Crítica | Rabin, The Last Day

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estrelas 0,5

Uma homenagem ao vencedor do prêmio Nobel da Paz, Yitzhak Rabin, o mais novo filme de Amos Gitai, Rabin, The Last Day, busca retratar os antecedentes e as consequências da morte desse homem que tanto lutou pela paz entre Israel e Palestina. Intercalando o documentário com a ficção, a obra nos traz um olhar minucioso sobre tais acontecimentos em 1995.

Com imagens de arquivo o diretor busca nos mostrar o gigantesco comício em Tel Aviv, com um plano de cobertura observamos as centenas de milhares de pessoas esperando pelas palavras de Yitzhak e logo essa sequência inicial já resume bem o grande problema do longa-metragem. O que assistimos nada mais é que uma extensa repetição do mesmo, um constante vai e vem acerca do assassinato que mudou o rumo da História, não sendo oferecendo qualquer linha narrativa que, efetivamente, consiga engajar o espectador. Ficamos sem saber se o foco é abordar o lado do assassino, as reviravoltas provocadas pela morte de Rabin ou até mesmo a desolação das pessoas esperançosas pela paz. O filme permanece na superfície, como se desejasse mostrar tudo e, no fim, acaba mostrando absolutamente nada.

A direção de Gitai até tenta gerar uma maior dinâmica no texto utilizando cenários compartilhados que dispensam os cortes bruscos, gerando um interessante trabalho de decupagem, que alterna entre sequências narrativas permanecendo no mesmo lugar. A ausência, porém, de um objetivo acaba com toda a força da projeção, como um grande trabalho argumentativo vazio, que começa em um ponto e termina em lugar nenhum. Piorando essa situação, o encadeamento dos fatos no roteiro é, no mínimo, duvidoso, ao passo que abandona qualquer esperança de coesão, soando como um amontoado de cenas desconexas que mais e mais cansam o espectador.

A presença de imagens de arquivo, naturalmente, é utilizada a fim de quebrar essas rupturas na trama, minimizando nossa percepção das constantes alterações de foco. A ausência de um personagem ou personagens centrais, contudo, eliminam qualquer chance de identificação da audiência. Nesse sentido, a obra teria sido muito melhor sucedida se abraçasse completamente seu lado documental, trazendo entrevistados e não simplesmente uma tentativa de reconstrução dos fatos ocorridos em 1995.

Rabin, The Last Day, portanto, tenta homenagear Yitzhak Rabin, mas consegue apenas ser uma negação de si próprio. Um filme que tenta nos passar a sensação de angústia provocada pelo assassinato do primeiro ministro israelense, porém que somente nos cansa, fazendo-nos ansiar pelo término da sessão – que não acaba nunca, em virtude da prolongada duração de 153 minutos – para que possamos esquecer essa narrativa desconjuntada completamente. Certamente muito aquém do potencial de Amos Gitai, que já dirigira KadoshO Dia do Perdão.

Rabin, The Last Day (idem – Israel, 2015)
Direção:
Amos Gitai
Roteiro: Amos Gitai, Marie-Jose Sanselme
Elenco: Yaël Abecassis, Ischac Hiskiya, Yariv Horowitz, Rotem Keinan
Duração: 153 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.