consideradas como formadores de um mini-arco. Afinal, apenas vemos o Quarteto voltando da Lua e recebendo aclamação pelo governo e público americanos. Depois disso, a narrativa muda completamente e passa a focar na volta do Mestre dos Bonecos que, conforme é revelado, mas não explicado, não morrera ao final de Quarteto Fantástico #8 (surpresa, surpresa!).

O vilão, então, para se vingar do Quarteto Fantástico, cria um boneco de Namor com sua argila radioativa e passa a controlar o senhor de Atlântida que ainda aparece procurando seus súditos que desaparecem durante as décadas em que ele permaneceu desmemoriado depois da Segunda Guerra Mundial. A relação platônica entre Sue e ele é também revivida, de maneira que o leitor não se esqueça do triângulo amoroso que é, até hoje, elemento fundamental da mitologia dos personagens.

A trama em si é simplista, com o Mestre dos Bonecos controlando Namor, Namor derrotando o Quarteto e, depois, o Quarteto dando a volta por cima. Lee carrega na narração, já que o vilão fica nas sombras literalmente nos contando tudo que vemos, em um bis in idem irritante, mas que sempre caracterizou os roteiros dele.  Mas Lee escreve de maneira a dar vazão à criatividade de Jack Kirby, que lida muito bem com os embates entre o Quarteto, Namor e as várias criaturas aquáticas que ele comanda.

Curiosidades do número:

– Namor finalmente é desenhado com calção na cor verde

estrelas 0,5

Quarteto Fantástico #15
(junho de 1963)

quarteto fantastico 15 capaEssa história ilustra muito bem a inabilidade narrativa que muitas vezes acometia Stan Lee. Sim, ele foi um grande criador de personagens, um excelente marketeiro e o cara que literalmente ergueu a Marvel Comics, transformando-a na editora que conhecemos hoje em dia. Mas ele nunca foi um grande roteirista, por mais benevolentes que tentemos ser.

O vilão da vez é o Pensador Louco cuja função é criar planos elaboradíssimos e altamente improváveis, com a ajuda de seu super-computador. Querendo dominar o crime em Nova York ao ponto de transformar a ilha em um país independente, ele arregimenta as gangues locais e trata de se livrar do Quarteto Fantástico, que se separa pela primeira vez. Mesmo que perdoemos o plano escalafobético do vilão, mesmo que aceitemos que o Quarteto (especialmente Reed) seja fisgado pelas razões mais bobas, mesmo que tudo seja fácil e simples no olhar do Pensador Louco, é impossível – realmente impossível – não se desesperar com a enorme quantidade de texto expositivo ao longo da narrativa. É tanta explicação por parte do Pensador, tanta palavras nos balões de fala que Jack Kirby fica sem espaço para trabalhar e acaba entregando um de seus trabalhos mais fracos sem que haja um pingo de culpa dele.

Lee extrapola todos os limites do razoável aqui e esquece que está escrevendo para uma mídia eminentemente visual que, com um bom artista, torna desnecessários textos que explicam o que está acontecendo ou o que vai acontecer. O autor trata seus leitores como idiotas e destrói o que poderia ter sido uma leitura divertida. Pensador Louco nada. O vilão, aqui, é o Escritor Louco.

Curiosidades do número:

– Primeira “separação” do Quarteto Fantástico
– Primeira aparição do Pensador Louco
– Primeira aparição do Androide do Pensador Louco (conhecido depois como Andy)

estrelas 3,5

Quarteto Fantástico #16 e 17
(julho e agosto de 1963)

quarteto fantastico 16 capaNinguém achou que o Doutor Destino, depois de encolher até sumir em Quarteto Fantástico #10, havia morrido, não é mesmo? Fazendo muito mistério, com encolhimentos do nada dos membros do Quarteto e vozes incorpóreas que eles passam a ouvir, Stan Lee revela que Destino, na verdade, foi parar em um reino subatômico que ele logo dominou por intermédio do uso de seu raio encolhedor (sim, ele encolheu os já diminutos habitantes do local) e, com o tempo, passa a atrair seus arqui-inimigos para lá.

