Crítica | Renovando os Votos (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 4

Obs: contém spoilers.

A Marvel decidiu mudar a forma que a editora lidava com as grandes sagas antes do lançamento de Guerras Secretas. Ao invés de interligar todas as HQ mensais ao grande evento que estava acontecendo, a editora decidiu cancelar todos os títulos periódicos e lançar algumas histórias de apenas cinco edições. As histórias ainda foram moldadas para que os arcos não ficassem sem propósito dentro das Guerras Secretas. A grande saga mostrou que o Doutor Destino virou um deus, e agora molda o universo ao seu querer. Tudo isso permitiu que essas edições tie-ins, viajassem em toda a time-line da Marvel. Tudo isso rendeu para os roteiristas uma liberdade que fez tais minisséries serem, por muitas vezes, melhores histórias que a saga mãe.

renovando-os-votosDentro de toda essa confusão, temos o arco Renovando os Votos. A história se passa em um período que, me atrevo a dizer, todos os fãs do Aracnídeo sonhavam. Nós acompanhamos Peter desde de sua pré adolescência, vimos o garoto crescer e sentimos na pele o que a grande frase “grandes poderes e grandes responsabilidades” significa. Torcemos por Parker e Gwen, mas todos sabemos o trágico final da história do romance. Quando nossas esperanças estavam perdidas, vimos Mary Jane Watson surgir, tanto na vida do personagem, quanto nas nossas vidas. Nos apaixonamos junto com o cabeça de teia, a menina de cabelo ruivo logo se tornou uma das mais queridas personagens da editora.

Peter Parker e Mary Jane com certeza são um dos casais mais famosos de todos os tempos. Sendo fã ou não, todos gostavam da química que Peter tinha, e sempre terá, com M.J. Foi uma grande surpresa quando a Marvel decidiu separar o casal. Isso aconteceu na História “Um dia a mais”, nela o demônio Mefisto forçou o Aranha a entregar seu casamento em troca da vida de Tia May. Fazendo com que todos, inclusive Mary Jane, esquecessem sua identidade secreta (que foi revelada na minissérie Guerra Civil).

Com toda a certeza Um Dia a Mais é uma das histórias do Aranha mais odiadas de todos os tempos, não por que ela tem um roteiro ruim ou pela sua arte. Mas sim devido a ela ir contra todo a personalidade do Homem-Aranha. Peter nunca, nunca negociaria a vida de M.J, ainda mais quando o negociador é um demônio.

Com tudo isso feito, foi uma grata surpresa ver a história Renovando os Votos ser anunciada. Nela teríamos a oportunidade de ver algo que nunca vimos, Peter formando uma família, e tendo de lidar agora com a maior relação entre poder e responsabilidade da história do herói, ser um pai. Essa grande responsabilidade ficou nas mãos do roteirista Dan Slott e desenhista Adam Kupert. E com certeza a dupla não poupou esforços para que o quadrinho fosse um grande sucesso.

Na HQ vemos que os heróis estão sumindo, sobrecarregado, Spider-Man, vai até a mansão dos Vingadores para descobrir o que esta acontecendo. Lá ele descobre que, na verdade, os heróis estão mortos e os X-Men desaparecidos, tudo isso é um plano do vilão Augustus Roman. Então o grupo de remanescentes decide deter Roman, mas no meio do caminho o Gavião Arqueiro recebe um comunicado dizendo que houve uma fuga em massa na Ilha Ryker, prisão que mantia Eddie Brock, o Venom, em custodia.

Sem pensar duas vezes, o Aranha abandona os Vingadores e vai em direção a sua casa para proteger Mary e sua pequena filha Anna. Quando Peter chega, detém Venom, porém isso custa um grande preço. Não só a vida de Eddie foi tirada naquela noite, mas também a vida de todos os Vingadores, que não tiveram a ajuda do Homem-Aranha.

Tudo isso acontece muito rápido, o que é compreensivo, o roteiro de Dan Slott não quis focar em uma grande batalha, e como se trata de um quadrinho de apenas 5 edições, todos mudam muito em poucas páginas. Slott tenta dar o máximo do mínimo, apenas pincelando como o mundo reagiu a toda essa revolução.

Temos um grande salto de tempo da primeira para a segunda edição. Agora vemos a filha do casal, Anna, mais velha e tendo que lidar com seus poderes. O mais interessante é que, por estar em um mundo dominado por um regime que não aceita poderes, Peter vai contra todas as nossas expectativas. O agora ex-herói chega a dizer para a filha que “Ter grandes poderes trazem grandes responsabilidades para escondê-los”. Toda essa mudança no planeta fez Parker refletir muito sobre o que é mais importante. Junto com M.J., o pai de família reconhece que estar com seus amados, e preservar a vida deles é mais importante que todo o resto.

Spoilers à parte, Dan Slott consegue muito bem colocar a essência moleque do herói. Mesmo com todos os ocorridos, o aracnídeo não deixou de ser aquele menino que apenas quer estar com seus amados. O roteirista também lidou muito bem com Mary Jane, mesmo agora sendo mãe, conseguimos ver toda a antiga M.J. que não deixou de ser uma mulher muito descolada. O afeto com a filha já é automático, o amor que temos pela mãe e pelo pai escorre para a menina, mas convenhamos que ela também é muito bem escrita por Dan.

A arte não decepciona, nos entrega algo que não foge do padrão, mas que tem uma composição corporal muito bonita. Desenhar o Aranha é sempre um desafio, não por suas cores ou traços, mas sim por toda a forma que o herói se comporta quando está de uniforme. Adam Kupert consegue fazer algo muito bom na HQ, não vemos o amigo da vizinhança com poses malucas e inintendíveis. As capas dos quadrinhos não podem deixar de ser mencionadas, se a arte não é um trabalho de saltar os olhos, as capas tem o brilho que Peter merece, principalmente a linda, delicada e cheia de amor capa da edição número um.

Renovação de Votos foi um quadrinho muito esperado pelo crítico que aqui escreve. Sempre tive a vontade de viver essa fase da vida de Peter. Fiquei triste quando vi que esse não era o objetivo da editora, parece que a Marvel tem medo de envelhecer o personagem. É muito bom ver Peter e M.J crescerem e terem de lidar com toda essa nova fase de suas vidas.

Mesmo que o quadrinho tenha seus defeitos, a maioria deles devido ao pequeno número de edições e a pressa do roteiro, ele entrega algo muito próximo do que todo o fã da família Parker queria. O quadrinho acaba com um triste gostinho de quero mais, nos despedimos de Anna, e ela e sua família deixam muitas saudades.

Guerras Secretas: O Espetacular Homem-Aranha #1 (The Amazing Spider-Man: Renew your Vows) — EUA, 2015
Roteiro: Dan Slott
Arte: Adam Kubert
Cores: Justin Ponsor
Letras: Joe Caramagna
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas:  110 ( aprox.)

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".