Crítica | Quem é a Mulher-Maravilha? (2006)

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estrelas 3,5

Um ano se passou desde a Crise nas Infinitas Terras e desde que a Mulher-Maravilha matou Maxwell Lord, em uma situação bastante complicada e sem saída fácil, onde o vilão começava a dominar a mente do Superman e já havia matado um ex-membro da Liga da Justiça, o Besouro Azul. Se levarmos em consideração o momento em que a tragédia aconteceu (durante a jornada de Crise Infinita) fica fácil entender os motivos mais violentos e as abordagens mais sombrias que fizeram parte da vida da Amazona. Mas isso é o passado. No presente, quem veste o manto da Mulher-Maravilha é Donna Troy, auxiliada pela Moça-Maravilha, Cassandra Sandsmark. Diana não está mais em cena.

Com roteiro escrito por Allan Heinberg (que uma década depois seria designado para escrever o roteiro do filme da Mulher-Maravilha), vemos Diana Prince disfarçada, trabalhando como espiã do D.A.M. (Departamento de Assuntos Meta-Humanos), enquanto fica de olho nas outras duas heroínas de sua “safra”, que andam lutando em seu lugar, em nome da paz. Ao lado de um eternamente desconfiado Sargento Steel e parceira direta de Nêmese (ou Nêmesis — Thomas “Tom” Tresser), Diana encontrará neste arco o motivo que a fará voltar de seu auto-exílio, de Embaixadora da Terra, promulgadora da palavra dos deuses e do caminho da paz e sabedoria para os homens, para ser novamente uma heroína cercada de decisões difíceis ou um símbolo de esperança para o mundo.

Ler esta história é como ver o retorno parcial da crise existencial explorada em outra ocasião da vida da heroína, no icônico O Espírito da Verdade. O tom da narrativa também ajuda a destacar essas reminiscências da Amazona, que e em muito tempo não se parecia tanto com a mulher que fora durante a Era de Prata, a partir de O Incrível I-Ching e a Nova Mulher-Maravilha, tendo inclusive a roupa branca como destaque e uma citação de homenagem a seu antigo mentor. E vejam que este modelo de aventura funciona perfeitamente nas 3 primeiras edições, caindo apenas na revista de número 4 e descambando para o neurótico e barroco na Annual #1.

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Diana em seu pronunciamento para a imprensa, depois de um ano afastada do manto.

Terry e Rachel Dodson é quem guiam a arte aqui, enquanto na anual, temos uma história B desenhada por Gary Frank e Jon Sibal. Dificilmente um leitor irá se decepcionar com os desenhos da primeira dupla. Já na derradeira história, fica difícil não rir um pouco com o lápis e a finalização que parecem desafiar a anatomia (especialmente dos rostos das heroínas). Mesmo aí, há um certo “poder” na arte que encanta e engaja o público. Quanto ao trabalho do casal Dodson, não há erros. A dupla cria muito bem as situações fortes em termos de imagens de batalha e sabem muito bem lidar com um grande número de heróis ou personagens comuns nos quadros, tendo ainda um bom ritmo de história e diagramação fora da caixa, algo que também existe na história B da revista anual, mas não com tanta elegância.

A troca do manto (e dos poderes!) da Mulher-Maravilha aqui é uma das motivações para o título e temática centrais do arco, mas existem muito mais coisas em jogo. Quando trouxe à tona as reflexões de O Espírito da Verdade, não foi à toa. Diana está em crise pelo que fez com Maxwell Lord e questionando se ela é de fato merecedora do título/símbolo de Mulher-Maravilha. E se ela deve realmente voltar à ativa.

O impasse com Hércules e Circe (tendo ainda uma quantidade absurda e desnecessária de mais 14 vilões na revista anual) ajuda nesse processo de revisão de conceitos para a personagem, que além de questões feministas e femininas, anda às voltas com sua capacidade mágica e heroica e com o gostinho de humanidade que sentiu por um breve momento. A “maldição” que Circe lhe coloca, ao final, é praticamente a resposta para os questionamentos de Diana. Agora, ela pode ser humana e [semi]deusa em questão de segundos (sombras da heroína de Lynda Carter aqui). Um novo momento de experiências surge para a Mulher-Maravilha nesta estreia de 3º Volume de sua revista solo.

Quem é a Mulher-Maravilha? (Who is Wonder Woman? / Wonder Woman Vol.3 #1 a 4 + Annual #1) — EUA, 2006 (mensais) e 2007 (anual)
Roteiro: Allan Heinberg
Arte: Terry Dodson / Gary Frank (Anual #1b)
Arte-final: Rachel Dodson / Jon Sibal  (Anual #1b)
Cores: Alex Sinclair / Dave McCaig (Anual #1b)
Letras: Rob Leigh
Capas: Terry Dodson, Rachel Dodson, Alex Sinclair
Editoria: Nachie Castro, Matt Idelson

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.