Mesmo que a aura de mistério estabelecida no início não faça, na verdade, sentido prático algum e mesmo não entendendo a necessidade de se transportar o Quarteto para o reino microscópico para derrotá-los, a história até que se sustenta bem. Lee faz um crossover com o Homem-Formiga, que ajuda o Quarteto com suas partículas Pym, e Kirby tem a oportunidade de desenhar um reino diminuto interessante, ainda que ele não tenha tido tempo de trabalhar muitos detalhes, como de hábito.

quarteto fantastico 17 capaFormando um mini-arco, a história no proto-Microverso continua já com os heróis em tamanho normal, perseguindo Destino em Nova York. Mas, na verdade, Destino tem outro plano, um que envolve disfarçar-se de ascensorista e implantar localizadores em cada membro do Quarteto, para que ele possa enviar “bonecos” voadores para causar problemas para cada um deles (o da Mulher-Invisível, ou Garota-Invisível, naquela época, tem bolinhas rosas, não é simpático?). Mas essa é só uma parte de um complicadíssimo plano de Destino que envolve ameças aos governos americano e soviético, uma nuvem espiã, raios desintegradores, o sequestro de Alicia e assim por diante.

Apesar da tendência de Lee de encher os quadros com textos explicativos, considerando os detalhes do plano é até surpreendente ver a relativa economia aqui. Tudo é detalhado, claro, mas há suficiente fluidez para que a história não ande aos trancos e barrancos. E Kirby tem espaço para se divertir desenhando as várias armadilhas criadas por Destino ao longo do caminho.

Curiosidades do número:

– Primeiro crossover do Quarteto Fantástico com o primeiro Homem-Formiga
– Primeira vez que um universo microscópico é mencionado na Marvel Comics na chamada Era de Prata dos quadrinhos. O que seria conhecido coletivamente como Microverso surgiu pela primeira vez em Capitão América #26, de maio de 1943, mas é nessa aventura do Quarteto Fantástico que ele começa a tomar a forma que ganharia nas décadas seguintes
– John Kennedy, o presidente americano, faz uma ponta
– Quarteto Fantástico #16 foi o primeiro número a eliminar o artigo “The” do título The Fantastic Four, passando a ser, somente, Fantastic Four

estrelas 4

Quarteto Fantástico #18
(setembro de 1963)

quarteto fantastico 18 capaOs Skrulls, alienígenas com a habilidade de mudar de forma que o Quarteto Fantástico enfrenta e derrota logo no segundo número de sua publicação, voltam a atacar a Terra. Mas, agora, o Império Skrull desenvolve uma arma mortal com o objetivo específico de derrotar os heróis: o Super-Skrull, um guerreiro geneticamente alterado que tem cada uma das habilidades do Quarteto Fantástico, com algumas melhorias. Sempre gostei do conceito do Super-Skrull, apesar de ele ser um daqueles vilões que só existem para apanhar como cão ladrão.

De toda forma, a história é divertida e cheia de ação, com lutas interessantes de cada um dos componentes do Quarteto contra o vilão que consegue ser superior em tudo, mas acaba perdendo, claro, em razão do intelecto superior de Reed Richards. A narrativa é carregada em sequências de pancadaria, o que evita os textos alongados de Stan Lee e abre espaço para os desenhos de Jack Kirby, em uma combinação muito equilibrada e fácil de ler.

Curiosidades do número:

– O Coisa menciona o Clube do Mickey. Uma premonição de que a Disney compraria a Marvel 50 anos mais tarde?
– Primeira aparição do planeta natal dos Skrulls
– Primeira aparição do Supe-Skrull

estrelas 4

Quarteto Fantástico #19
(outubro de 1963)

quarteto fantastico 19 capaEm uma segunda viagem pelo tempo, dessa vez para descobrir a cura da cegueira no Antigo Egito, depois de pesquisa de Reed Richards, o Quarteto Fantástico tem que lidar com Rama-Tut, faraó que, na verdade, é também um viajante do tempo, preso no passado depois de sair de sua era, o ano 3.000. O interessante é que Rama-Tut se apresente como descendente do Doutor Destino e esse aspecto seria explorado incontáveis vezes na década seguinte, com o vilão tomando a forma de Immortus, Kang e até mesmo Nathaniel Richards, pai de Reed.

O resultado da aventura é acima da média novamente, com uma boa recriação do passado e o encadeamento de raciocínio de maneira lógica, sem muita correria. É claro que, como de costume, há uma arma poderoso o suficiente para deixar o Quarteto sob o comando do vilão, mas isso é algo que já faz parte da mitologia dos personagens e do próprio tecido da fábrica de quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby.

Mas a diversão, aqui, é garantida pelos paradoxos temporais criados (ainda que cruamente) e pela eficiente arte de Kirby que comanda muito bem o presente, passado e futuro, imprimindo características distintas e claras a cada uma das eras exploradas na narrativa.

