Crítica | Resident Evil 2: Apocalipse

estrelas 1

O mundo foi devastado diante do vazamento de um vírus, conhecido como T-Vírus, que reanima as células mortas e, basicamente, traz as pessoas de volta à vida, transformando-a naturalmente em zumbis. Em determinado momento, a experiente protagonista Alice (Milla Jovovich) e os personagens que iremos acompanhar, armados até os dentes, fogem dos mortos-vivos que os perseguem caminhando por um… cemitério. A obviedade do que acontece na cena é tão gritante quando a estupidez descabida no roteiro para levar seus personagens a este tipo de situação. E isso é só o começo do absurdo.

Resident Evil 2: Apocalipse dá sequência direta aos eventos vistos em O Hóspede Maldito, saindo da ambiciosa e multimilionária Corporação Umbrella para uma devastada Raccoon City, onde Alice irá se juntar com outros nomes e rostos pouquíssimos interessantes para serem comentados (excetuando Jill Valentine, interpretada  por Siena Guillory) para conseguir escapar da cidade antes uma bomba elimine os tais mortos-vivos e todos os vestígios da T-Vírus. Ou seja, não há história, apenas pretextos.

Fico em dúvida se Apocalipse teria se saído melhor com a presença mais ativa do diretor Paul W. S. Anderson, que manteve-se apenas como roteirista e produtor para comandar outro ambicioso projeto, Alien vs. Predador. Enquanto roteirista, Anderson elabora um script que segue a cartilha fast-food de fazer o tão consumido cinema descerebrado, onde tudo acontece nas pressas, onde o encontro dos personagens não se justifica (como a repórter de Sandrine Holt se meteu naquele meio?), onde não há nada que não sirva de mera justificativa para tiros, porrada, barulho, e mais disso há cada segundo. E isso cansa.

Cansa principalmente pelo diretor da vez, Alexander Witt (who?), requisitado por outros diretores para dirigir cenas de ação (Witt trabalhou em A Identidade Bourne e Saída de Mestre, por exemplo), se desprender de qualquer tato para dar vida a sequências que mantenham, no mínimo, algum interesse visual. São balas voando, tiros, chutes e explosões que nem o mais belo slow motion consegue salvar. Se mais, é capaz de gerar até risadas.

E o que sobra? Sobra para as protagonistas “fodonas” Alice e Jill seguirem o caminho em seus figurinos curtos e que obrigatoriamente acentuam a sensualidade das atrizes, sobra o amontoado de situações que nos faz questionar como chegamos até aquele ponto, e sobra os diálogos vergonhosos acompanhados por um sentimentalismo incabível na proposta (as lágrimas de Nêmesis por Alice são de revirar o estômago).

Alguns ainda seguram a boa vontade em defender, mas é um tiro no escuro: Resident Evil 2: Apocalipse é um filme sem salvação.

Resident Evil 2: Apocalipse (Resident Evil: Apocalypse) — Alemanha/ França/ Reino Unido/ Canadá/ EUA, 2004
Direção:
 Alexander Witt
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Sienna Guillory, Eric Mabius, Oded Fehr, Thomas Kretschmann, Sophie Vavasseur, Jared Harris
Duração: 94 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.