Crítica | Radio Dreams

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estrelas 3,5

Uma das principais peças do teatro contemporâneo, Esperando Godot (1952), parece ter sua essência registrada no funcionamento da Pars Radio, uma estação persa em São Francisco, Estados Unidos, que no momento em que Radio Dreams se passa, está esperando a visita do Metallica para tocar com uma banda convidada pela rádio, a Kabul Dreams, primeira banda de rock e indie rock do Afeganistão, formada logo depois da era Talibã (1996 – 2001).

O filme parece uma comédia de absurdos, mas vai muito além de disso. De fato, a banda Kabul Dreams existe, e sim, ela é o que diz ser. E sim, são os garotos da banda que aparecem no filme, fazendo uma visita a essa rádio que tem como um dos chefes de programação de conteúdo o irônico, cheio de manias e com seu cabelo gloriosamente expansivo, Mister Royani, papel interpretado por Mohsen Namjoo, um bem conhecido cantor, compositor e guitarrista iraniano.

Essas parcelas de realidade mescladas à ficção da rádio e às vezes da música dão a Radio Dreams um sabor todo especial. O princípio de esperar Godot está lá o tempo inteiro, com os anúncios desenfreados dos patrocinadores, animados com a ida do Metallica ao estúdio — algo que serve também de marketing para o próprio filme. O espectador é jogado da excentricidade dos que trabalham na rádio para questões culturais interessantes, tendo também alguns contextos sociais inesperados, não exatamente discutidos, mas bem localizados na história, como um caminho para dar maior profundidade aos personagens.

A direção de Babak Jalali é simples, e conta com uma dinâmica interna de supressão da ação, tendo planos um pouco mais longos para coisas que geram um riso nervoso no público, como um músico iniciante tentando atingir a emoção e as notas certas para cantar em um dos programas do dia. Os cortes também servem para mostrar as brigas de bastidores — há muita diferença na forma como Mister Royani e sua rival, a filha do chefe da rádio — e a preparação da banda afegã, o que mantém um estilo documental, mesmo estando em uma comédia de nuances dramáticas.

Mas ao mesmo tempo que esses cortes servem para dar base aos gêneros e salientar a claustrofobia onipresente na fita (o diretor é um bom manipulador de espaços, movendo a câmera de maneira precisa em todos os espaços interiores), eles também são parte dos erros de Radio Dreams. Algumas cenas que fazem um papel menor na obra chegam a ser estendidas demais, sem necessidade. O caso mais grave aí acontece na parte final, com uma dispensável chegada de Mister Royani à rádio, depois de Lars Ulrich aparecer e tocar com a Kabul Dreams. A cena não tem sentido algum, a obra poderia ter terminado três minutos antes e estaria muito melhor.

Radio Dreams é um quase-documentário cômico de um dia importante para uma pequena rádio de São Francisco. Um absurdo delicioso que peca no corte final, deixando cenas demais quando não eram necessárias, mas mesmo assim, tendo um efeito bastante positivo no espectador, ao final.

Radio Dreams (EUA, 2016)
Direção: Babak Jalali
Roteiro: Babak Jalali, Aida Ahadiany
Elenco: Lars Ulrich, Boshra Dastournezhad, Kyle Kernan, Mohsen Namjoo, Larry Laverty, Mohammad Talani, Mahmood Schricker, Ali Tahbaz, Bella Warda
Duração: 93 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.