Curiosidades do número:

– Primeira aparição de Rama-Tut

estrelas 2

Quarteto Fantástico #20
(novembro de 1963)

quarteto fantastico 20 capaHeróis ou vilões extremamente poderosos normalmente geram histórias medíocres pelo simples fato de que qualquer ameaça a eles é de fácil resolução, com um piscar de olhos. Esse é caso de Quarteto Fantástico #20, que traz de volta o Vigia para avisar o Quarteto Fantástico de uma ameaça à Via Láctea personificada pela origem do Homem-Molecular, depois de uma acidente (claro!). Seus poderes são vastos, podendo alterar tudo que é inorgânico em qualquer coisa inorgânica. Ou seja, ele tem o poder de cercar o Quarteto Fantástico em uma redoma inquebrantável de qualquer material e enchê-la de veneno, mas é claro que ele não o faz.

Assim, a luta entre o vilão e o Quarteto torna-se risível do começo ao fim, com tijolos sendo lançados ao ar, redomas de vidro cercando Nova York, jornais mumificando Sue Storm e encanamentos de metal amarrando o Coisa. É a típica “não-história”, que poderia – deveria! – acabar em apenas uma página diante do colossal poder entregue a uma pessoa que torna qualquer resistência uma total futilidade. Em vista da arte de Jack Kirby, que comanda bem a ação, não é um número completamente imprestável, mas não dá para perdoar a criação de um semi-deus que não tem inteligência para usar seus poderes de maneira minimamente eficiente.

Curiosidades do número:

– Primeira aparição do Homem-Molecular
– Primeira vez que os rostos dos membro da gangue da Rua Yancy são mostrados

estrelas 2,5

Quarteto Fantástico #21
(dezembro de 1963)

quarteto fantastico 21 capaA capa revista exorta os leitores a não revelarem a identidade do Monge do Ódio ao acabarem de ler a história! O mistério é mantido até a última página sobre quem exatamente é esse vilão que, com uma arma de raios, coloca os membros do Quarteto Fantástico um contra o outro.

Essa jogada de marketing de Stan Lee é bem interessante e a revelação final – o vilão é, na verdade, ninguém mais ninguém menos do que Adolf Hilter! – uma daquelas que realmente surpreendem por ser tão completamente impensável. Mas infelizmente é só. Lee acaba se enrolando na história, escrevendo idas e vindas completamente sem sentido em um texto que, apesar de levantar questões importantes, o faz de maneira simplista e boba, sem realmente tentar mergulhar a fundo nas questões de ódio. É bem verdade que assuntos dessa natureza eram normalmente pouco abordados nos quadrinhos da época (as histórias dos X-Men, criados em 1963, eram honrosas exceções, mas mesmo assim muito tímidas) e não se podia esperar muito aqui, mas criar um vilão cuja identidade é Hitler precisaria um pouco mais de pompa e circunstância e não um uniforme espalhafatoso, armas de raio e invasões em países latino-americanos.

Mas, se olharmos apenas pelo lado da aventura e pela participação de Nick Fury, então um agente da CIA, é perfeitamente possível gostar, ainda que superficialmente, do resultado final. É uma história que tinha potencial, que se desenvolve bem, mas que desaponta ao final. Uma pena.

Curiosidades do número:

– Primeiro crossover do Quarteto Fantástico com o Sargento Fury (sim, o Nick Fury)
– Primeira aparição do Monge do Ódio

estrelas 3,5

Quarteto Fantástico #22
(janeiro de 1964)

quarteto fantastico 22 capaNão aguentando mais as reclamações dos vizinhos sobre suas atividades no edifício Baxter, o Quarteto Fantástico parte para uma ilha na cota de Nova Jérsei apenas para descobrir que ela é o novo quartel general do Toupeira, seu primeiro inimigo que volta triunfalmente depois de 21 edições. Agora acompanhado de seus servos Moloides, o Toupeira inicia um plano intrincado no estilo do Doutor Destino para derrotar seus inimigos.

Mas, antes disso, descobrimos que Sue Storm tem muito mais poderes que imaginamos e Stan Lee emprega muitas páginas para ampliar suas capacidades invisíveis, algo que, junto com as reclamações dos vizinhos toma quase que a metade da publicação. No entanto, há um razão para isso e ela já havia sido expressa mesmo dentro de histórias anteriores: os poderes de Sue, nesse começo de carreira, parecem “inúteis” diante dos poderes de seus colegas de profissão. Assim, Lee trata de fazer um bem vindo retcon, aumentando significativamente seus poderes, o que é fundamental, claro, para a resolução da narrativa em Subterrânea, lar do Toupeira.

