Crítica | Quem Matou Rosemary?

Quem Matou Rosemary?

estrelas 3

Até pouco tempo atrás, acreditei que Sexta-Feira 13, Halloween – A Noite do Terror e A Hora do Pesadelo, os “medalhões” do que a crítica chamou de Segunda Era de Ouro do Horror, eram os filmes mais emblemáticos do subgênero slasher, narrativas sobre psicopatas que fatiam (esmagam, esfaqueiam, trituram, enforcam e dilaceram) jovens incautos em locais desertos. Ao fazer arqueologia do subgênero, percebemos que nada como as graças do público e elementos semióticos mais firmes, pois são estes alguns dos motivos desta tríada ser a mais bem sucedida.

Quando digo semióticos, refiro-me ao Jason e a sua máscara, ao silencioso e sádico Michael Myers e as lâminas e a camisa de listras do Freddy Krueger. São marcas fortes numa época de assassinos do natal, revéillon, dia das mães, páscoa e dia dos namorados, figurinos clichês e tramas apelativas. Diferente destes outros subtipos dentro do subgênero, os três antagonistas fizeram mais sucesso, entretanto, quando comparado aos demais filmes slasher dos anos 1980, não se diferem em quase nada. O primeiro filme da franquia Halloween é talvez o diferencial, graças ao seu estilo mais apurado, adornado por elementos de maior sofisticação.

Mas há um “senão” nesta história. Trazendo Halloween – A Noite do Terror para figurar como outra exceção, a dupla que chegou a se encontrar em Freddy vs. Jason ganhou bastante injeção de ânimo dos estúdios, diferente de filmes como Quem Matou Rosemary?, slasher de 1981, um dos anos da década de 1980 que mais foram produzidos filmes do subgênero. Os cinemas estavam aquecidos para este tipo de narrativa e uma onda de sangue tomou o cinema estadunidense, com assassinos e motivações de todo tipo, das razoavelmente complexas as mais bizarras que você possa imaginar.

Dirigido por Joseph Zito, responsável por Sexta-Feira 13 Parte 4 – O Capítulo Final (não foi, por sinal), o filme começa em 1945. Diversos soldados voltavam das missões referentes aos conflitos da Segunda Grande Guerra. Por uma carta, ficamos sabendo que uma moça chamada Rosemary largou seu namorado antes que este retornasse dos embates bélicos, há que estava preocupada em perder tempo e desperdiçar a juventude. Resumindo: arruma um namorado novo.

Com este mote já dá para se desconfiar. O rejeitado pode voltar e descer o machado. E é isto que acontece. Na festa de retorno dos soldados, na pequena cidade Avalon Bay, o renegado pela moça não é visto por ninguém. O novo casal, ao sair do evento, é brutalmente assassinado durante um momento intimo, numa cena que nos remete ao clássico assassinato de jovens empalados que Sexta-Feira 13 parte 2 copiou de Banho de Sangue, de Mario Bava.

O crime que chocou toda a cidade deixa muitas pessoas assustadas. Após trinta e cinco anos do ocorrido, uma festa que havia sido proibida nesta data é capitaneada por um grupo de jovens. Assim, a figura vestida de uniforme do exército, armado de facas e demais armas brancas parece ter voltado. A final girl Pam (Vicky Dawson) e o policial Mark (Christopher Goutman) são os responsáveis por tentar desvendar o mistério, ao passo que também precisam salvar as suas vidas.

Diferente de Sexta-Feira 13, esta produção foi ofuscada graças ao poder dos estúdios que capitalizou em cima do sucesso de Jason, mas não se engane. A trama não fica devendo quase nada, o que é algo difícil, afinal, Sexta-Feira 13 não possui esta complexidade a ponto de ser um parâmetro cinematográfico de tamanha importância. Joseph Zito, diretor da quarta parte da saga de Jason parece ensaiar na cadeira de diretor, com assassinatos e maquiagem muito similares ao que já havíamos visto em outras produções de sua autoria.

O roteiro não traz novidades, um absurdo, pois foi escrito por seis pessoas: Glenn Leopold, Neal Barbera, Eric Lewald, Mark Edward, Michael Edens e Sarah Higgins. A quantidade de participantes também não impede que haja uma gama imensa de furos na narrativa, com personagens que desaparecem sem deixar rastro, dentre outros problemas.

O filme pode não ter tido o prestígio de público de outros famosos, mas por ser uma produção independente, não sofreu cortes. Savini, por também ser maquiador, elabora um trabalho na concepção dos assassinatos de deixar qualquer um boquiaberto. Sabe aquela facada básica desferida e editada rapidamente em outros filmes do gênero? Em Quem Matou Rosemary?, os crimes são excessivamente violentos, com mortes que nos mostram o assassino a trucidar as suas vítimas por bastante tempo em tela. Ah, e diferente dos demais, deixa a sua marca: a cada crime cometido, uma rosa vermelha é depositada ao lado do cadáver. Macabro, não?

Quem Matou Rosemary? (The Prowler) — Estados Unidos, 1981
Direção: Joseph Zito
Roteiro: Glenn Leopold, Neal Barbera, Sarah Higgins, Eric Lewald, Mark Edward Edens, Michael Edens
Elenco: Vicky Dawson, Christopher Goutman, Lawrence Tierney, Farley Granger, Cindy Weintraub, Lisa Dunsheath, David Sederholm, Bill Nunnery, Thom Bray, Diane Rode, Bryan Englund, Donna Davis
Duração: 85 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.