Crítica | Quarteto Fantástico (2015) – Trilha Sonora Original

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estrelas 3

Quando o marketing da Fox começava a puxar o pano de seu misterioso novo filme do Quarteto Fantástico, uma das surpresas entre as revelações foi a presença do cultuado compositor Philip Glass no projeto. Uma escolha incomum para um filme de super-heróis, mas Glass acabou trabalhando ao lado do compositor Marco Beltrami a fim de criar a música para o filme de Josh Trank.

Obviamente, os estilos de Beltrami e Glass são bem diferentes: Beltrami é conhecido por ser um profissional rápido, que normalmente assina múltiplos trabalhos em um único ano (além do Quarteto, Beltrami assina O Franco Atirador, Hitman: Assassino 47, No Escape, A História Verdadeira e O Sétimo Filho em 2015), enquanto Glass escolhe seus projetos com mais cuidado, mais voltado para documentários e produções estrangeiras; raramente blockbusters hollywoodianos.

Bom, confesso que a trilha sonora de Quarteto Fantástico é tão decepcionante quanto o filme em si, ainda que consideravelmente melhor sucedida do que este. A ideia de ter uma voz tão única quanto Glass num filme de super-heróis era empolgante (basta ver como sua Pruit Igoes & Prophecies caiu como uma luva em Watchmen), e infelizmente temos apenas alguns indícios de grandiosidade na música do filme. Como é composta por dois profissionais com métodos distintos, fica difícil saber quem é responsável por tal momento ou qual foi o nível de colaboração entre os dois, mas é possível deduzir a partir de seus estilos: Beltrami é mais identificável por suas percussões eletrônicas e instrumentos mais tradicionais, enquanto o nome de Glass é facilmente ligado a orquestras e sinfonias de caráter experimental e simbolista.

Baxter é exatamente o que poderíamos esperar de Glass, sendo composta por uma sinfonia bela e que captura o senso de mistério e até magia em torno da ciência, relacionando-se bem com o drama de Reed Richards e sua decisão de mudar-se para Manhattan para trabalhar em seu projeto. De maneira similar, Building the Future e Neil Armstrong conseguem com sucesso combinar o estilo de Glass com a percussão de Beltrami, numa mistura agradável e que ajuda na passagem de tempo de tais sequências – no caso, a construção da máquina de teletransporte. Run também mostra um eficiente trabalho entre os dois, provendo uma faixa tensa que é quase toda composta por instrumentos de orquestra (especialmente de sopro), enquanto Ben’s Drop abraça o minimalismo para demonstrar a estranheza quase mórbida dos poderes que os personagens descobrem ter. Nada realmente original ou novo, mas funcionam bem dentro do universo proposto.

https://youtu.be/5zqp4iXGMIA

Funciona bem no filme, mas da metade para o fim parecem — assim como a obra do qual fazem parte — se perder. É quase como se Glass tivesse deixado o resto do trabalho para Beltrami, que se sai bem à sua maneira, mas nada perto do brilhantismo que a colaboração prometia. He’s Awake é Beltrami total, trazendo uma música assombrosa para o massacre do Dr. Destino e também uma representação sonora de seu estado de mente perturbado e até da energia cinética que envolve seus poderes psíquicos. Já as faixas finais (Pursuit e Strenght in Numbers), que envolvem o confronto do Quarteto com Doom, são genéricas e sem graça como o próprio clímax da produção, trazendo um bom tom de aventura, mas nada além. Eu não ficaria surpreso se Glass de fato tivesse saído mais cedo, porque realmente era de se esperar mais.

Ao fim, temos a eletrônica Another Body, do grupo E-LP, que de certa forma contribui para a criação de uma música que mistura fantasia e mistério, com seu apropriado toque moderno.

Bom, acho que o mais próximo que temos de ver (ou seria ouvir?) Philip Glass num filme blockbuster ainda é o trabalho de Hans Zimmer em Interestelar.

Fantastic Four: Original Motion Picture Soundtrack
Composta por Marco Beltrami & Philip Glass
País: Estados Unidos
Lançamento: 2015
Gravadora: Sony Classical
Estilo: Trilha Sonora

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.