Apesar de simplista, a história cumpre sua função de ao mesmo tempo fazer com que o grupo lide com aspectos mundanos de seu dia-a-dia e com bizarrices super-heroísticas, em uma combinação que sempre agradou a seus fãs e que caracterizaria a Primeira Família por muitas décadas. Aliás, falando em bizarrices, Kirby está à vontade com o misto de tecnologia e criaturas monstruosas que o roteiro exige, resultando em um de seus melhores trabalhos desse conjunto de edições aqui criticadas.

Curiosidades do número:

– Sue Storm passa a ter diversos novos poderes: criação de escudos de força invisíveis e tornar qualquer coisa ou ser vivo invisível
– Primeira aparição dos Moloides
– Primeira menção a Subterrânea, reino subterrâneo do qual a Ilha Mostro de Quarteto Fantástico #1 faz parte

estrelas 3,5

Quarteto Fantástico #23
(fevereiro de 1963)

quarteto fantastico 23 capaAparentemente, todos os planos maquiavélicos do Doutor Destino precisam ser altamente complexos. Stan Lee não consegue escrever nada para o vilão que não seja repleto de armadilhas, reviravoltas, surpresas e planos dentro de planos. O resultado é que cada embate entre o vilão e o Quarteto Fantástico fica parecendo as Olimpíadas do Faustão, com um monte de provas que cada membro tem que enfrentar para sair triunfante ao final. E sempre, quase religiosamente, Lee “mata” Destino ao final somente para revivê-lo alguns números depois…

E não é diferente aqui. Destino arregimenta os serviços de três criminosos, aumentando seus poderes para que eles possam enfrentar Sue, Johnny e Ben, deixando Reed, o prato principal, para o vilão. Mas essa é só a ponta do iceberg, pois o plano vai muito além do uso de vilões de décima quinta categoria para enfrentar o Quarteto e envolve um sem-número de armadilhas repetitivas, mas divertida e até mesmo a passagem de uma “onda solar” sobre o armazém para onde o grupo é atraído. Chega a ser uma viagem lisérgica o trabalho de Stan Lee aqui e, diante do absurdo quase dadaísta, a história acaba funcionando.

Kirby, novamente, faz um bom trabalho, pois tem material para tanto, ainda que ele peque nos detalhes de fundo em seu trabalho “a toque de caixa”.

Curiosidades do número:

– É revelado que a máquina do tempo do Doutor Destino foi transportada para o edifício Baxter
– Primeira aparição do Trio Terrível, mas sem o nome do grupo ser usado (Bull Brogin, “Handsome” Harry Phillips e Yogi Dakor)

Quarteto Fantástico #24
(março de 1964)

quarteto fantastico 24 capaProvavelmente inspirado no Homem-Molecular, de Quarteto Fantástico #22, Stan Lee cria uma ameaça ainda mais poderosa: um alienígena que, apenas com a força do pensamento, faz literalmente o que quer. Mas, diferente das soluções toscas para um enorme problema, aqui a questão ganha contornos bem mais interessantes.

Repare bem: usei a palavra “ameaça” e não vilão para qualificar o que o Quarteto enfrenta nesse número. E a escolha faz sentido. É que Reed, Ben Sue e Johnny estão diante de um bebê espacial perdido na Terra que, por acaso, é extremamente poderoso, capaz de literalmente aniquilar o planeta apenas querendo. Enquanto o exército tenta destruí-lo, mafiosos tentam usá-lo e os heróis tentam segurá-lo, Reed Richards arrisca tudo e começa a pesquisar o espaço para achar seus pais. Trata-se de uma ideia mais do que intrigante, pois lida com inteligências superiores com poder de destruição total, mas sem consciência absoluta. Com isso, a fluidez da narrativa se dá naturalmente, com um fechamento redondo para a história.

No entanto, a necessidade de Lee de explicar cada quadro desenhado por Kirby novamente atrapalha o resultado final, com uma imensa quantidade de palavras poluindo toda a publicação sem nenhum necessidade. Mesmo assim, Kirby consegue usar de sua criatividade para representar os poderes do bebê perdido e entrega um bom trabalho mais uma vez.

Curiosidades do número:

– Primeira aparição do Infant Terrible (mais tarde conhecido como Deliquente)

Quarteto Fantástico #13 a 24 (The Fantastic Four/Fantastic Four #13 – 24, 1963/4)
Roteiro: Stan Lee
Arte: Jack Kirby (todos), Steve Ditko (#20)
Arte-final: Steve Ditko (#13, #14), George Roussos (#14, #18, #19, #21 a #24), Dick Ayers (#14 a #20, #22), George Bell (#21)
Letras: Artie Simek (#13 a #18, #20, #21, #24), Sam Rosen (#19, #22, #23)
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Data de publicação: abril de 1963 a março de 1964
Páginas: 24 a 26 por edição

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.