Crítica | Quarteto Fantástico (2005) – Adaptação em Quadrinhos

estrelas 1

Enquanto a primeira adaptação cinematográfica do Quarteto Fantástico (de 1994) ficou trancafiada à sete chaves nos cofres de Avi Arad, a segunda, de 2005, gozou de tratamento de blockbuster pela Fox e acabou gozando de um certo sucesso na bilheteria, o suficiente para justificar uma continuação dois anos depois. Como parte do pacote de divulgação, a Marvel Comics, que ainda não era um estúdio de cinema à época, tratou de lançar uma adaptação em quadrinhos no formato one-shot, com apenas 54 páginas.

quarteto fantastico quadrinhos do filme capaAdaptada por Tom DeFalco a partir do roteiro de Mark Frost e Michael France, a narrativa não desvia do filme nem por um quadro sequer. Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm, Ben Grimm e o magnata Victor von Doom, que financiou a expedição, vão para o espaço estudar raios cósmicos e são atingidos por uma tempestade deles. Voltando para a Terra, os quatro primeiros adquirem super-poderes – Reed passa a poder esticar seu corpo todo, Sue fica invisível e gera campos de força, Johnny controla o fogo e Ben torna-se um ser de pedra com força descomunal – e, sem querer, tornam-se celebridades. O rancoroso Victor von Doom, vendo Sue, sua namorada, se bandear novamente para o lado de Reed (ela fora namorada dele) e remoendo-se por não ter ganhado poderes, passa a maquinar uma vingança e uma forma de se tornar poderoso também.

Não é nenhuma surpresa se eu disser que o roteiro dos quadrinhos sofre dos mesmo problemas do roteiro do filme, não é mesmo? A ação é contida e limitada, a lógica interna é furada e a ameaça de Doom não parece particularmente problemática. Mesmo a tentativa de se abordar o clássico sentimento de que Ben Grimm acabou sendo o maior prejudicado, por tornar-se o único fisicamente alterado, não funciona além do que é necessário para que a trama avance ao trancos e barrancos.

Mas a adaptação em quadrinhos da obra cinematográfica dirigida por Tim Story poderia ter sido mais caprichada no quesito arte, já que, em termos de roteiro, ela teria que ficar presa ao que vimos nas telonas. Só que não é isso que acontece. Sandu Florea desenha burocraticamente, sem qualquer traço autoral, passando para os desenhos um certo desleixo ou talvez pressa em acabar com o trabalho. Há poucos detalhes de fundo, a tecnologia se limita ao básico e sua progressão de quadros é simplista, sem nem mesmo tentar uma splash page ocasional para criar efeito. Gosto, porém, de sua escolha de não utilizar nem as fisionomias dos atores do filme nem os desenhos clássicos de Jack Kirby ou John Byrne. Por outro lado, também é interessante o fato de ele ter eleito utilizar a máscara clássica do Doutor Destino no lugar daquele rosto metálico que a Fox aprovou em sua produção.

Adaptações em quadrinhos deveriam fazer o mínimo de esforço para agregar ao material fonte, expandindo determinados aspectos e até mesmo alterando outros para servir à mídia diferente. Há várias adaptações gloriosas, como a de Star Wars da própria Marvel. Hoje, porém, o aspecto caça-níquel de publicações dessa natureza passou a ficar exacerbado demais e o resultado é um trabalho medíocre que funciona mais para a afastar o leitor do que para atrai-lo. Uma pena, pois mesmo considerando que Quarteto Fantástico está longe de ser um filme fantástico (não resisti), não seria difícil produzir uma HQ que no mínimo fosse agradável de ler.

Quarteto Fantástico (Fantastic Four, EUA, 2005)
Roteiro: Tom DeFalco (baseado em roteiro de Mark Frost e Michael France)
Arte: Art Adams
Arte-final: Sandu Florea
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Data de lançamento nos EUA: agosto de 2005
Páginas: 54

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.